quarta-feira , agosto 21 2019
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Dissertação de 2010 na Ufop apontava possibilidade de liquefação em barragem de Brumadinho

 

Estudo feito por um engenheiro geotécnico que trabalha há mais de 20 anos na Vale aponta a possibilidade de liquefação na barragem de Brumadinho, que se rompeu em 25 de janeiro. A tese de mestrado foi defendida por Washington Pirete da Silva em 2010 na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Em sua conclusão, o estudo afirma que os rejeitos presentes na estrutura constituem materiais que tendem a exibir “susceptibilidade potencial a mecanismos de liquefação”.

A dissertação também conclui que “em função de alguns procedimentos operacionais inadequados realizados nesta barragem”, diretrizes eram “recomendadas para aumentar a segurança”.

Na liquefação, um material que é rígido passa a se comportar como fluido. Ela ocorre quando o fluxo de água presente nesse material (o rejeito ou o próprio dique da barragem, no caso) exerce uma força que anula o peso e a aderência de suas partículas, fazendo com que elas fiquem soltas.

É um processo que existe naturalmente no meio ambiente nas areias movediças, por exemplo. Em barragens de rejeitos, pode ser provocado por excesso de chuvas, excesso de carga, abalos sísmicos ou comprometimento no sistema de drenagem.

Liquefação: processo foi apontado como uma das possíveis causas para rompimento de barragens de Mariana e Brumadinho — Foto: Alexandre Mauro e Karina Almeida/Arte G1
Liquefação: processo foi apontado como uma das possíveis causas para rompimento de barragens de Mariana e Brumadinho — Foto: Alexandre Mauro e Karina Almeida/Arte G1

O fenômeno foi apontado como uma das possíveis causas para o colapso da estrutura da barragem de Fundão, em Mariana, que matou 19 pessoas.

Não há confirmação de que o mesmo tenha acontecido em Brumadinho, as polícias Federal e Civil apuram o que motivou o rompimento. Porém, a liquefação também foi relacionada a essa tragédia por um funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais.

A força-tarefa que investiga o desastre da Vale afirmou nesta terça-feira (5) que os equipamentos de segurança indicavam sinais de alteração no volume de água no corpo da barragem.

Quem é o autor do estudo?

O mestrado de Washington Pirete da Silva, funcionário da Vale por 22 anos, foi orientado pelo professor Romero César Gomes.

Já no início do estudo, o autor alerta que a liquefação tem sido pesquisada “devido aos vários eventos catastróficos que ocorreram no mundo, resultando na perda de vidas humanas, enormes prejuízos econômicos e impactos ambientais irrecuperáveis”.

Segundo a pesquisa, a barragem, que iniciou a operação em 1976, foi construída em várias etapas e por diversos projetistas e empreiteiros. Houve sucessivos alteamentos para montante, ou seja, várias construções de degraus com os próprios rejeitos.

Até 2005, disposição não tinha norma

Silva afirma que de 1976 a 2005, a operação de rejeito nas barragens ocorria sem uma diretriz. A partir de 2006, segundo o estudo, houve “uma mudança no método de disposição dos rejeitos e um entendimento melhor quanto à importância desta operação”.

Nesta época, passaram a ser usadas barras de spray para estabelecer uma formação de camada de rejeito mais uniforme e homogênea possível ao longo da barragem.

Entre os pontos indicados no estudo, estavam usar a barragem alteada para montante prioritariamente para contenção de rejeito e não de rejeito e água e implantar estrutura hidráulica que permitisse controlar nível de água do reservatório.

Segundo o autor, no estudo, não houve necessidade de proceder à avaliação de potenciais riscos da barragem a eventos do tipo de fluxos por ruptura por liquefação.

Por meio de nota, a Vale disse que a dissertação concluiu que a Barragem I atendia aos níveis de segurança propostos pela metodologia aplicada. “Como registra o próprio estudo, ‘a Barragem I apresenta boas condições de segurança em relação ao potencial ou à suscetibilidade a eventos de fluxo por liquefação'”, afirmou a mineradora.

