terça-feira , outubro 15 2019
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E-mails indicam que Vale soube de problemas em sensores de Brumadinho dois dias antes do rompimento de barragem

Uma troca de e-mails entre profissionais da Vale e duas empresas ligadas à segurança da barragem de Brumadinho mostra que, dois dias antes do rompimento, a Vale já havia identificado problemas nos dados de sensores responsáveis por monitorar a estrutura.

Os e-mails foram identificados pela Polícia Federal. Até esta quarta-feira, havia a confirmação de 150 mortos e 182 desaparecidos em decorrência do mar de lama liberado após o rompimento da barragem.

A Vale informou em nota que, no segundo dia útil após o rompimento da barragem, entregou voluntariamente documentos e e-mails a procuradores da República e à Polícia Federal. “A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”, diz o texto da nota (leia a íntegra ao final desta reportagem).

A TV Globo teve acesso aos depoimentos prestados por dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, André Jum Yassuda e Makoto Namba, responsáveis por laudos de estabilidade da barragem.

Os advogados Augusto de Arruda Botelho e Brian Alves Prado, que defendem os engenheiros, disseram que não vão comentar.

Yassuda e Namba foram presos pela Polícia Federal na semana passado. Nesta terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que eles fossem libertados.

Ao questionar Namba, o delegado Luiz Augusto Nogueira, da Polícia Federal, se refere à existência de e-mails trocados entre funcionários da Vale, da TÜV SÜD e da Tec Wise, outra empresa contratada pela Vale.

As mensagens começaram a ser trocadas no dia 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até as 15h05 do dia seguinte. A barragem se rompeu em 25 de janeiro.

Nas perguntas, o delegado diz que o assunto das mensagens “diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10/01/2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 (cinco) piezômetros automatizados”.

No depoimento não constam, no entanto, detalhes sobre as mensagens.

O engenheiro afirma que só ficou sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem.

Depois de lidas as mensagens para ele, Namba foi questionado sobre “qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem”.

Namba respondeu, segundo o relatório da Polícia Federal, que “após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis”.

A TÜV SÜD informou em nota que fará tudo o que estiver ao alcance “para contribuir para uma investigação abrangente”, mas devido às investigações em andamento com as quais contribui, “não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais” (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

Engenheiro se disse pressionado

No depoimento, o engenheiro Makoto Namba também relatou uma reunião com funcionários da Vale sobre o laudo de estabilidade assinado por ele.

Namba disse que um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha perguntou a ele: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”.

Namba disse à PF ter respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018, mas assinou o documento.

Segundo ele, “apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”.

Nota da Vale

Leia a íntegra de nota divulgada pela Vale:

A Vale informa que vem colaborando proativamente e da forma mais célere possível com todas as autoridades que investigam as causas do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades. Assessoria de Imprensa – Vale

Nota da TÜV SÜD

Leia a íntegra de nota divulgada pela TÜV SÜD:

A TÜV SÜD está profundamente consternada com o trágico colapso da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, em 25 de janeiro de 2019. Nossos pensamentos estão com as vítimas e suas famílias.

Uma subsidiária da TÜV SÜD no Brasil realizou verificações na barragem como parte de um contrato com a operadora Vale S.A. Imediatamente após o rompimento da barragem, a Diretoria e o Conselho de Administração da TÜV SÜD iniciaram amplas investigações sobre o caso, ainda em andamento. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir para uma investigação abrangente desse caso. A TÜV SÜD contratou os escritórios de advocacia Pohlmann & Company e Hengeler Mueller para que eles conduzam uma investigação independente. Além disso, um especialista independente será chamado para fazer uma avaliação de questões técnicas.

Dois funcionários da TÜV SÜD que foram temporariamente detidos pelas autoridades brasileiras foram libertados.

Por conta das investigações em andamento pelas autoridades do Brasil, com as quais estamos contribuindo, a TÜV SÜD não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais.

FONTE: G1

Em audiência, Vale não assina acordo para reparação de danos em Brumadinho

Terminou sem acordo a audiência realizada na tarde desta quarta-feira (6) que tentava estabelecer um acordo com a Vale para adoção de medidas emergenciais e reparadoras de atingidos pelo rompimento da barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a mineradora pediu um prazo para avaliar as propostas e uma nova audiência foi marcada para o dia 14 de fevereiro.

