quinta-feira , junho 4 2020
Início / Tag Archives: tragédia ambiental

Tag Archives: tragédia ambiental

Eventos causados por mudanças climáticas causaram a morte de 11,5 mil pessoas em 2017

Um recado forte, inquestionável, baseado em números reais colhidos em instituições sérias, será dado hoje (4) em Katowice, na Polônia, aos representantes dos 194 países que estão debatendo sobre um novo paradigma civilizatório para enfrentar os riscos trazidos pelas mudanças climáticas na COP24. O recado há de alcançar também os céticos do clima, que parece terem se multiplicado depois que Donald Trump e outros líderes decidiram se contrapor à ciência e se negarem a aceitar as evidências. É o seguinte: ao todo, em 2017, 11.500 pessoas morreram por causa de eventos climáticos extremos. E os prejuízos ficaram em US$ 375 bilhões (calculado em paridade de poder e compra).

Os dados acima fazem parte de um relatório volumoso chamado Índice Global de Risco Climático, divulgado pela organização alemã Germanwatch com base no banco de dados NatCatSERVICE da empresa de resseguros Munich Re, bem como nos dados socioeconômicos do Fundo Monetário Internacional (FMI). É a 14ª edição do relatório e, na comparação com o estudo publicado ano passado, muita coisa piorou. O Brasil subiu dez posições no ranking dos mais impactados, passando para o 79º lugar. Portugal também subiu dez casas, agora está quase entre os dez que mais sofrem com tempestades, furacões, tufões, secas. E os Estados Unidos tiveram a maior mudança: passaram da 28ª para a 12ª posição.

Principal autor do estudo, David Eckstein falou durante a apresentação, lembrando que as tempestades foram muito mais fortes do que nunca e causaram impactos desastrosos:

“Em 2017, Porto Rico e Dominica foram atingidos por Maria, um dos furacões que mais causaram mortes e prejuízos já registrados. Porto Rico ocupa o primeiro do ranking dos países mais afetados por eventos climáticos em 2017, com a Dominica em terceiro lugar. Nepal, Peru e Vietnam também estão entre os primeiros, seguidos por Madagascar, Serra Leoa, Bangladesh e Tailândia”.

O estudo também foi feito considerando os últimos vinte anos. Neste caso, o número de mortos sobe para mais de 526 mil pessoas em 11.500 eventos extremos que causaram um impacto econômico de US$ 3,47 trilhões. Os maiores danos foram provocados por tempestades e suas implicações diretas – enchentes, deslizamentos de terra. E é clara, segundo os estudos científicos, a ligação entre mudanças do clima e furacões, tempestades e toda a tragédia que cerca tais fenômenos.

Estudos científicos recentes encontraram uma clara ligação entre mudanças do clima e furacões. E também sugerem que o número de tempestades tropicais severas vai aumentar com cada décimo a mais na temperatura do planeta. Se o aquecimento ficar entre 1,5 ou 2 graus (como prevê o Acordo de Paris), espera-se, verdadeiramente, que o número total de ciclones tropicais diminua.

Sendo assim, o melhor que se tem a fazer é preparar as cidades, o meio rural, para as tempestades de maneira a que elas causem menos danos às pessoas. O relatório sugere algumas práticas, como a construção de plantios flutuantes em Bangladesh e a plantação de árvores de mangue, que tem dado certo em Porto Rico. Em outubro deste ano foi criada a Comissão Global de Adaptação, com 17 países, sob a coordenação da líder da COP24 e CEO do Banco Mundial, Kristalina Georgieva, e de Ban Ki-moon, ex-secretário-geral da ONU. A ideia é lançar, em outubro de 2019, uma linha de ação.

Dos dez países mais afetados entre 1998 e 2017, oito são países emergentes, no grupo dos mais pobres. São eles: Honduras, Myanmar, Haiti, Filipinas, Nicarágua, Bangladesh, Paquistão, Vietnam e Dominica. Interessante observar que quando o ranking é feito entre 1997 e 2016, há uma mudança no primeiro lugar. É que a devastação feita pelo furacão Maria elevou Porto Rico ao primeiro colocado no ranking dos mais atingidos, enquanto Dominica fica em décimo lugar.