Laudo aponta canos de drenagem entupidos pela vegetação — Foto: Reprodução/Tüv Süd
Laudo aponta canos de drenagem entupidos pela vegetação — Foto: Reprodução/Tüv Süd

Laudo aponta problemas no sistema de drenagem

Um laudo de vistoria feito em 2018 sobre a barragem I da Mina do Córrego do Feijão detectou problemas no sistema de drenagem da estrutura.

O laudo foi feito pela empresa alemã Tüv Süd, a pedido da Vale, e conclui pela estabilidade da estrutura. Mas registra que, em determinada área da barragem que estava parcialmente saturada de água, havia um dreno seco. Outros continham trincas de onde vertia água.

Além disso, o documento recomendou a instalação de novos piezômetros, equipamentos que medem a pressão e o nível da água no solo, e de um mecanismo de registro sismológico no entorno da barragem.

Por fim, o estudo recomenda que, para aumentar a segurança da barragem e evitar a liquefação – uma das possíveis causas da tragédia –, a Vale deveria tomar atitudes que diminuíssem a probabilidade de gatilhos, como proibir detonações nas redondezas, evitar o tráfego de equipamentos pesados e impedir a elevação do nível da água na estrutura.

A Vale afirmou que todas as recomendações foram atendidas ainda no ano de 2018. “Cabe reforçar que se tratavam de recomendações rotineiras em laudos deste gênero”. A mineradora não diz na nota se comprovou à Justiça que as recomendações foram cumpridas.
FONTE: G1

Prefeito de Brumadinho se desespera com os impactos na economia

“Precisamos de ajuda da Vale, do Estado e da União para que a cidade se mantenha em pé”, cobra o prefeito Avimar de Melo

 

O rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, operada pela Vale, deixa também um rastro de calamidade econômica em Brumadinho. Dos cerca de R$ 36 milhões que o município recebe anualmente referentes aos royalties da mineração (Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais, Cfem) R$ 21,41 milhões (60%) vêm da mina, cujas operações foram suspensas pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas na sexta-feira –sem previsão de retomada.

“A situação é de desespero porque o impacto será enorme. Brumadinho é uma cidade mineradora, dependemos da Cfem”, lamenta o prefeito, Avimar de Melo (PV). Segundo ele, a Cfem é o principal recurso da cidade. Restante é receita de impostos como ISS e ICMS, além de repasses da União e do Estado.

O reflexo vai ainda mais longe. Mais de 800 pessoas trabalhavam na mina, a maioria morador de Brumadinho. Como o município tem 39.520 habitantes, sendo 8.783 ocupados, é possível dizer que 10% dos trabalhadores da cidade são empregados diretos da mineradora. Há, ainda, os indiretos e aqueles que eram empregados de prestadores de serviços para a mineradora.

“Por ano, o município recebe R$ 36 milhões em decorrência da exploração de minério; temor é o corte do repasse”

Sem a circulação do dinheiro, o prefeito já espera efeito em cascata, com forte queda do comércio. “Não sabemos como oferecer saúde e educação de qualidade agora. Estamos sem chão. Precisamos de ajuda da Vale, do Estado e da União para que a cidade se mantenha em pé”.

Após 2015, Mariana, na região Central do Estado, passou por problema semelhante. Na época, a barragem de Fundão, operada pela Samarco, controlada pela Vale, se rompeu, encerrando o repasse do Cfem da empresa ao município. “Brumadinho pode esperar avalanche de problemas financeiros. Além de ficarem sem a Cfem, o dinheiro dos trabalhadores vai minar, o comércio vai sentir muito e o ICMS vai despencar”, prevê o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), relembrando o impacto do efeito cascata.

A título de comparação, ele ressalta que, em Mariana, o ICMS caiu de R$ 11,8 milhões em 2015 para R$ 4,5 milhões em 2018 (-61,86%). E a Cfem foi de R$ 140 milhões para R$ 60 milhões (-57,14%).

O turismo também foi duramente afetado. Inhotim, maior museu a céu aberto do mundo, segue fechado até quinta-feira, a princípio. “Brumadinho tem duas vertentes econômicas: a mineração e o turismo, puxado por Inhotim. E as duas temporariamente suspensas. Brumadinho vai precisar de recursos externos”, crê o coordenador do curso de economia do Ibmec, Márcio Salvato.

A Vale não se manifestou sobre o assunto.