No encontro, foi proposto à Vale um Termo de Ajuste Preliminar (TAP) dentro do processo movido pela Advocacia-Geral do Estado que resultou no bloqueio de R$ 1 bilhão nas contas da mineradora, entre outras medidas.

“Estamos falando de um tratamento emergencial, e a Vale não tem que questionar isso agora. A empresa tem que simplesmente pagar pelo o que ela causou”, afirmou o promotor André Sperling.

Ainda de acordo com o MP, o acordo visa promover ações rápidas para “interromper os danos socioeconômicos e socioambientais provocados”.

O termo proposto, caso venha a ser aceito, será assinado pelo MPMG, Ministério Público Federal (MPF), Defensorias Públicas estadual e da União, o Estado de Minas Gerais e a Advocacia-Geral do Estado e da União.

Em nota a Vale disse que “reitera o compromisso de adotar todas as medidas para recuperação dos impactos decorrentes do rompimento da Barragem de Feijão. Reconhece, ainda, o enorme esforço e a valiosa atuação coordenada de todas as instituições públicas, estaduais e federais, parte do processo de recuperação.” Veja a nota completa da Vale no fim desta reportagem.

Entre as medidas estão:

  • A recuperação dos danos socioambientais e socioeconômicos provocados pelo rompimento da barragem;
  • Apresentação do plano de manejo e remoção de rejeitos em 60 dias;
  • Disponibilizar moradia adequada a atingidos em risco;
  • Adotar medidas urgentes para impedir contaminação de nascentes e cursos de água;
  • Controle de pragas;
  • Recompor a arrecadação tributária para Minas Gerais e Brumadinho;
  • Ressarcir os gastos do estado do desastre;
  • Pagamento das multas aplicadas;
  • Pagamento mensal emergencial a todas as pessoas atingidas;
  • Contratação de auditoria externa para acompanhar todas as ações;

Estruturas de barragens dão sinais antes de ruir, afirmam especialistas

Apontado como a causa da tragédia de Brumadinho, o fenômeno da liquefação do solo é conhecido, calculável e evitável, segundo engenheiros e geólogos ouvidos pela reportagem. Todo projeto de engenharia de barragens, dizem, deve levar em consideração essa possibilidade. Segundo eles, o monitoramento bem feito é imprescindível à segurança dessas estruturas.

Os rejeitos de uma barragem de minério são compostos, basicamente, de ferro em partículas muito finas, areia e água. Essa combinação é propensa ao fenômeno da liquefação. Quando o volume e a pressão da água aumentam por algum motivo, o solo tende a se liquefazer.

Na edificação de uma barragem, é um dos principais fatores a serem considerados nos cálculos para a construção e a segurança da estrutura. Sobretudo quando ela é ampliada – caso da elevação à montante, técnica de construção usada em Brumadinho e também em Mariana, em Minas, onde a barragem também ruiu em 2015.

Ainda assim, destacam especialistas, o rompimento de barragem por causa desse fenômeno nunca acontece de modo instantâneo. As únicas exceções aceitáveis seriam fenômenos extremos, como terremotos.

Além disso, o colapso é um processo que dura algumas semanas, dá sinais claros e pode ser monitorado. “A hipótese da liquefação é uma das levantadas quando se projeta uma barragem”, diz o professor Mario Riccio Filho, da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora. “É preciso calcular se a fundação aguenta a carga a ser imposta, se há estabilidade na inclinação, se o piso é adequado, o potencial de liquefação, os pontos em que pode ocorrer, tudo isso.”

A drenagem da água da barragem é outro aspecto crucial, que precisa estar bem azeitado. Em termos de monitoramento, diz, os piezômetros são aparelhos usados para medir a pressão da água em pontos-chave.