O relatório chama a atenção para o fato de que as perdas financeiras quando eventos extremos atingem os países ricos são maiores e há muito mais mortes quando atingem os países pobres. E, como se vê na reportagem do jornal britânico “The Guardian” escrita pela jornalista e ativista ambiental Naomi Klein, até hoje Porto Rico ainda tenta se reerguer da tragédia provocada pelo furacão em suas terras.

A jornalista mostra com clareza uma outra face, a política, dos desastres provocados pelas mudanças climáticas.

Será crucial – diz o Índice que aponta a vulnerabilidade de cada um dos 194 países das Nações Unidas – que o Livro de Regras da COP24 faça forte menção às perdas e danos provocados pelos eventos extremos. São riscos muito severos para, simplesmente, serem usados na hora da negociação. É preciso estar escrito e é preciso que os métodos de adaptação, como previsto no ODS 13 (Tomar Medidas Urgentes para Combater a Mudança Climática e seus impactos) sejam postos em prática.

FONTE: G1

O novo sistema, que vai se chamar TanDEM-L, tentará superar essas dificuldades.

Fabio Schvartsman disse que faltam licenças para garantir a retomada da operação da mineradora, responsável pela maior tragédia ambiental do país. Porém, destacou que até o começo da próxima década ‘todas as questões estarão superadas’.

Presidente da Vale, Fabio Schvartsman, fala à imprensa em evento no Rio de Janeiro — Foto: Daniel Silveira/G1

 

O presidente da mineradora Vale, Fabio Schvartsman, disse nesta terça-feira (16) que a Samarco poderá voltar a operar no início de 2020, pouco mais de quatro anos após a tragédia de Mariana que provocou 19 mortes, considerada a maior tragédia ambiental do país.

“100% de certeza não dá pra ter porque depende de licenças que eu não tenho como garantir que serão dadas. Falta por exemplo a licença de operação que terá que ser obtida. Mas todos os indícios são que não existirão problemas e que no início de 2020 todas as questões estarão superadas e será possível reiniciar a operação”, disse o executivo após evento sobre commodities promovido pelo “Financial Times” no Rio de Janeiro.

No final de julho, durante teleconferência com analistas sobre os resultados financeiros da companhia no primeiro semestre, o executivo havia dito que não havia previsão de retomada das operações da mineradora, que é uma joint venture entre a Vale e a empresa BHP Biliton.

Segundo Schvartsman, a retomada das operações da Samarco se darão em volume pequeno. “Quando ela retomar as atividades, ela vai voltar a 1/3 da sua capacidade e vai crescer lentamente”, destacou.

As operações da Samarco foram suspensas no final de 2015. Em 5 de novembro daquele ano, ocorreu o rompimento de barragem na cidade mineira de Mariana. O acidente, que provocou 19 mortes e é considerado a maior tragédia ambiental do país, causou destruição do Rio Doce e das regiões que o margeiam entre Minas Gerais e o Espírito Santo.

Prefeituras discutem adesão à ação internacional contra mineradora pela tragédia em Mariana

Representantes de pelo menos 30 das 39 cidades afetadas pelo rompimento da Barragem do Fundão se reúnem amanhã para discutir o tema. Escritório anglo-americano que prepara o processo calcula que os municípios podem receber até R$ 752 milhões de controladora da Samarco

Paracatu, distrito de Mariana, foi um dos locais devastados pela lama de rejeitos em um dos maiores acidentes ambientais
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

 

Mariana – As prefeituras dos 39 municípios diretamente atingidos pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, (Região Central de Minas), da mineradora Samarco, podem receber mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 752 milhões) em reparações, segundo estimativa do escritório de advocacia anglo-americano SPG Law. Para isso, contudo, é necessário que as administrações municipais ingressem na ação que o escritório vai propor contra a BHP Billiton, uma das controladoras da Samarco, ao lado da Vale, nas cortes da Inglaterra e do País de Gales. Como a reportagem do Estado de Minas vem mostrando com exclusividade, a estimativa é de que o valor final das indenizações nos tribunais britânicos possa superar os 5 bilhões de libras (em torno de R$ 24,5 bilhões). O processo internacional será proposto em 1° de novembro, quatro dias antes de a tragédia completar três anos e atingir o prazo legal de prescrição. A adesão dos municípios afetados deverá ser decidida após a reunião de amanhã do Fórum Permanente de Prefeitos do Rio Doce, em Rio Casca, na Zona da Mata, e que vai reunir representantes de quase 30 municípios da bacia hidrográfica.