 

FONTE: Hoje em Dia

Barragem de rejeitos de minério da Vale se rompe em Brumadinho

Helicóptero e viaturas do Corpo de Bombeiros estão no local para resgatar vítimas. Centro de Brumadinho é esvaziado e cidades vizinhas entram em alerta

A barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana, rompeu-se no fim da manhã desta sexta-feira (25). A barragem pertence à Vale. Prefeituras de cidades próximas ao Rio Paraopeba alertam os moradores que se mantenham longe do curso d’água. 
O número de vítimas ainda não foi informado. O Corpo de Bombeiros e o governo de Minas Gerais enviaram viaturas e helicópteros para o socorro no município. Em vídeos feitos no local, funcionários da mineradora falam até em um restaurante atingido pela lama.

Em nota, a Vale confirmou o rompimento da barragem. Há indicações de que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Os assessores informam que ainda não há confirmação sobre feridos no local. A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens. “A prioridade total da Vale, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade”, acrescentam.

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Barragem de rejeitos de mineração se rompeu em Brumadinho, na Grande BHCorpo de Bombeiros/Divulgação
Barragem de rejeitos de mineração se rompeu em Brumadinho, na Grande BH(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )

Uma jovem moradora de Nova Lima, e 17 anos, informou que o pai dela “escapou de morrer” no rompimento da barragem em Brumadinho. “Agora estamos tranquilos porque meu pai entrou em contato com a minha mãe e disse que está tudo bem”, informou a adolescente. “Ela informou que o pai trabalha há muitos anos na mina como técnico, mas ela não soube dar mais detalhes sobre vítimas.

 

Laura Peconick@LauraPeconick

Tenho dois primos que moram em Brumadinho, falaram que foi pior que em Mariana e que muita gente morreu

 

Moradora do Bairro Araguaia, na Região do Barreiro, Marta Amorim tem familiares na região atingida e está a caminho para ajudá-los. ” Minhas irmãs já saíram de casa, pegaram as roupas e os documentos só e saíram. Agora que eu estou indo pra lá,mas dizem que não estão deixando ninguém entrar na cidade não. Mas agora que eu estou indo, vou passar por uma outra estrada de terra, aí que vou chegar lá, mas minhas irmãs já estão na roça, graças a Deus”, disse.

A manicure Carla Silva moradora no Bairro Pompéu, próximo ao rio, em São Joaquim de Bicas, disse que foi avisada e que há grande movimentação nas ruas dos bairros próximos. A população está saindo às pressas temendo que a tragédia atinja suas comunidades.

Prefeituras da Grande BH alertam moradores

Por volta de 13h30, a Prefeitura de Brumadinho alertou em redes sociais para a população da cidade manter distância do lei do Rio Paraopeba.

 

Vídeo incorporado

 

A Prefeitura de Juatuba, cidade vizinha de Brumadinho, também emitiu um alerta na tarde desta sexta-feira. A administração direcionou o aviso aos moradores do Bairro Francelinos, que beira o Rio Paraopeba. A Defesa Civil de Juatuba e o Conselho Municipal De Desenvolvimento Ambiental (Codema) estão no local solicitando a retirada e máxima atenção da população, pois ainda não se sabe a gravidade do desastre.

 

Fernando Dibb@dibbissimo

Estava em Inhotim e recebi a notícia. O parque foi evacuado. Um dos acessos a Brumadinho foi atingido. A área urbana (centro) é distante do local da barragem.

 

O prefeito de Betim, Vittorio Medioli, divulgou um vídeo em sua página no Facebook pedindo que moradores dos bairros Citrolândia e Colônia Santa Isabel fiquem atentos diante do risco de inundação. “A Defesa Civil, Bombeiro, tudo, estão de alerta e chegarão às regiões da Colônia e Citrolândia. Mas prestem atenção para poder evacuar as casas caso a coisa fique muito séria”, disse o prefeito.

A Defesa Civil de Betim está monitorando as consequências do desastre e retirando as pessoas que moram às margens do Rio Paraopeba, na Colônia Santa Isabel. Um evento que ocorria durante esta semana na Colônia foi cancelado nesta sexta-feira após conhecimento da tragédia da barragem de Brumadinho.

