quinta-feira , junho 4 2020
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Jorge Viana ressalta participação de comissão mista em encontro internacional do clima

Roque de Sá/Agência Senado

 

O senador Jorge Viana (PT-AC) destacou nesta quarta-feira (19) a participação da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas na COP-24, realizada em Katowice, na Polônia, de 2 a 14 de dezembro. O encontro teve a missão de concretizar as negociações para definir as regras de implementação do Acordo de Paris, que prevê a redução das emissões dos gases do efeito estufa.

A participação no encontro foi uma das principais ações da comissão mista em 2018, destacou Jorge Viana durante a apresentação do relatório anual de atividades do colegiado, lido nesta quarta-feira (19).

As atividades da comissão, da qual Jorge Viana é relator, centraram-se nos principais compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris para enfrentamento dos cenários previstos de alterações climáticas, com foco no desenvolvimento de economia de baixo carbono. O Brasil assumiu meta de reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, de forma escalonada, diminuindo-as em aproximadamente 37% até 2025, com base nas emissões de 2005.

Em 2018, a comissão mista realizou sete audiências públicas para discutir a implementação das regras do Acordo de Paris e a participação brasileira na COP-24. Por meio dos debates, o colegiado buscou viabilizar a candidatura brasileira para sediar a COP-25, em 2019, da qual o Brasil formalmente desistiu perante o Secretariado da Convenção-Quadro, no final de novembro, atendendo ao pedido da equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

A comissão mista, explicou Jorge Viana, solicitou a revisão dessa decisão, assim como o fez a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), já que a candidatura seria submetida à votação durante a COP-24, com o propósito de firmar a posição de liderança do Brasil nas negociações e ações climáticas.

Acordo de Paris

A comissão debateu ainda o Programa RenovaBio, cujos objetivos incluem contribuir para o cumprimento das metas do Acordo de Paris por meio da expansão dos biocombustíveis na matriz energética, com ênfase na regularidade e na previsibilidade do abastecimento desses combustíveis. Para que se atinja a meta brasileira, o Brasil prevê o aumento da participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030, aumentando a parcela de biocombustíveis avançados (segunda geração) e o uso de biodiesel.

Também foram realizados debates sobre o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e no Cerrado, sua situação atual e propostas para o atingimento das metas brasileiras para a redução da emissão de carbono. De 2004 a 2014, o Brasil diminuiu o ritmo de desmatamento em torno de 83%, sobretudo por meio de diversos programas de comando e controle e pela criação de unidades de conservação e demarcação de terras indígenas, inclusive com apoio internacional, destacando-se o da Noruega por meio do Fundo Amazônia. A atuação da comissão mista, disse Jorge Viana, tem sido no sentido de manutenção de políticas de controle e de fomento a atividades econômicas que não pressionem por mais desmatamento.

 

FONTE: Agência Senado

 

COP 24 decide nesta sexta (14) se dá um passo adiante na luta contra a mudança climática

No último dia da reunião na Polônia, países tentam definir o “livro de regras” do Acordo de Paris, firmado em 2015.

 

Adolescentes poloneses fazem um protesto na conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) em Katowice, Polônia. São os últimos dias de negociações para instar líderes de quase 200 países a chegarem a um acordo sobre formas de manter o aquecimento global sob controle. — Foto: AP Photo / Czarek Sokolowski

 

Os países que se reúnem no último dia da Conferência do Clima da ONU, a COP24, tentarão nesta sexta-feira (14) adotar as regras para aplicar o Acordo de Paris, que pretende definir como o mundo irá manter o aquecimento global abaixo de 2ºC até o fim do século.

Reunidos na cidade polonesa de Katowice, representantes de quase 200 países chegam ao final de duas semanas de árduas negociações. As conversas foram marcadas pela urgência de atuar de acordo com os mais recentes relatórios científicos — mas também pela rejeição, principalmente por parte dos Estados Unidos, de considerar a ameaça real.

Veja onde fica Katowice, na Polônia, que irá sediar a COP 24 — Foto: Claudia Peixoto/Arte G1
Veja onde fica Katowice, na Polônia, que irá sediar a COP 24 — Foto: Claudia Peixoto/Arte G1

A incógnita sobre a futura política climática do Brasil sob a presidência de Jair Bolsonaro e os protestos dos “coletes amarelos” na França contra uma taxa ecológica também pesaram no desenrolar da 24ª Conferência da ONU sobre o Clima, três anos depois das celebrações em Paris com o anúncio de um acordo histórico.

Com o aumento da temperatura de 1 grau centígrado em comparação à era pré-industrial e o avanço de 2,7% das emissões de gases do efeito estufa em 2018, os países mais vulneráveis tentaram buscar o consenso.

“Em alguns pontos, as negociações estão paralisadas”, afirmou na quinta-feira (13) o representante chinês Xie Zhenhua.

Depois que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) advertiu em outubro que o mundo não pode permitir um aumento da temperatura superior a 1,5 ºC, pois isso colocaria em risco o futuro da humanidade, os Estados Unidos — que participam nas negociações apesar da retirada do Acordo de Paris decidida por Donald Trump —, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait se recusaram a apoiar o relatório.