De acordo com o procurador de Governados Valadares, no Vale do Rio Doce, Elias Souto, a adesão da prefeitura dependerá do que for decidido na reunião com os demais prefeitos. “Conseguimos, por enquanto, recuperar R$ 6,5 milhões em prejuízos da Samarco. Mas isso é ínfimo perto dos gastos que essa tragédia trouxe com mobilização da estrutura da prefeitura, empenho de veículos, funcionários e a redução dos recolhimentos, sobretudo do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). Por isso, essa reparação nos tribunais estrangeiros pode ser vantajosa”, avalia. Em Mariana, município mais arrasado pelo rompimento da barragem da Samarco, o prefeito Duarte Júnior (PPS) também disse que a decisão será tomada apenas após as deliberações com os demais chefes dos executivos municipais da bacia.

Um dos sócios do escritório, o inglês Tom Goodhead, disse que algumas prefeituras já entraram em contato e que sua expectativa é de que pelo menos 20 estejam representadas no processo contra a BHP Billiton. Devido à confidencialidade dessas negociações, o advogado não pode revelar quais os municípios que aderiram, mas indicou que a participação de todas as prefeituras é essencial. “Quanto mais prefeituras aderirem, melhor será para que tenhamos mais poder de pressão e apelo popular no nosso processo”, disse. O número de adesões pode parecer grande, mas preocupa por representar cerca de 50% dos municípios atingidos, sendo que o processo não terá qualquer custo para as prefeituras. “Nos dispusemos, inclusive, a ajudar os procuradores municipais com os detalhes necessários para a prefeitura integrar a nossa ação. Mas tudo precisa ser feito antes do prazo prescricional”, alerta o advogado inglês. Em caso de vitória no processo, o escritório e os advogados brasileiros e estrangeiros envolvidos receberão 30% da quantia.

Outro sócio do escritório, o norte-americano Glenn Phillips, destaca a agilidade do processo contra a BHP Billiton nas cortes do Reino Unido. “Em poucas semanas as pessoas, os negócios e as organizações públicas vão perder o seu direito de aderir à nossa ação. São cidades que terão de batalhar no sistema legal do Brasil por 10 a 20 anos para tentar uma reparação. Parece que ainda não entenderam a magnitude dos seus prejuízos e de suas perdas. Por isso, sugerimos que esses governos municipais ingressem nas ações” disse. De acordo com ele, as prefeituras que tiveram problemas ligados aos seus sistemas de abastecimento de água, sistemas sanitários, terras públicas soterradas ou contaminadas, desvalorizadas, os impostos e taxas se reduziram, como um impacto direto da fuga das empresas e da queda da renda da população. “Com isso, a capacidade de governo das prefeituras também foi sensivelmente abalada. É uma situação muito semelhante à que vimos após a passagem do Furacão Maria, em Porto Rico. A capacidade governamental de se reerguer é muito limitada quando os recursos são afetados”, compara.

DIVISÕES A ação nas cortes do Reino Unida será dividida por categorias, tais como: Cidadãos atingidos e que tiveram vítimas com morte, perda patrimonial total, lucros cessantes, danos morais e existenciais, atingidos indiretamente (quem sofreu um impacto financeiro por residir na região afetada economicamente) e pessoas físicas e jurídicas atingidas de modo geral, ao longo da Bacia do Rio Doce. A adesão popular a essa ação só poderá ocorrer com a contatação de um advogado brasileiro, que poderá fazer parceria com o escritório SPG LAW. O valor da indenização será depositado diretamente na conta-corrente ou conta poupança do atingido, depois de preencher seus dados de cadastro.

O rompimento da Barragem do Fundão produziu o pior desastre socioambiental brasileiro e um dos piores do mundo. Foram despejados 35 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e lama na Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Morreram 19 pessoas, sendo que até hoje não foi localizado o corpo de Edmirson José Pessoa, de 48 anos, que trabalhava para a Samarco havia 19 anos. Estima-se que cerca de 500 mil pessoas tenham sido atingidas pela tragédia.