Em São Joaquim de Bicas, a população ribeirinha ao Rio Paraopeba foi orientada para sair a área. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, a cidade ainda não foi atingida, mas a medida foi tomada por medida de segurança. A Defesa Civil e a Polícia Rodoviária Federal foram avisadas (o Rio Paraopeba atravessa a BR-381 na altura do município) e o secretariado encontra-se em reunião permanente para “medidas que forem necessárias”.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) enviou na tarde desta sexta-feira a Brumadinho uma equipe com quatro pessoas, que vão fazer levantamento sobre o licenciamento ambiental e tomar outras providências após o rompimento da Barragem Córrego dos Feijões, da mineradora Vale. A equipe inclui dos técnicos do Núcleo de Emergências Ambientais e mais duas da Fundação Estação do Meio Ambiente.

DEFESA CIVIL Há informações de que o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS) colocou a Defesa Civil da capital à total disposição do posto de comando que deve ser montado na região de Brumadinho. O órgão informou que pode colocar até 70 agentes disponíveis no local. O secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, o coronel Alexandre Lucas, que já coordenou o órgão em BH, também está se deslocando de Maceió (AL) para Brumadinho.

Por meio de nota, a Defesa Civil Nacional confirmou a vinda do coronel Alexandre Lucas e também do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto. Eles devem chegar hoje à noite a Belo Horizonte para acompanhar e apoiar o trabalho das defesas civis locais.
“A mobilização e o apoio do Governo Federal iniciaram logo após o rompimento da estrutura. O ministro conversou por telefone com o presidente da República, Jair Bolsonaro, que reforçou a importância de disponibilizar todo o apoio necessário ao estado e município”, informou o órgão. “Equipes do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres  (Cenad) estão em frequente contato com representantes da prefeitura e governo do estado para orientar nas primeiras ações de resgate às possíveis vítimas e demais necessidades emergenciais”, pontuou.

A Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais informou que já está atuando em Brumadinho para assistência jurídica aos moradores, e “funcionará em regime de plantão durante o final de semana, por meio do telefone (31) 99619-9756”.

 

Lëīä@leia_nha

A ponte de Brumadinho esta bloqueada,falaram q não houve MUITAS vítimas,to chegando em Brumadinho so agr.
N achei q isso um dia aconteceria com Brumadinho

 

 

Raianny@Raianny

Acabamos de receber um áudio terrível do meu tio contando que ouve rompimento de uma barragem em Brumadinho agora a pouco. Varios amigos dele estão mortos. Era pra ele estar entre eles, mas no começo do ano ele ficou arrasado com a notícia de que seria transferido de novo pra…

 

Mina seria ampliada

A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informa que a Vale pretendia ampliar a mina do Córrego do Feijão por meio do licenciamento de unidade de tratamento de minério a seco. Esta mina e a de Jangada são contíguas e estão localizadas a cerca de 7 quilômetros do Parque Estadual da Serra do Rola Moça. Ambas pertencem à mineradora.

Veja mais detalhes sobre o licenciamento e as intervenções que estavam previstas para os locais:

“A respeito dos processos de licenciamento das minas de Jangada e Córrego do Feijão, a Semad informa que o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou, em 11 de dezembro, as licenças de operação dos dois empreendimentos, com oito votos favoráveis; um voto contrário (Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas – Fonasc); duas abstenções (Ibama e Cefet) e uma ausência (DNPM).
 
Os dois processos, pautados na ocasião na reunião da Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Copam, não tratam de licenciamento de barragens, mas sim de uma mudança no sistema de disposição de rejeitos, alterando de um modo considerado como de maior risco (barragem) para um modo de maior controle operacional, por meio de empilhamento e disposição em cava de mineração confinada (sem barragem). O empreendedor pretende, nesta licença, reaproveitar o rejeito disposto em barragem, reduzindo este volume e, paulatinamente, reduzindo também a altura da barragem.
 

No caso da Mina da Jangada trata-se de ampliação de cava; pilhas de rejeito/estéril e estradas para transporte de minério/estéril, externa ao limite do empreendimento. Sobre a mina do Córrego do Feijão, trata-se de expansão das atividades, por meio do licenciamento de unidade de tratamento de minério a seco; pilhas de rejeito/estéril; disposição de rejeito em cava, sem necessidade de construção de barramento; reaproveitamento de bens minerais dispostos em barragem; e instalação de mineroduto/rejeitoduto.” Tragédia como essas não são novidade em Minas Gerais, infelizmente. Há três anos, o rompimento da Barragem de Fundão, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, na Região Central, deixou 19 mortos.

 

HISTÓRICO

A maior tragédia socioambiental da história do Brasil tem 22 pessoas e mais quatro empresas – Samarco Mineração S.A, BHP Billinton Brasil, a Vale e a VOGBR Recursos Hídricos e Geotecnia – denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Ninguém foi punido até hoje. Dos acusados, 21 foram enquadrados no crime de homicídio qualificado doloso, ou seja, quando se assume o risco de matar, pela perda de 19 vidas.

Os riscos não controlados provocaram grandes tragédias no estado: em São Sebastião das Águas Claras (Macacos), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 2001; em Cataguases, em 2003 e Miraí, em 2007, ambas na Zona da Mata; e Itabirito, na Região Central, em 2014. Os acidentes causaram não só a degradação ambiental nas áreas, como deixaram mortos, feridos, centenas de famílias desabrigadas e muita dor e sofrimento nas comunidades.

FONTE: Estado de Minashttps://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/01/25/interna_gerais,1024468/barragem-de-rejeitos-da-vale-se-rompe-em-brumadinho.shtml

Relatório alerta que há 45 barragens sob ameaça de desabamento

Relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que aumentou de 25 barragens, em 2016, para 45 em 2017 o número de áreas com risco de desabamento no país. A maioria está localizada no Norte e Nordeste, em estados como Acre, Alagoas e Bahia. De acordo com os técnicos, há problemas de baixo nível de conservação, insuficiência do vertedor e falta de documentos que comprovem a estabilidade da barragem.

As informações constam do Relatório de Segurança de Barragens – 2017 (RBS), de 84 páginas, coordenado anualmente pela ANA, divulgado hoje (19). No período coberto pelo relatório foram identificados 14 episódios de acidentes e incidentes, sem vítimas fatais.

Das 45 barragens, 25 pertencem a órgãos e entidades públicas, segundo a agência. No país há um cadastro que reúne 24.092 barragens para diferentes finalidades, como acúmulo de água, de rejeitos de minérios ou industriais e para geração de energia.

Porém, os técnicos calculam que o número de represamento artificiais espelhados pelo país seja pelo menos três vezes maior. De acordo com a ANA, a quantidade exata só será conhecida quando os órgãos e entidades fiscalizadoras cadastrarem todas as barragens sob sua jurisdição.

Das 24.092 barragens registradas, 3.545 foram classificadas pelos agentes fiscalizadores segundo a Categoria de Risco (CRI) e 5.459 quanto ao Dano Potencial Associado (DPA). Das barragens cadastradas, 723, o equivalente a 13%, foram classificadas simultaneamente como de CRI e DPA altos.

O Brasil possui 43 potenciais agentes fiscalizadores, dos quais quatro são federais e 39, estaduais. No ano passado, 31 órgãos atuavam efetivamente como fiscalizadores por terem instaladas sob sua jurisdição empreendimentos com as características especificadas pela PNSB.

Investimentos

A ANA informou que foram aplicados R$ 34 milhões, no ano passado, para serviços de operação, manutenção e recuperação de barragens. Em 2016, foram investidos R$ 12 milhões.

Elaborado anualmente, sob a coordenação da ANA, o relatório se baseia em informações enviadas pelas entidades ou órgãos fiscalizadores de segurança de barragens no Brasil. O documento é remetido pela agência ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), que o remete ao Congresso Nacional.

Tragédia Mariana

A tragédia de Mariana, em Minas Gerais, completou três anos na última segunda-feira (5). Na ocasião, uma barragem da mineradora Samarco se rompeu liberando rejeitos de mineração no ambiente. No episódio, 19 pessoas morreram e comunidades foram destruídas, como o distrito de Bento Rodrigues. Houve também poluição da bacia do Rio Doce e devastação de vegetação. Desde novembro de 2016, tramita na Justiça Federal de Ponte Nova (MG) uma ação criminal sobre a tragédia, que se tornou o maior desastre ambiental já registrado no país.

Mesmo após o reassentamento nos distritos reconstruídos, previsto para começar em 2020, os atingidos manterão a propriedade dos antigos terrenos, mas o que será feito do local onde um dia eles moraram ainda será debatido com a prefeitura e com o Conselho do Patrimônio de Mariana (Compat). As comunidades devastadas de Bento Rodrigues e Paracatu, atualmente, estão interditadas pela Defesa Civil. O acesso só é permitido com autorização. Os atingidos têm passe livre.

 

FONTE: AGÊNCIA BRASIL/ EBC

Renova condiciona pagamento a cidades atingidas por tragédia da Samarco a retirada de ações na justiça

Vista aérea do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, após o rompimento de barragens de rejeitos da mineradora Samarco — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Vista aérea do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, após o rompimento de barragens de rejeitos da mineradora Samarco — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A Fundação Renova, gerida por Samarco, Vale e BHP Billiton, apresentou uma proposta para pagamento de recursos extraordinários a cidades atingidas pelo desastre da Barragem de Fundão condicionando o repasse à retirada de ações na justiça no Brasil e no exterior. A Renova exige ainda das cidades que abram mão de quaisquer outras cobranças referentes aos prejuízos causados pelo rompimento.

Para o prefeito de Rio Doce, na Região da Zona da Mata, Silvério Aparecido, a proposta é uma “afronta” aos municípios. “O que a renova e a BHP estão propondo é uma afronta ao direito dos municípios. Se Rio Doce assinar o termo, por exemplo, nós abrimos mão dos prejuízos na usina de Candonga, quanto questões de royalties e ICMS”, afirmou Aparecido.

O montante da proposta é de cerca de R$ 53 milhões referentes ao pagamento de recursos extraordinários, ou gastos que 39 cidades afetadas tiveram nos quatro primeiros meses após a tragédia, ocorrida em 5 de novembro de 2015. Conforme o documento, são R$ 41 milhões para 35 cidades de Minas e R$ 12 milhões para 4 municípios do Espírito Santo.

A fundação afirmou que cerca de 90% de todas as despesas do governo federal e dos estados já foram reembolsadas e espera pagar o restante até o fim do ano. Com relação aos municípios, a Renova afirmou esperar que eles assinem o termo de quitação e que o pagamento seja feito em até 30 dias.

No caso de Rio Doce, o valor a ser ressarcido é de R$ 2,5 milhões. Conforme o administrador da cidade, os prefeitos devem se organizar para questionar as cláusulas propostas pela Renova.

Três anos

O rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, completou três anos no último dia 5 de novembro. Dezenove pessoas morreram, distritos foram destruídos e varias cidades ao longo do leito do Rio Doce foram afetadas em Minas e no Espírito Santo.

FONTE: G1

Testemunhas são ouvidas em processo criminal do desastre de Mariana, diz MPF

Ação tem como rés 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR por causa do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.

 

Vista aérea do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, após o rompimento de barragens de rejeitos da mineradora Samarco — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

 

Testemunhas de acusação são ouvidas nesta quarta-feira (12) na Vara da Justiça Federal em Ponte Nova, na Região da Zona da Mata de Minas Gerais, no processo criminal que tornou rés 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR por causa do desastre com a barragem de Fundão, em Mariana, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF).

O desastre ocorrido em 5 de novembro de 2015 matou 19 pessoas. A barragem de Fundão abrigava cerca de 56,6 milhões de m³de lama de rejeito. Desse total, 43,7 milhões m³ vazaram. Os rejeitos atingiram os afluentes e o próprio Rio Doce, destruíram distritos e deixaram milhares de moradores da região sem água e sem trabalho.

Vinte e duas pessoas foram arroladas pelo MPF. Nesta quarta-feira, a previsão é de quatro depoimentos. As oitivas devem se estender até o dia 26 deste mês.

Conforme o MPF, os primeiros a falar são uma engenheira terceirizada da Samarco, que teve conhecimento de trincas na barragem; um funcionário terceirizado da Samarco que estava na barragem na hora do rompimento; um servidor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que constatou dutos da Vale que faziam deposição de lama na barragem; e um membro do órgão externo de consultoria da Samarco, que tratava da segurança da barragem.

FONTE: G1