Os quatro países defendem apenas “tomar nota” do estudo, enquanto União Europeia, os países em desenvolvimento e os Estados insulares querem uma “recepção favorável”.

O detalhe é significativo porque toda a ação climática internacional deve ser baseada nos resultados científicos.

Durante a semana, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que não é possível ignorar o documento e pediu a ação dos países. “Seria suicida não fazê-lo”, disse.

A polêmica ofuscou as duas questões cruciais abordadas na abertura da COP24: a elaboração das regras para aplicar o Acordo de Paris e a futura revisão dos compromissos nacionais de redução das emissões.

Brasil continua um dos principais articuladores

Para o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, Alfredo Helio Syrkis, o Brasil continua sendo um dos principais articuladores das ações climáticas. A afirmação foi feita à Radio France Internationale.

“Foi na Rio 92 onde tudo começou. O Brasil foi importantíssimo no protocolo de Kyoto, na reunião de Copenhague e também teve um papel muito importante na articulação do Acordo de Paris, que foi a primeira vez que 196 governos combinaram de fazer um esforço para que juntos pudessem combater o processo de aquecimento global”, declarou o secretário.

Duarte destacou que o Brasil conseguiu reduzir as emissões de carbono em 6 bilhões de toneladas entre 2006 e 2015, período que registrou queda significativa do desmatamento da Amazônia. Nos últimos três anos, as reduções chegaram a 3,9 bilhões de toneladas, observou.

Segundo a RFI, o ministro defendeu a permanência do Brasil no Acordo de Paris, em meio às sinalizações do próximo governo de retirar o país do acordo climático firmado, em 2015, por 196 países. O receio é que o governo brasileiro siga a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, que abandonou o acordo em junho do ano passado.

No fim do mês passado, o Itamaraty anunciou que o país não sediaria mais a Conferência do Clima de 2019.

Terras indígenas também sob ameaça

Depois de o presidente eleito, Jair Bolsonaro, sinalizar que pode também flexibilizar as regras para a exploração de terras em reservas indígenas, ambientalistas ficaram preocupados com um possível aumento do desmatamento nas florestas brasileiras.

Presente na COP 24, a responsável pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, defendeu o Acordo de Paris e a demarcação das reservas como uma maneira de implementar ações locais contra o desmatamento.

Segundo a líder indígena, “as terras demarcadas são as mais preservadas e embora não haja uma política efetiva de proteção [das florestas], o próprio modo de vida dos povos indígenas garante a preservação”, declarou.

FONte: G1

Nos debates finais da COP24, a urgência de se levar a sério o que diz a ciência sobre o clima

AP Photo/Alik Keplicz

Teve até “risadaço” na Conferência do Clima (COP24) que está para ser encerrada, talvez entrando madrugada adentro desta sexta-feira (14), na Polônia. Manifestantes invadiram uma sala onde norte-americanos estavam querendo vender a ideia de “carvão limpo” e começaram a rir alto, o que aconteceu durante uns dez minutos. O evento foi inédito… nunca antes na história de uma cúpula do clima convocada pelas Nações Unidas houve risadaço da plateia. E foi um dos eventos mais concorridos da COP, segundo a reportagem do Observatório do Clima (OC). Mais um capítulo da série… seria cômico, se não fosse tão sério.

Para ter mais notícias de bastidores da Conferência, conversei pelo telefone, hoje de manhã, com o biólogo e ambientalista Carlos Rittl, secretário-executivo do OC, que está em Katowice, onde acontece a COP. Ele vem atuando desde o início da reunião, que começou no dia 3 de dezembro, como um dos observadores multilaterais.

Rittl acha pouco provável que a reunião termine nesta sexta, como era de se esperar, porque o rascunho que vai virar texto oficial só foi terminado às três da manhã. E conversou comigo justamente no momento em que os negociadores, já cansados depois de 14 dias se debruçando sobre o tema, e sob um frio intenso, voltavam às salas para consolidar o texto final, definitivo, que será divulgado ao mundo.

Segue a entrevista:

Tem alguma expectativa de que os líderes das nações cheguem ainda à Polônia? Trump é esperado?

Carlos Rittl: De jeito nenhum. Trump não dá a mínima para o que está acontecendo aqui, embora os negociadores norte-americanos não estejam fazendo nada para embarreirar as negociações: eles, simplesmentes, não estão dando muita importância. Agora, no final, talvez o presidente da Polônia, Andrzej Duda, possa vir, além de um ou outro chefe de estado. Mas, desde a COP15, que aconteceu em Copenhague em 2009, aprendeu-se que não dá certo este negócio de esperar que chefes de estado resolvam um texto de 200 páginas num dia. O próprio ex-presidente Lula falou isso lá em Copenhague. Assim, os ministros são o segmento de mais alto nível aqui, e vêm com o mandato de seus governos para fechar qualquer decisão.

Quais são as expectativas no fim desta Conferência?