Na esfera criminal, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 22 pessoas, entre diretores da Samarco e responsáveis pela consultoria VogBr, que assinou o laudo de garantia de segurança da barragem rompida. Eles respondem por homicídio e crime ambiental.

FONTE: Estado de Minas

Cresce adesão a ação bilionária pela tragédia de Mariana

Segundo escritório internacional que prepara processo no Reino Unido para indenizar vítimas do pior desastre socioambiental do país, expectativa é alcançar 100 mil pessoas apenas em Valadares

O Rio Doce em Governador Valadares, tingido de lama depois da catástrofe da Samarco: 50 mil ações de moradores da região podem ser extintas (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press – 17/12/2015)

 

Em menos de duas semanas desde que lançou o site que orienta atingidos pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, sobre como aderir ao processo que moverá nas cortes da Inglaterra e do País de Gales contra a BHP Billiton SPL, o escritório de advocacia anglo-americano SPG Law já firmou parceria com 80 advogados só em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. A informação é dos sócios do escritório, o norte-americano Glenn Phillips e o inglês Tom Goodhead, que afirmam receber adesões às dúzias, diariamente. A estimativa é de que se consiga chegar à representação de pelo menos 100 mil atingidos só nesse município, o mais populoso da Bacia do Rio Doce, com cerca de 280 mil habitantes. “Sentimos que esse movimento aumentou depois da notícia de que aproximadamente 50 mil ações que estão naquela comarca (no Juizado Especial) estão ameaçadas de ser extintas pelo sistema legal brasileiro. Isso, a poucas semanas do prazo legal para a prescrição do processo indenizatório (em 5 de novembro, quando a tragédia completa três anos)”, disse Goodhead.

O SPG Law informou já ter escritórios parceiros trabalhando em Minas Gerais, nos municípios de Mariana e Governador Valadares, e outros no Espírito Santo, em Colatina, Linhares e Vitória. “Em Mariana, por exemplo, temos muitos advogados parceiros se organizado e há uma multiplicidade de tipos de pessoas afetadas. Não apenas quem foi diretamente atingido pelo rompimento, mas também muitos comerciantes e empresários vão aderir”, afirma Tom.

Como o Estado de Minas revelou com exclusividade, o SPG Law busca reparações que podem ultrapassar 5 bilhões de libras (cerca de R$ 26,5 bilhões). O custo do processo é estimado em US$ 20 milhões (em torno de R$ 80 milhões), a serem arcados pelos advogados norte-americanos e britânicos, que pagarão também a contratação de especialistas para auxiliar na caracterização da extensão dos danos materiais e morais sofridos pelos atingidos. O processo será movido contra a BHP Billiton SPL, braço inglês da gigante anglo-australiana BHP Billiton, controladora, ao lado da Vale, da mineradora Samarco, responsável pela barragem que se rompeu. O desastre matou 19 pessoas em 5 de novembro de 2015, atingiu cerca de 500 mil em 39 municípios mineiros e capixabas, além de espalhar cerca de 35 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de minério de ferro pela Bacia do Rio Doce até o litoral brasileiro.

Para Glenn Phillips, sócio norte-americano do SPG Law, a justiça nas cortes do Reino Unido pode representar a única esperança de reparação para muitas pessoas que ainda não foram reconhecidas como atingidas. “Vemos essa quantidade tão grande de rejeitos de minério espalhados por uma área tão vasta…. Se alguém tem esse material depositado em seu terreno, existe a expectativa de que seja removido e de que a vida volte a ser como era. E vemos esse cenário desde Mariana ao longo de toda a bacia hidrográfica (do Rio Doce) até o Oceano Atlântico”, diz Phillips. “Não se tem uma expectativa de quando isso voltará a ser como era antes. Ficamos chocados ao ver essa situação ainda assim, e ao perceber que a Samarco e a Renova ainda não encontraram uma forma de limpar as águas, limpar as terras, trazer os peixes de volta”, diz o advogado norte-americano, acostumado a processos contra gigantes multinacionais.