 

FONTE: Hoje em Dia

Desmonte de barragens dará às empresas lucro com material extraído de rejeitos

 Desmonte de barragens dará às empresas lucro com material extraído de rejeitos
Sobrevoo em área afetada pelo rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, da Vale: troca de estruturas por processamento de minérios sem água também dá ganho às mineradoras (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

 

Além da despesa que a mineradora Vale anunciou, na forma de investimentos de R$ 5 bilhões, para desativar e recompor as áreas de 10 barragens de rejeitos de minério de ferro em Minas Gerais dentro de três anos, a empresa terá lucro, e lucro que promete ser farto com o reaproveitamento de toneladas de ferro acumulado  nos reservatórios que têm sido usados em minas antigas do estado. A tecnologia de processamento de rejeitos ainda ricos em ferro não é nova e já vem sendo usada pelas mineradoras no Brasil. Se por um lado o processo demanda gastos, de outro, uma vez recuperado o ferro contido em material que havia sido descartado no passado vira dinheiro futuro num mercado internacional de concorrência acirrada pelo minério que alimenta siderúrgicas na Ásia, Europa e nos Estados Unidos.

Diferentemente da crença de que minério não dá duas safras, a exploração das reservas minerais do estado passou por várias ondas. Minas forneceu a chamada hematita por décadas, material mais rico em ferro e que hoje praticamente não é mais encontrado. Depois vieram os chamados itabiritos, com teores menores ao ser retirados na forma natural, mas que numa fase intensificada pelo setor ganham valor mediante a elevação desses teores durante o processo de tratamento nas indústrias.

É com esses minérios que ganham qualidade nos processos industriais nas minas e o ferro de altos teores de Carajás, no Pará, que as exportações mineiras e brasileiras, respectivamente, enfrentam a competição com os produtores australianos. O professor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Hernani Mota de Lima, destaca que embora o custo de recuperação desse material nas barragens seja pesado, tende a cair quanto maior for a quantidade de ferro ainda contida nos rejeitos e que pode ser negociada pelas empresas.

“Temos barragens de rejeitos com teor de ferro superior ao do minério de algumas minas hoje em operação no estado”, afirma Hernani Mota. O engenheiro de minas e professor da Ufop lembra que em projetos de desativação de barragens (chamados de descomissionamento pelas empresas), o mais comum é que depois de retirados os rejeitos, esse material passe por etapa de tratamento em máquinas e equipamentos para que seja extraído o ferro ainda contido nele. Ao fim do processo, o rejeito virou produto.

Para Minas, o benefício será ficar livre dos barramentos e de devastadores rompimentos, como os que ocorreram na mina da Samarco em Mariana e na reserva da Vale em Brumadinho, na medida em que as empresas passarem, também, a usar o sistema de tratamento a seco de minérios, ou seja, sem o uso de  água para lavá-los de impurezas. Nesses casos, os rejeitos saem secos do processo industrial, que usa britadores e grandes peneiras, e são empilhados sob controle, evitando rompimentos e vazamentos.

“Temos barragens de rejeitos com teor de ferro superior ao minério de algumas minas hoje em operação no estado”


Necessidade
 O custo de recuperação do ferro nos resíduos das barragens que serão desativadas é alto, como destaca Hernani Mota, devido ao fato de se tratar de material muito fino. “Se antes a Vale faria o processo de desativação das barragens de forma mais lenta e integrada ao sistema produtivo nas minas, agora se trata de uma necessidade (para evitar o risco de rompimento) e será também uma forma de capitalização para a companhia”, afirma o professor da Ufop.

Consultor da indústria da mineração e ex-executivo de grandes empresas do setor ouvido pelo Estado de Minas, que prefere o anonimato, afirmou à reportagem que o retorno do plano de desativação das barragens anunciado pelo Vale dependerá do resultado econômico-financeiro do processo. “É retirar os resíduos e reprocessá-los. Nada pode ser feito de maneira abrupta.”

A fonte observa que os preços do minério de ferro caíram do céu ao inferno. Em bons tempos de crescimento mundial, já chegaram a US$ 150 por tonelada e em períodos de crise despencaram, movimentando-se na casa de US$ 70 a US$ 80 a tonelada. Neste ano, a expectativa, inclusive nas projeções da Vale, é de cotações na casa dos US$ 90. Para adequar custos e ganhos, as siderúrgicas começaram a buscar os chamados blends (misturas) de minério de alta qualidade com material de teores mais baixos de ferro.