Carlos Rittl: O fato de termos o rascunho de um texto é importante porque, no período das negociações, corremos o risco de ter decisões separadas, o que poderia fazer com que perdêssemos a coerência. Estávamos esperando até que o rascunho saísse mais cedo. Isto não significa que está tudo resolvido, porque ainda tem, por exemplo, questões a serem resolvidas com relação à própria referência ao relatório do IPCC.

Carlos Rittl: Ainda está sendo discutido se o relatório feito pelos cientistas do IPCC a pedido da própria Conferência vai entrar como um norteador do texto ou se será apenas mencionado como uma contribuição bem vinda. Os cientistas avisam que é preciso fazer mudanças profundas para manter o aquecimento a 1,5ºC.

O Diálogo Talanoa também está sendo muito mencionado. Você pode explicar melhor o que é isso?

Carlos Rittl: É um esforço, iniciado na Conferência do ano passado, com o engajamento de diferentes atores da sociedade para discutir níveis de ambição dos países com relação às metas de reduções de emissões, diferentes daquelas propostas. No Brasil, por exemplo, tivemos seis rodas de conversas, onde são postas experiências, soluções locais, como a Rede de Sementes do Xingu, a recuperação da floresta da Bacia do Xingu, o trabalho das mulheres, das comunidades locais, feitos para assegurar a restauração da floresta.

Estou entendendo que é uma forma de a sociedade civil se engajar, independentemente da atuação governamental, é isso?

Carlos Rittl: Sim. Uma parte independe do governo, mas tem também desenvolvimentos tecnológicos onde até os governos se engajam — teve o rodízio de carros em São Paulo, que começou na época em que o Fabio Feldman era secretário. Todas essas histórias chegaram aqui à Polônia e estão sendo debatidas, estimulando os governos a fazerem mais. É este o Diálogo de Talanoa, uma espécie de processo de revisão de metas, de cinco em cinco anos, para que os países olhem para o que já foi feito. É um Diálogo que estimula, mas não obriga a definição de novas regras. Esperamos que o texto da COP24 faça uma referência a todas essas mensagens do Diálogo de Talanoa para que, nos próximos anos, haja um espaço para que os países discutam o aumento de suas ambições. Agora, se vai haver esta referência nós não temos segurança porque tem ainda muitos colchetes a serem definidos no rascunho do texto. São 140 páginas.

Carlos Rittl: Bem, isso não entra nas mesas de negociações, é claro. Mas foi o assunto mais comentado nos corredores, nos almoços, nos cafés, quer seja pelos diplomatas de outros países, quer seja por nós, brasileiros. Está todo mundo assustado. Não que signifique o fim do mundo, ou das negociações. Mas acontece que uma das poucas agendas onde o Brasil era protagonista internacional era, justamente, a de clima. E o que está sendo discutido aqui não é para salvar o planeta, porque isso a gente sabe que não é o caso. O planeta está se consertando, de forma mais natural possível, dos estragos que estamos fazendo nele.

Trata-se, muito mais, de uma agenda de negócios, econômica. O Brasil já tinha provado conseguir o crescimento econômico enquanto diminuía o desmatamento. Vai abrir mão disso por um desenvolvimento de séculos atrás, em que é preciso dominar o meio ambiente e tirá-lo do caminho das atividades econômicas? É muito estranho, preocupante. Mas recebemos mensagens muito solidárias.

O Acordo de Paris, mesmo com a saída de Trump e com a ameaça de saída do Brasil, está consolidado?

Carlos Rittl: Sim, claro. É um acordo de longo prazo, 186 países já o ratificaram. Muitos atores do setor privado estiveram aqui e mostraram quantas oportunidades o Acordo traz para a economia e para seus negócios. Várias empresas brasileiras, quanto reduziram de gases do efeito estufa ao implementarem tecnologia para se tornarem mais eficientes energeticamente. É uma agenda que não pode e nem vai depender de um ou dois chefes de estado.

O Livro de Regras que está sendo escrito é como uma Constituição, define os perigos do aquecimento e norteia para o que nos traz menos danos, é um respeito à ciência. O Brasil é um país que sofre com secas, tempestades, tornados, tem um enorme risco nas áreas costeiras, não dá para tratar este tema com irresponsabilidade.

Mas parece que este será o tom do próximo governo…

Carlos Rittl: Mas vale a pena citar o ministro da Ciência e Tecnologia escolhido, o Marcos Pontes. Ele disse, numa entrevista, que a ciência está dando uma importante contribuição para os brasileiros, e que ele levaria esta mensagem ao futuro presidente. Está na hora de Bolsonaro começar a ouvir quem, realmente, entende do assunto para saber que esta é uma agenda estratégica e urgente. Já passamos, há muito tempo, da fase de discutir se cigarro causa câncer.

FONTE: G1

Brasil atinge meta de redução de emissões de carbono na área florestal

Valter Campanato/Agência Brasil

 

O Brasil atingiu este ano a meta de redução em até 38% das emissões de carbono na área florestal. O país reduziu 1,28 bilhão de toneladas de dióxido de carbono entre agosto de 2017 e julho de 2018, o que representa uma redução de 60% no volume emitido por atividades florestais.

O dado, baseado em cálculos de absorção de carbono pelas florestas brasileiras, foi divulgado na manhã desta terça-feira (11) pela delegação brasileira durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), que está sendo realizada em Katowice, Polônia.