PRAZOS A previsão é de que a ação internacional seja proposta nas cortes britânicas em 1º de novembro, observando o prazo de prescrição legal dos processos pela lei brasileira, que ocorre após três anos do desastre, em 5 de novembro deste ano. Esse prazo é importante, porque, apesar de os advogados do SPG Law levarem a ação para as cortes do Reino Unido, o processo será julgado observando-se a legislação do Brasil. “Essa aproximação do prazo legal de prescrição e a percepção dos atingidos de não terem ainda uma reparação satisfatória fizeram com que muitas pessoas depositassem suas esperanças de serem indenizadas com mais celeridade e justiça nos tribunais estrangeiros do que no próprio país”, disse o presidente da OAB-MG em Governador Valadares, Elias Dantas Souto.

De acordo com advogados de Mariana, Governador Valadares, Colatina (ES) e Vitória ouvidos pela reportagem do EM, os atingidos ainda têm muitas dúvidas sobre a necessidade de ingressar individualmente na Justiça contra a Samarco, muitos deles sem saber quanto poderão receber de indenização na ação proposta nos tribunais da Inglaterra e do País de Gales.

Segundo o escritório anglo-americano, a ação internacional será única, mas eventual reparação de direitos ocorrerá de forma individual. Não haverá custos para os atingidos, mesmo em caso de derrota nos tribunais. Em caso de vitória, 30% do montante será revertido para os advogados envolvidos – do escritório estrangeiro e os parceiros brasileiros.

O processo de indenização será dividido por categorias, como atingidos que perderam parentes, perda patrimonial total, lucros cessantes, danos morais e existenciais, atingidos indiretamente (quem sofreu um impacto financeiro por viver na região afetada economicamente) e pessoas físicas e jurídicas atingidas de modo geral, ao longo da Bacia do Rio Doce.

A adesão dos atingidos só poderá ocorrer com a contratação de um advogado brasileiro, que poderá fazer parceria com o escritório SPG Law. Os valores conseguidos mediante indenização ou acordo serão pagos para os beneficiários diretamente em suas contas bancárias.

 

FONTE: Estado de Minas

Obras em barragem da Samarco começam hoje com promessa de vagas

Mineradora começa a preparar novo espaço para estocar rejeitos do Complexo de Germano, o mesmo onde ocorreu o desastre de 2015. No pico, a intervenção deverá gerar 750 empregos

Complexo de Germano, instalado em Mariana e Ouro Preto, onde a cava de Alegria Sul será preparada para receber os rejeitos de mineração

 

Começam hoje as obras de preparação para que a cava de Alegria Sul possa receber os rejeitos de minério de ferro gerados no Complexo de Germano, da Samarco, o mesmo que em 5 de novembro de 2015 foi paralisado após o rompimento da Barragem do Fundão. A cava é o local de onde o minério de ferro é extraído, no caso, formando um buraco que terá capacidade para estocar 16 milhões de metros cúbicos de material proveniente do processo minerário do complexo que fica entre Mariana e Ouro Preto. Desde dezembro do ano passado a Samarco já dispunha de licenciamento para essa obra, mas a empresa alega que não havia iniciado as intervenções necessárias porque ainda estava em tratativas com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). “Por possuir uma formação rochosa e estável, (a cava) permite a contenção segura do rejeito nela depositado”, informou a mineradora, que é controlada pelas gigantes BHP Billiton (anglo-australiana) e Vale (Brasil).

A previsão é de que as obras de preparação da cava levem cerca de 10 meses, atingindo, no pico das intervenções, cerca de 750 empregados diretos e indiretos. A Samarco se comprometeu a contratar de 75% a 80% de mão de obra local, o que trará um certo alívio à população de Mariana, boa parte dela envolvida na atividade mineral e que sentiu diretamente o impacto da paralisação das operações da mineradora e de suas terceirizadas. “O início das atividades de implementação do novo sistema de disposição de rejeitos é um passo fundamental para a retomada das nossas operações. A cava é um local confinado, o que confere ainda mais segurança”, afirma o diretor-presidente da Samarco, Rodrigo Vilela.