Reduzir o volume de rejeitos que passam por processos que demandam água é a outra questão imperativa para a indústria. “Cada vez mais o setor terá de falar da mineração a seco”, afirma o especialista. Reportagem do EM mostrou na semana passada que grandes mineradoras que exploram ricas reservas de ferro há décadas na Região Central de Minas Gerais com barragens convencionais classificadas pelos órgãos fiscalizadores na mesma categoria dos reservatórios da Vale que romperam em Mariana e Brumadinho estão investindo para desativá-las.

Têm projetos em desenvolvimento ou já desenvolveram empresas como a Mineração Usiminas, o grupo Gerdau e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Para se livrar do risco das barragens, elas implantaram,na exploração das minas, o sistema de tratamento do material a seco, que consiste no empilhamento dos rejeitos, quase na forma de pó. A própria Vale informou, em meados de 2016, que já tinha a intenção de reduzir o uso das barragens e adotar o processamento a seco.

FONTE: Estado de Minas

Após receber 30 toneladas de donativos, governo de MG diz que não precisa mais de doações

Doações: 27 toneladas de alimentos/leite foram enviados para Brumadinho — Foto: Divulgação/Defesa Civil

 

O governo de Minas Gerais divulgou nesta segunda-feira (4) um comunicado dizendo ter recebido mais de 30 toneladas de donativos.

Agora, não são necessárias mais doações e o cadastro de voluntários está suspenso.

“O envio de voluntários e a arrecadação de donativos são feitos sob demanda dos órgãos oficiais. Neste momento, as demandas estão supridas. Caso haja necessidade, faremos novas solicitações.”

A prioridade foi dada a instituições que estão sofrendo com problemas socioambientais. Na sexta-feira (1º), parte dos voluntários foi encaminhado ao centro de recolhimento para auxiliar na triagem das doações recebidas em Brumadinho.

“As campanhas de doações de donativos e voluntariado para Brumadinho extrapolaram as expectativas. A mobilização das pessoas é comovente, recebemos doações de todo o Brasil”, diz o comunicado.

 

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Voluntários de vários estados e países ajudam sobreviventes e moradores de Brumadinho

Voluntários de vários estados e países ajudam sobreviventes e moradores de Brumadinho

Justiça manda Vale parar de lançar rejeitos em barragem da maior mina de MG

Mina de Brucutu, da Vale, em São Gonçalo do Rio Abaixo — Foto: Divulgação/Vale

 

A Vale afirmou nesta segunda-feira (4) que a Justiça determinou que a mineradora pare de lançar rejeitos ou pratique qualquer atividade potencialmente capaz de aumentar os riscos em oito barragens em Minas Gerais.

Entre elas está a barragem de Laranjeiras em Barão de Cocais, na Região Central, que faz parte da Mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, cidade vizinha. Esta mina é a maior da Vale no estado.

A decisão da 22ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte foi baseada em uma ação civil pública do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O processo segue em segredo de Justiça.

Além da barragem Laranjeiras, a decisão também abrange:

  • Menezes II, em Brumadinho;
  • Capitão do Mato, Dique B e Taquaras, em Nova Lima, na Região Metropolitana;
  • Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III, em Ouro Preto, na Região Central.

O que diz a Vale

Segundo a mineradora, as três barragens de Forquilha são as únicas construídas a montante e estão desativadas. Elas devem passar por descomissionamento.

Dentre as outras cinco barragens contidas na decisão, a Vale afirma que Laranjeiras é a única para deposição de rejeitos, as demais são para deposição de sedimentos.

A mineradora afirmou que “todas as barragens estão devidamente licenciadas e possuem seus respectivos atestados de estabilidade vigentes”. Disse ainda que vai recorrer.

O impacto estimado da paralisação temporária da barragem de Laranjeiras na mina de Brucutu (complexo de Minas Centrais) é de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A Vale afirmou que as atividades estão suspensas em Brucutu por causa da decisão.

Segundo o Prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Antônio Carlos Noronha Bicalho, a cidade vive 95% dos recursos da mineração. “Os Impactos serão bem grandes para a cidade se ficar muitos dias parado”.