De acordo com o relatório, o setor florestal deixou de ser a maior fonte de emissão de carbono no país (já foi responsável por cerca de 75% do total de emissões anuais) e em 2018 absorveu 538 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera.

A redução das emissões florestais permitiu que o país alcançasse a meta estabelecida em 2009, durante a Cúpula do Clima de Copenhague. Na ocasião, o país se comprometeu a reduzir as emissões em torno de 36 a 38% até 2020.

Segundo o governo brasileiro, o resultado foi alcançado devido à redução do desmatamento na Amazônia, no Cerrado e à absorção de carbono por terras indígenas e áreas verdes preservadas em reservas legais ou propriedades privadas. O registro de mais de 5,4 propriedades rurais com áreas de conservação ambiental pelo Cadastro Rural também permitiu a identificação de áreas com capacidade de absorção de carbono.

Desmatamento Cerrado

O levantamento divulgado hoje também mostra que o desmatamento do Cerrado diminuiu 11% em 2018. Segundo o governo, este é o menor nível de área desmatada desde o início da série, em 1999. O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e se estende por mais de dois milhões de Km 2. Mais da metade de sua área já foi degradada, principalmente com o avanço da fronteira agrícola.

O Brasil também anunciou pela primeira vez que foram recuperadas 9,4 milhões de hectares de vegetação nativa da Amazônia de 2004 a 2014. O governo antecipa que a área recuperada permite ao país atingir a meta de recuperar 12 milhões de hectares da vegetação florestal até 2030. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a recuperação da vegetação nativa é prioridade da política ambiental brasileira.

O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, comemorou os resultados e declarou que os números confirmam a contribuição brasileira para redução dos gases efeito estufa no mundo. “O Brasil vem fazendo um papel importante. Isso deve servir de estímulo para fazer mais, ou seja, o que o Brasil fez é importante, mas o sentimento é de que precisamos fazer muito mais porque a situação é muito grave no mundo inteiro. A contribuição tem que ser de todos os países”, comentou Duarte à Agência Brasil.

O ministro participa hoje na COP 24 do chamado Diálogo de Talanoa, momento em que as nações apresentam diferentes experiências e iniciativas de descarbonização, entre outras reuniões e atividades multilaterais. Até o fim desta semana, a expectativa é que os 195 países que integram a convenção do clima finalizem um plano de ação para implementar o Acordo de Paris, firmado na conferência de 2015 com o objetivo de promover medidas para limitar o aquecimento global em até 2º C até o fim deste século.

 

FONTE: Agência Brasil / EBC

 

Eventos causados por mudanças climáticas causaram a morte de 11,5 mil pessoas em 2017

Um recado forte, inquestionável, baseado em números reais colhidos em instituições sérias, será dado hoje (4) em Katowice, na Polônia, aos representantes dos 194 países que estão debatendo sobre um novo paradigma civilizatório para enfrentar os riscos trazidos pelas mudanças climáticas na COP24. O recado há de alcançar também os céticos do clima, que parece terem se multiplicado depois que Donald Trump e outros líderes decidiram se contrapor à ciência e se negarem a aceitar as evidências. É o seguinte: ao todo, em 2017, 11.500 pessoas morreram por causa de eventos climáticos extremos. E os prejuízos ficaram em US$ 375 bilhões (calculado em paridade de poder e compra).

Os dados acima fazem parte de um relatório volumoso chamado Índice Global de Risco Climático, divulgado pela organização alemã Germanwatch com base no banco de dados NatCatSERVICE da empresa de resseguros Munich Re, bem como nos dados socioeconômicos do Fundo Monetário Internacional (FMI). É a 14ª edição do relatório e, na comparação com o estudo publicado ano passado, muita coisa piorou. O Brasil subiu dez posições no ranking dos mais impactados, passando para o 79º lugar. Portugal também subiu dez casas, agora está quase entre os dez que mais sofrem com tempestades, furacões, tufões, secas. E os Estados Unidos tiveram a maior mudança: passaram da 28ª para a 12ª posição.

Principal autor do estudo, David Eckstein falou durante a apresentação, lembrando que as tempestades foram muito mais fortes do que nunca e causaram impactos desastrosos:

“Em 2017, Porto Rico e Dominica foram atingidos por Maria, um dos furacões que mais causaram mortes e prejuízos já registrados. Porto Rico ocupa o primeiro do ranking dos países mais afetados por eventos climáticos em 2017, com a Dominica em terceiro lugar. Nepal, Peru e Vietnam também estão entre os primeiros, seguidos por Madagascar, Serra Leoa, Bangladesh e Tailândia”.

O estudo também foi feito considerando os últimos vinte anos. Neste caso, o número de mortos sobe para mais de 526 mil pessoas em 11.500 eventos extremos que causaram um impacto econômico de US$ 3,47 trilhões. Os maiores danos foram provocados por tempestades e suas implicações diretas – enchentes, deslizamentos de terra. E é clara, segundo os estudos científicos, a ligação entre mudanças do clima e furacões, tempestades e toda a tragédia que cerca tais fenômenos.

Estudos científicos recentes encontraram uma clara ligação entre mudanças do clima e furacões. E também sugerem que o número de tempestades tropicais severas vai aumentar com cada décimo a mais na temperatura do planeta. Se o aquecimento ficar entre 1,5 ou 2 graus (como prevê o Acordo de Paris), espera-se, verdadeiramente, que o número total de ciclones tropicais diminua.

Sendo assim, o melhor que se tem a fazer é preparar as cidades, o meio rural, para as tempestades de maneira a que elas causem menos danos às pessoas. O relatório sugere algumas práticas, como a construção de plantios flutuantes em Bangladesh e a plantação de árvores de mangue, que tem dado certo em Porto Rico. Em outubro deste ano foi criada a Comissão Global de Adaptação, com 17 países, sob a coordenação da líder da COP24 e CEO do Banco Mundial, Kristalina Georgieva, e de Ban Ki-moon, ex-secretário-geral da ONU. A ideia é lançar, em outubro de 2019, uma linha de ação.

Dos dez países mais afetados entre 1998 e 2017, oito são países emergentes, no grupo dos mais pobres. São eles: Honduras, Myanmar, Haiti, Filipinas, Nicarágua, Bangladesh, Paquistão, Vietnam e Dominica. Interessante observar que quando o ranking é feito entre 1997 e 2016, há uma mudança no primeiro lugar. É que a devastação feita pelo furacão Maria elevou Porto Rico ao primeiro colocado no ranking dos mais atingidos, enquanto Dominica fica em décimo lugar.

O relatório chama a atenção para o fato de que as perdas financeiras quando eventos extremos atingem os países ricos são maiores e há muito mais mortes quando atingem os países pobres. E, como se vê na reportagem do jornal britânico “The Guardian” escrita pela jornalista e ativista ambiental Naomi Klein, até hoje Porto Rico ainda tenta se reerguer da tragédia provocada pelo furacão em suas terras.

A jornalista mostra com clareza uma outra face, a política, dos desastres provocados pelas mudanças climáticas.

Será crucial – diz o Índice que aponta a vulnerabilidade de cada um dos 194 países das Nações Unidas – que o Livro de Regras da COP24 faça forte menção às perdas e danos provocados pelos eventos extremos. São riscos muito severos para, simplesmente, serem usados na hora da negociação. É preciso estar escrito e é preciso que os métodos de adaptação, como previsto no ODS 13 (Tomar Medidas Urgentes para Combater a Mudança Climática e seus impactos) sejam postos em prática.

FONTE: G1

Países precisam triplicar esforços para alcançar objetivo do Acordo de Paris até 2030

Para alcançar os objetivos do Acordo de Paris até 2030, os países do G20 devem triplicar seus esforços no controle das emissões de gases do efeito estufa, informa relatório da Organização das Nação Unidas (ONU) divulgado nesta terça-feira (27), uma semana antes da nova Conferência do Clima.

Ainda de acordo com o documento, apesar de os países não estarem no caminho para cumprir as promessas climáticas, ainda é possível alcançar a meta para limitar o aumento de temperatura a 2° C ou 1,5 ° C. Para isso, precisam implementar políticas adicionais para reduzir ainda mais suas emissões de gases de efeito estufa.

O Acordo de Paris foi assinado por 195 líderes mundiais em 2015 e prevê que países devem manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC.

Ainda segundo o relatório, sem mudanças, o aumento de temperatura pode chegar a 3° C até 2100.

Aumento nas emissões de gases

Em 2017, as emissões de CO2 aumentaram depois de três anos de estagnação. As emissões anuais totais de gases de efeito estufa (GEE), incluindo as mudanças no uso da terra, alcançaram um recorde de 53,5 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) em 2017, um aumento de 0,7 GtCO2e em comparação com 2016.

As emissões globais de GEE em 2030 precisam ser aproximadamente 25% e 55% mais baixas do que em 2017 para colocar o mundo em um caminho para limitar o aquecimento global.

Em 2018, as emissões globais de dióxido de carbono devem subir novamente, segundo a Agência Internacional de Energia e o Global Carbon Project, que divulgarão os dados oficialmente na próxima semana.

O que pode ser feito

O documento apresenta ainda dois tópicos que considera cruciais para uma política de emissão zero de gases do efeito estufa:

  • Políticas fiscais que permitam resultados sem impactos sociais e econômicos
  • Políticas de inovação e criação de mercados que usem tecnologias que permitam baixa emissão de gases

Segundo a ONU, a reforma da política fiscal pode desempenhar um papel fundamental na criação de fortes incentivos para investimentos de baixo carbono e na redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE).

“As receitas da precificação de carbono podem ser usadas para reduzir outros impostos, aumentar os gastos com questões sociais e / ou compensar as famílias de baixa renda. Pacotes de reforma fiscal bem concebidos podem reduzir os custos de mitigação de emissões, tornando assim essas reformas fiscais mais socialmente aceitáveis. O uso de precificação de carbono para reduzir as emissões de GEE ainda está emergindo em muitos países e geralmente não é aplicado em um nível suficiente para facilitar uma mudança real para sociedades de baixo carbono”, diz trecho do relatório.