A Samarco obteve, em dezembro de 2017, junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), as licenças prévia (LP) e de instalação (LI), que permitem a preparação do local. Mas, para operar, a mineradora ainda precisa conseguir com os órgãos ambientais o Licenciamento Operacional Corretivo (LOC). A expectativa é de que isso seja concedido no ano que vem, por conta disso, a empresa prefere não estimar uma data de retorno às suas atividades. “Ao longo dos últimos meses, foram realizadas tratativas com o MPMG, que evoluíram para um Termo de Compromisso, firmado na sexta-feira, em Belo Horizonte. O documento prevê a contratação de auditoria independente para acompanhar a implantação do Sistema de Disposição de Rejeitos Cava Alegria Sul. Custeada pela Samarco, a auditoria será responsável por atestar a segurança técnica e ambiental da cava”, informou a mineradora.

O LOC do Complexo de Germano foi protocolado em setembro de 2017, para regularizar todas as licenças de Germano, suspensas em outubro de 2016 pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Conforme previsto no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do LOC, a Samarco planeja implantar a filtragem de rejeito arenoso, que corresponde a 80% do total gerado após o beneficiamento do minério de ferro, e o adensamento de lama, que representa os outros 20%.

A filtragem retirará a água do rejeito arenoso, permitindo o empilhamento do material. O adensamento feito por meio de um espessador remove também água da lama, resultando numa polpa mais densa que se sedimenta na cava, reduzindo o volume estocado em Alegria Sul. Os dois processos permitirão a recirculação da água no processo produtivo. “Com o empilhamento dos rejeitos arenosos e disposição da lama adensada, a Samarco ampliará a vida útil da cava de 20 meses para sete anos. Durante esse período, a Samarco dará sequência ao estudo e apresentação das alternativas de médio e longo prazos para a continuidade de suas atividades”, informou a empresa.

 

Abalo socioeconômico

O fim das operações da Samarco representa um dos grandes impactos que o rompimento da Barragem do Fundão causou ao despejar cerca de 35 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de minério de ferro na Bacia Hidrográfica do Rio Doce, atingindo 39 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo, causando 19 mortes e atingindo cerca de 500 mil pessoas. Com a interrupção das atividades da Samarco, centenas de pessoas perderam seus empregos na mineradora e nas terceirizadas que prestavam serviços à empresa. Só a arrecadação de Mariana caiu cerca de 40% à época da paralisação.

Desde o rompimento, atingidos aguardam para receber casas, no caso de quem perdeu suas moradias para o soterramento de lama, e indenizações para reparação de danos morais e materiais. Os processos na Justiça prescrevem legalmente em 5 de novembro, quando a tragédia completa 3 anos. Isso tem causado grande angústia aos atingidos, mesmo naqueles que ingressaram com ações coletivas, pois podem não ter como propor ações individuais a tempo da prescrição em caso de discordância com a indenização em grupo, como tem mostrado o Estado de Minas desde o dia 16.

Em meio a essa demora, o EM também mostrou com exclusividade que o escritório anglo-americano SPG Law vai ingressar com uma ação contra a BHP Billiton, nos tribunais da Inglaterra e do País de Gales, pedindo mais de 5 bilhões de libras de reparação para os atingidos, num processo que não terá interferência nas ações que tramitam no Brasil. Só em Governador Valadares, pelo menos 4 mil atingidos já estão em processo de adesão. O município de 280 mil habitantes conta com mais de 50 mil processos, a maioria por interrupção do fornecimento de água. Lá, também, o fantasma da prescrição assombra, pois o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) ainda vai definir se o Juizado especial, onde as ações tramitam, tem competência para julgar todos os casos, ou se eles devem ser novamente propostos para a Justiça Comum.

Novos processos

 

Como será disposição de rejeitos do Complexo de Germano

 

  1. No beneficiamento de minério são gerados 80% de areia e 20% de lama
  2. Lama vai para dentro das cavas (locais de onde se extrai o minério de ferro), que têm capacidade para 16 milhões de metros cúbicos
  3. Rejeito arenoso segue para ser empilhado em áreas externas
  4. Lama passará por um processo de adensamento (terá a água separada e reinjetada no processo produtivo) e seguirá para as cavas
  5. A areia será filtrada. A água removida recirculará no processo produtivo

 

 

FONTE: Estado de Minas