Diferentemente da Vale, ele afirmou que nesta segunda-feira estavam paradas as atividades de mineração que usam água e geram rejeitos. Já as atividades na Usina de Finos, que produz o minério a seco estavam funcionando.

Entenda o processo de descomissionamento de barragens — Foto: Alexandre Mauro/G1

 

FONTE: G1 

Laudo aponta problemas no sistema de drenagem na barragem da Vale em Brumadinho

A mineração brasileira vai para o buraco?

O padrão de operação das mineradoras brasileiras nos últimos anos e a quantidade desproporcional de tragédias e desastres envolvendo o setor alerta empresas e investidores que o Brasil não é um bom lugar para fazer negócio

MIGUEL SCHINCARIOL AFP

O padrão de operação das mineradoras brasileiras nos últimos anos e a quantidade desproporcional de tragédias e desastres envolvendoo setorpossivelmente está alertando empresas e investidores que o Brasil não é um bom lugar para fazer negócio. Numa breve, e não exaustiva listagem, podemos contar, o rompimento da barragem da Herculano Mineração em 2014, Samarco em 2015, extravasamento da barragem da Hydro Alunorte em 2018, rompimento do mineroduto da Anglo American em 2018, deslizamento de pilha de estéril da Mineração Aurizona em 2018, rompimento da barragem da Vale em 2019.

Além das despesas milionárias com reparação e compensação, em todos os eventos, essas diferentes mineradoras tiveram suas operações interrompidas por períodos que variaram de semanas a anos, o que muitas vezes é um custo intolerável para os investidores. Eu poderia incluir as multas ambientais, mas esse não parece ser um elemento significativo na realidade brasileira. Porém, para evitar tais multas, os custos com escritórios de advocacia, que não são nem um pouco desprezíveis, também entram na conta das empresas.

Se as instituições brasileiras não têm dado conta de penalizar essas corporações, o mercado financeiro global tem sido menos piedoso. Após o rompimento de Fundão, acionistas entraram na justiça contra a Vale e a BHP Billiton nos Estados Unidos e na Austrália. Eles denunciavam as empresas por omitirem informações e exigiam ressarcimento por suas perdas financeiras. Esses processos, que devem se repetirno caso da Vale após o rompimento da Barragem 1, não apenas representam novos custos advocatícios, como podem também gerar acordos extrajudiciais da ordem de milhões de dólares.

O desastre em Brumadinho criou uma ojeriza generalizada à mineração no país, que supera consideravelmente a aversão que havia sido despertada com a destruição da bacia do Rio Doce. Não por acaso vimos nos últimos dias dezenas de protestos em cidades onde ocorrem atividades de extração mineral, exigindo transparência, segurança e rigor no controle das atividades mineradoras.

Ao mesmo tempo, governos inaptos vêm tomando uma série de medidas atabalhoadas, criando leis e normas ambíguas e confusas a toque de caixa. Estas, mesmo que não se provem eficazes —o que é muito provável—, tendem a aumentar os custos das empresas e as incertezas sobre a regulação no Brasil.

E qual a recado que está sendo recebido lá fora? Provavelmente que não vale a pena investir no país. Como os casos não são profundamente investigados, as explicações são várias. Uma possível leitura é que no Brasil há uma mistura de incapacidade técnica e imperícia, do lado das empresas, associadas à negligência e incapacidade regulatória do Estado. Vale lembrar que a atual condição de (não) funcionamento das atividades de monitoramento e controle estatal foi, ao menos em parte, influenciada pela própria ingerência do setor sobre os entes reguladores.

Tudo isso ocorre exatamente no momento em que, movido pelos ventos liberais, secam as fontes públicas de recursos financeiros, e o BNDES perde o seu papel de financiador das “campeãs nacionais”. A estratégia em curso de adaptação do setor, que buscava se mostrar atrativo para investidores internacionais (por exemplo, participação maciça em seminários no Canadá, mudança na legislação para permitir que a concessão de lavra fosse usada como garantia para fins de financiamento) parece que vai morrer na praia.

O cenário futuro de médio prazo pode ser sombrio para as mineradoras no Brasil e uma fase de depressão parece bater à porta. Se essa situação realmente se confirmar, não vale culpar a legislação ambiental nem os movimentos sociais. As mineradoras são as principais responsáveis pelo buraco onde se meteram.