Metas não-cumpridas pelos países

Atualmente, os países do G20 não estão no caminho para cumprir suas metas até 2030. Cerca de metade dos membros não alcançaram suas metas incondicionais (Argentina, Austrália, Canadá, União Europeia, República da Coréia, Arábia Saudita, África do Sul e Estados Unidos).

O Brasil, a China e o Japão estão a caminho de cumprir suas metas nacionais sob as políticas atuais, enquanto as emissões sob as políticas atuais de três países adicionais (Índia, Rússia e Turquia) são projetadas para ser mais de 10% abaixo de sua meta incondicional.

Os membros do G20 precisarão implementar políticas adicionais para reduzir ainda mais suas emissões anuais de gases de efeito estufa em cerca de 2,5 GtCO2e para alcançar suas metas nacionais e cerca de 3,5 GtCO2e para alcançar suas metas condicionais até 2030. Essas reduções adicionais necessárias diminuíram em aproximadamente 1 GtCO2e em 2017 devido a menores projeções de emissões sob as atuais políticas na China, na União Europeia e nos Estados Unidos.

O pico global de emissões de gases do efeito estufa (GEE) é determinado pelas emissões agregadas de todos os países. Embora tenha havido um progresso constante no número de países que atingiram o pico de suas emissões de GEE ou se comprometeram a fazê-lo no futuro, o número não é grande o suficiente para permitir que as emissões mundiais atinjam o pico no curto prazo. Apenas 49 países já o fizeram e representam apenas 36% de participação global de emissões.

ANÁLISE: A bomba-relógio que explode em 12 anos

Afetado pelas mudanças climáticas, o lago Poopó, na Bolívia, virou um deserto — Foto: Reuters/David Mercado

O crescimento sustentável é possível, mas temos apenas 12 anos para frear o aquecimento global. Este é o resumo de duas poderosas mensagens sobre o futuro de nosso planeta, emitidas nesta segunda-feira (8) pela ONU e pelo Prêmio Nobel. E o futuro é daqui a pouco, em 2030, prazo final para a implementação de mudanças sem precedentes na infraestrutura energética, de acordo com o alerta dramático do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Das duas, uma: ou os países tomam medidas concretas para limitar em 1,5º C o aumento da temperatura global, restringindo também as emissões de gases do efeito estufa, ou arcarão com o ônus de mais mortes e danos materiais. O início da temporada de furacões e o tsunami da Indonésia, que já contabilizou mais de duas mil vítimas, ilustram o teor da advertência do IPCC, que se baseia em seis mil publicações científicas. Um estudo recente aponta que os tsunamis podem se intensificar devido à mudança do clima e a consequente subida do nível do mar.

A meta de 1,5ºC é mais rigorosa do que a estipulada pelo Acordo de Paris, que prevê, no mesmo período, a limitação do aumento da temperatura em 2º C. Assim, segundo o painel, serão preservadas mais 10 milhões de vidas.

Ao mesmo tempo em que digerimos o relatório de 700 páginas, o Nobel de Economia é consagrado a dois cientistas americanos, William Nordhaus e Paul Romer. A dupla provou ser possível combinar crescimento com sustentabilidade e assegurar uma economia de mercado lado a lado com a preservação da natureza.

São dois recados que vão na contramão do governo Trump: em estado de negação e de obstrução das políticas climáticas de seu antecessor, o presidente americano retirou os EUA do Acordo de Paris — que o relatório do IPCC agora demonstrou ter metas obsoletas.

Frequentemente, o presidente desdenha os alertas sobre o aquecimento global e, com ironia, chegou a defendê-lo em dias frios do inverno passado. Atribui as mudanças climáticas a uma suposta fraude chinesa e minimiza a taxa de mortalidade decorrente de seus efeitos.

De acordo com o IPCC, nos próximos 12 anos, as emissões globais de CO2 precisam diminuir 45% em relação aos níveis de 2010. Mas Trump relaxa regras de regulação e caminha na direção dos interesses das empresas de combustíveis fósseis. Esta miopia avassaladora estreita ainda mais a curta janela de oportunidade aberta pelo relatório da ONU.

FONTE: G1

Estudo: temperatura do planeta Terra aumentará 4ºC até 2100

residente dos EUA, Donald Trump quer passar medida que congelará políticas de redução da emissão de CO2, contribuindo para o aumento do aquecimento global

Um estudo recente de 500 páginas, encomendado pela equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concluiu que a temperatura global do planeta Terra vai aumentar o equivalente a 4ºC até 2100. Com esse aumento, áreas litorâneas de grandes metrópoles, como Manhattan e Flórida, ficariam efetivamente submersas com a subida de água dos oceanos — estes, aliás, ficariam com um índice de pH tão alto que recifes de coral simplesmente se dissolveriam.

Por mais incrível que isso possa parecer, porém, o estudo não foi encomendado pela administração Trump no intuito de sugerir medidas de proteção ambiental, mas sim para dizer de forma didática que o destino do planeta está selado. O presidente vem tentando afrouxar as políticas de restrição de emissão de CO2 de veículos automotores.

Recentemente, o chefe de estado dos EUA assinou decisão que lhe permitiria congelar os gastos governamentais na manutenção de padrões de eficiência de combustíveis para carros e caminhões de pequeno porte fabricados após 2020. Grosso modo, haveria um aumento da emissão de gases que contribuem para o efeito estufa, mas o estudo mencionado acima diz que isso seria uma “pequena adição dentro de um micro-ondas muito grande”.

Evidentemente, a administração está sendo amplamente criticada pela medida. O ex-cientista sênior do programa Global Change Research, disse ao Wahsington Post que “a maior loucura que eles dizem é que as atividades humanas levarão ao aumento de dióxido de carbono, que é desastroso para o meio ambiente e a sociedade. E aí eles dizem em seguida que não farão nada quanto a isso”. A estimativa do documento conclui que, independentemente das medidas de controle de emissões estarem ou não em efeito, a temperatura vai aumentar de qualquer forma, o que justificaria a decisão do presidente.

Quando o assunto é o aquecimento global, Donald Trump vem sendo atacado por especialistas e autoridades globais de diversos lados. Em junho de 2017, o presidente dos EUA anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que prevê a concordância documentada de países signatários no planejamento, financiamento e controle de medidas para reduzir a emissão de poluentes na atmosfera. Com previsão de vigência a partir de 2020, os EUA eram um país signatário do acordo até o fim da administração do ex-presidente Barack Obama, que precedeu Donald Trump no cargo mais alto da Casa Branca. Trump, vale citar, já publicou nas redes sociais declarações que colocam em dúvida o aquecimento global.

Fonte: CANALTECH

Mudanças climáticas devem intensificar impactos de tsunamis

Pesquisa aponta relação entre aumento do nível do mar induzido pelo clima e efeitos do fenômeno marítimo. Pequenos tsunamis, que ocorrem com maior frequência, devem se tornar mais destrutivos.

Imagem aérea mostra a Grande Mesquita Baiturrahman destruída após terremoto e tsunami em Palu, na Indonésia — Foto: Jewel Samad/AFP

 

Após os tsunamis de grandes proporções desencadeados por terremotos no Oceano Índico, em 2004, e no Japão, em 2011, uma série de filmes apocalípticos como “O Impossível” (Lo Imposible, 2012) retrataram cenários catastróficos de ondas gigantes.

Tal medo foi revivido nesta semana com o tsunami que até agora causou a morte de cerca de 1,4 mil pessoas na Indonésia. Apenas algumas semanas antes do desastre, um grupo de cientistas previu que os impactos de tsunamis devem ser intensificados devido ao aumento do nível do mar relacionado às mudanças climáticas.

“Nossa pesquisa mostra que o aumento do nível do mar pode ampliar significativamente o risco de tsunamis, o que significa que pequenos tsunamis no futuro podem ter os mesmos impactos adversos que os grandes tsunamis atuais”, disse Robert Weiss, professor associado do Departamento de Geociência da universidade americana Virginia Tech, em entrevista à DW.

Weiss foi um dos vários autores de um estudo publicado na revista científica Science Advances no mês passado que, de forma um tanto quanto profética, analisou os impactos de tsunamis em meio ao aumento do nível dos mares.

Intitulado “Um modesto aumento de 0,5 metro no nível do mar duplicará o risco de tsunamis em Macau”, o estudo teve também a coautoria de Adam Switzer, professor associado do Earth Observatory de Cingapura.

“O tsunami como o que ocorreu em Palu na sexta-feira poderia ter sido pior daqui a 50 anos porque o nível do mar está subindo naquela parte do mundo. Trata-se de uma planície muito baixa e é provável que tenha começado a experimentar inundações crescentes”, disse Switzer à DW.

Por muito tempo, cientistas presumiram que os tsunamis e a subida do nível do mar eram fenômenos completamente separados. Apesar do monitoramento de como o aumento do nível do mar fará com que as comunidades costeiras sejam inundadas – especialmente em países insulares como as Ilhas Salomão – poucos tentaram entender como esse sintoma das mudanças climáticas poderia agravar desastres climáticos e naturais extremos.

“Nós realmente queremos olhar para os extremos, para os piores cenários”, disse Switzer.

E segundo Weiss, ao usar uma modelagem computacional de ponta, que não estava disponível há cinco anos, esta última pesquisa pôde analisar os impactos de tsunamis com a elevação dos níveis dos mares.

Neste contexto, áreas litorâneas como Macau, que atualmente são consideradas seguras em relação a tsunamis, deixarão de o ser no futuro caso as previsões de aumento do nível do mar se mantiverem.

“Áreas que são consideradas seguras contra tsunamis e onde hoje somente um tsunami de dois a três metros causaria inundações, precisarão apenas de um tsunami de 1,5 a dois metros para isso”, disse Switzer.

O problema será ainda mais exacerbado, uma vez que a previsão agora é que os aumentos do nível do mar sejam muito maiores do que os anteriormente esperados.

“O que pensávamos ser o pior cenário absoluto há cinco ou dez anos é considerado atualmente apenas uma previsão média”, afirmou Weiss.

Maiores aumentos do nível do mar significam que pequenos tsunamis, que ocorrem com maior frequência, também serão mais destrutivos.

De acordo com Weiss, terremotos e tsunamis menores são muito mais frequentes do que o tipo de evento que causou o tsunami de Tohoku, em 2011, no Japão. Assim sendo, o tsunami desencadeado pelo terremoto de 9,1 graus na escala Richter poderia ser criado por tremores menores com o aumento do nível do mar.

Atualmente, seria necessário um terremoto de magnitude 8,6 graus na escala Richter para inundar Macau, mas daqui a 50 anos, os aumentos do nível do mar induzidos pelo clima fariam com que um terremoto de magnitude 8,2, que é quase seis vezes menos potente, bastasse para inundar a ex-colônia portuguesa.

Assim como o típico cenário de filmes catastróficos de ondas gigantes, em que paredes maciças de água destroem cidades costeiras de grande envergadura, Macau é uma das megacidades asiáticas construídas sobre planícies que ficarão mais vulneráveis num mundo mais quente.

Com o aumento do nível do mar, cidades costeiras podem ficar cada vez mais vulneráveis a tsunamis originários de climas distantes. Isso é em parte porque os tsunamis podem viajar por grandes áreas. O tsunami de Tohoku viajou do Japão para a Califórnia em apenas dez horas, a uma velocidade de 700 quilômetros por hora, segundo Weiss.

O pesquisador também tem implementado sua modelagem computacional para analisar como um futuro tsunami pode afetar a Califórnia após um terremoto no Alasca, por exemplo; ou como a costa do Atlântico poderia ser inundada em consequência de grandes tsunamis desencadeados pela placa tectônica da Groenlândia. No segundo cenário, segundo Weiss, ondas de 8 a 10 metros podem atingir a costa francesa.

Grande parte da pesquisa realizada na Virginia Tech contribuirá para a construção de sistemas de defesa costeira apropriados para proteger melhor as cidades e as comunidades contra ciclones e grandes inundações. Mas tais medidas terão pouco efeito se o aumento do nível do mar duplicar, triplicar ou até mesmo quadruplicar a frequência e o impacto dos tsunamis. Sendo assim, a defesa definitiva contra esses cenários apocalípticos é a mitigação das mudanças climáticas.

“O aumento do nível do mar é impulsionado principalmente pelo uso de combustíveis fósseis e pela produção contínua de dióxido de carbono”, disse Switzer. “Você não pode separar essas coisas, estão todas ligadas.”

FONTE: G1

Novo relatório climático do IPCC diz que ‘mudanças sem precedentes’ são necessárias para limitar aquecimento a 1,5ºC

Relatório foi aprovado pela comunidade internacional apesar de forte oposição saudita.

Barcos no lago Poopo, na Bolívia, região afetada pelas mudanças climáticas — Foto: Reuters/David Mercado

 

Limitar o aumento médio da temperatura global a 1,5 grau Celsius exige “mudanças sem precedentes” em nível global, alerta o novo relatório apresentado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) neste domingo (7).

O documento afirma que restringir o “aquecimento global a 1,5 ºC”, uma barreira que se acredita que pode ser superada entre 2030 e 2052, “exigiria mudanças rápidas, abrangentes e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade”, do consumo de energia ao planejamento urbano e territorial, com muito mais reduções de emissões de gases estufa.

O relatório, aprovado em Incheon, na Coreia do Sul, examina maneiras de limitar o aquecimento a 1,5ºC em vez de 2ºC, como estabelecido no Acordo Climático de Paris, e adverte que os efeitos para os ecossistemas e a vida no planeta será muito menos catastrófica se esta barreira mais ambiciosa for mantida.

A aprovação do relatório pela comunidade internacional veio apesar da resistência saudita. A reunião a portas fechadas do IPCC, que começou na segunda-feira em Incheon (Coreia do Sul), se estendeu um dia a mais que o previsto e, nas últimas horas, se concentrou em resolver a oposição de Riad, segundo relataram vários participantes.

No relatório, cujo resumo de 20 páginas foi aprovado por consenso, os cientistas descrevem com base em 6.000 estudos a grande diferença dos impactos entre um aumento de temperaturas de +1,5ºC e de +2ºC.

E eles listam as diferentes alternativas, que primeiro passam por uma redução maciça das emissões de gases de efeito estufa (atualmente fruto em três quartos dos combustíveis fósseis).

Oposição saudita

A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, se opôs, segundo vários participantes, a um capítulo que lembra a insuficiência geral de compromissos de redução de emissões acordados em Paris para manter o aumento de temperatura a 1,5ºC.

Antes de “finalmente levantar o bloqueio”, disse um observador que pediu anonimato.

No passado, Riad muitas vezes se opôs à ação da ONU contra o aquecimento global, seja em relatórios do IPCC ou em negociações para chegar a um acordo sobre reduções de emissões.

E embora no final de 2015 o reino tenha adotado o Acordo de Paris, que visa colocar o planeta “bem abaixo de 2°C”, ele se opôs ao 1,5°C solicitado pelos Estados mais vulneráveis.

FONTE: G1