Ministério Público quer ações da Vale para preservar patrimônio cultural e turístico

Imagem aérea mostra percusso da lama que tomou conta da cidade

 

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) expediu recomendação para a Vale para que, em 24 horas, a empresa forneça uma série de informações sobre as barragens da Mina Córrego do Feijão sob ponto de vista cultural. A recomendação foi orientada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Brumadinho e coordenadoria estadual das Promotorias de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico.

A orientação é para que sejam incluídas ações de contenção, recolhimento e neutralização dos resíduos gerados no acidente, bem como para a recuperação das áreas impactadas e preservação do patrimônio cultural, histórico e turístico. Se as medidas não forem adotadas, poderão ser fixadas providências administrativas e judiciais cabíveis, em sua máxima extensão, em desfavor dos responsáveis.

No documento, as promotoras de Justiça Giselle Ribeiro de Oliveira e Maria Alice Alvim Teixeira, afirmam que “há interesses coletivos envolvidos que – por respeito aos princípios da supremacia e da indisponibilidade do interesse público, os quais devem orientar a administração pública e a gestão ambiental – não podem ser subjugados a interesses meramente econômicos.”

Elas apontam a recomendação como um importante instrumento de que dispõe o Ministério Público para ver respeitado o ordenamento jurídico sem que haja a necessidade da judicialização de eventuais conflitos, alertando seus destinatários sobre a existência de normas vigentes e da necessidade de seu estrito cumprimento, sob pena de responsabilização.

 

FONTE: Hoje em Dia

‘Isso é um genocídio’, diz Alexandre Kalil sobre desastre de Brumadinho

‘Desanima ser brasileiro numa hora dessa’ comentou prefeito de Belo Horizonte, que também afirmou que ‘diretoria da Vale tinha que estar na cadeia’

(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press – 21/12/2018)

 

“Isso é um genocídio”, disse o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PHS) na manhã desta segunda-feira, sobre a tragédia em Brumadinho, quando houve o rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, empreendimento da Vale.
Para o prefeito, a impunidade é causa exclusiva dessa tragédia se repetir em Minas Gerais. “Se o presidente da Vale tivesse sido preso pelo desastre de Mariana, esse desastre (Brumadinho) certamente não aconteceria”, disse.
“Isso que revolta, que entristece. Isso não é árvore, não é passarinho, não é boi, não é cachorro. Eu acredito que passe de 300 o número de vítimas. Isso é um genocídio. É um crime que, pelo menos preventivamente, essa diretoria da Vale tinha que estar na cadeia, isso não aconteceria nunca mais com qualquer lei que se colocar”, desabafa o prefeito.
Durante a entrevista à TV Record, Kalil disse que deixar as leis mais rigorosas não adianta, pois a corrupção está instalada no meio da mineração. “Eles fazem o que querem, são bilionários. Não vamos comparar com ‘empresariozinho’ de boate do interior do Rio Grande do Sul com a Vale do Rio Doce. Aquilo foi um acidente gravíssimo, isso que estamos vendo pela segunda vez em Minas Gerais, é crime”, compara o prefeito, com a tragédia da Boate Kiss, que deixou 242 jovens mortos em 2013.
Alexandre Kalil disse que a tragédia de Brumadinho não deve ter o mesmo tratamento que em Mariana. Para ele, o presidente da Vale também não deveria estar reunido com governantes. “O presidente da Vale tinha que estar no lugar onde a irresponsabilidade se mata 300 pessoas. É injustificável, é revoltante e desanima ser brasileiro numa hora dessa”, completa.
O prefeito também registrou sua insatisfação com o Ministério Público, que tem investigado o aumento da tarifa do transporte público em Belo Horizonte. “É hora de todos que trabalham tanto com aumento de passagem, o próprio Ministério Público está preocupado que aumentou 50 centavos na passagem, pediu 104 mil documentos, pra ver se tem algum ‘vagabundo’ mexendo com isso ou qualquer coisa que o valha”.

Ver galeria . 28 FotosAlexandre Guzanshe/EM/D.A.Press
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press )
*Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen