quarta-feira , dezembro 19 2018
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Ministério lança projeto GEF Áreas Privadas

Iniciativa tem como objetivo preservar a biodiversidade em áreas particulares garantindo o desenvolvimento econômico.
Crédito: Gilberto Soares/MMA
Brasília – Em evento realizado nesta terça-feira (11), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em conjunto com o Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), lançou o projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade e Paisagens Rurais. A iniciativa tem como objetivo incentivar a conservação, o uso sustentável da biodiversidade e a provisão de serviços ecossistêmicos em áreas privadas. O projeto tem apoio da ONU Meio Ambiente e patrocínio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Acesse fotos do lançamento

O GEF Áreas Privadas parte de três abordagens principais: implementação de áreas pilotos na Mata Atlântica e no Cerrado; estabelecimento de acordo com empresas do setor florestal (papel e celulose) e melhora das capacidades públicas. Além da conservação da biodiversidade e da redução da perda e degradação florestal, espera-se que as práticas estimulem ações de manejo para redução de emissões de gases do efeito estufa e aumento do sequestro de carbono.
O secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Fernando Lyrio, frisou a importância da discussão em torno da preservação da biodiversidade sem abrir mão do desenvolvimento econômico do país. Segundo ele, o tema está no cerne do projeto. “Não há como dissociar questões econômicas e sociais da sustentabilidade”, reforçou. “As pessoas enxergam o meio ambiente como o locus da discussão sobre o desenvolvimento sustentável. Isso por um lado é interessante, mas também revela uma percepção pouco clara de todas as dimensões da sustentabilidade. Precisamos nos relacionar com todas elas.”
O projeto, de acordo com Fernando Lyrio, é uma forma de ampliar a discussão sobre a questão ambiental. A partir da perspectiva das áreas privadas, a iniciativa é uma maneira de promover e incentivar práticas de conservação por meio de capacitação e incentivos. Atualmente, o Brasil conta com um amplo número de proprietários privados com experiências ricas nesse sentido. “Há um conjunto de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) com proprietários que estão promovendo ações de grande relevância para o meio ambiente e, ao mesmo tempo, estão gerando renda e promovendo inclusão social”, exemplificou o secretário.
DESAFIO AMBIENTAL
GEF areas privadas2
Para Fernando Lyrio (foto ao lado), inserir a conservação do meio ambiente nos processos de desenvolvimento econômico é um dos grandes desafios da área ambiental. “Temos enfrentado esse desafio com um grau bastante satisfatório de sucesso”, analisou o secretário. “É um momento muito rico para essa discussão acontecer no Brasil. É o momento de uma política ambiental que seja bastante integrada aos processos de desenvolvimento sem prejuízo algum para a conservação ambiental.”
O coordenador-geral do Departamento de Conservação de Ecossistemas do MMA, Rodrigo Martins Vieira, chamou a atenção para a quantidade de áreas privadas no Brasil: estima-se que mais da metade da vegetação nativa do país esteja localizada em áreas particulares. O número de áreas particulares chega a superar o do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). “Um número tão expressivo não poderia ficar à margem de uma tratativa especial”, justificou.

Pilares do GEF Áreas Privadas

1. Implementação de áreas pilotos na Mata Atlântica e no Cerrado:

• Reduzirá o grau de fragmentação nas paisagens produtivas;

• Aumentará a disponibilidade de habitat para espécies ameaçadas de extinção;

• Desenvolverá esquemas de incentivo para a conservação.
2. Acordo com empresas do Setor Florestal:

• Visa melhorar a conservação da biodiversidade e a recuperação da vegetação nativa em suas áreas;

• Aprimorar os processos de tomada de decisões em áreas prioritárias para recuperação que forem gerenciadas pelas empresas do setor florestal;

• Melhorar o monitoramento da biodiversidade em áreas do setor florestal.
3. Melhoria das capacidades públicas:
• Aprimoramento dos procedimentos para o manejo sustentável da vegetação nativa incorporando o valor de conservação em áreas privadas;
• Ampliação do conhecimento de partes interessadas e tomadores de decisão sobre o uso de mapas (base de dados especiais) que indicam o valor de conservação de áreas privadas.
FONTE: MMA

Novo acordo reforça parceria entre Turismo e Meio Ambiente

Parque Estadual do Caracol, em Canela (RS), é o ponto de partida da nova trilha de longo curso no estado, "Caminho das Araucárias", e guarda a maior cachoeira do Rio Grande do Sul, a Cascata do Caracol (foto). Crédito: Renato Soares/Banco de Imagens MTur Destinos.
Parque Estadual do Caracol, em Canela (RS), é o ponto de partida da nova trilha de longo curso no estado, “Caminho das Araucárias”, e guarda a maior cachoeira do Rio Grande do Sul, a Cascata do Caracol (foto). Crédito: Renato Soares/Banco de Imagens MTur Destinos.

Em parceria, o Ministério do Turismo e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) assinaram um acordo de cooperação com o Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA), para implementar a trilha de longo curso denominada Caminho das Araucárias. O acordo foi assinado durante a 30º Festuris, em Gramado (RS).

O secretário nacional de Qualificação e Promoção do Turismo do MTur, Bob Santos, participou da solenidade durante a 30ª Feira Internacional de Turismo que foi encerrada no domingo (11). De acordo com o secretário, a iniciativa do estado gaúcho amplifica a força do turismo de natureza no Brasil, uma das pautas prioritárias da Pasta do Turismo. “O Brasil tem muito potencial nessa área. Os EUA, por exemplo, recebem 300 milhões de turistas nos parques, enquanto nós recebemos apenas 10, embora tenhamos mais a oferecer. Estamos trabalhando lado a lado com o ICMBio justamente para alavancar esse número”, disse.

O caminho terá início no Parque Estadual do Caracol e passará pela Floresta Nacional de Canela, Parque Natural Municipal da Ronda, Floresta Nacional de São Francisco de Paula, Estação Ecológica de Aratinga, APA Rota do Sol, Parque Estadual do Tainhas, Parque Nacional de Aparados da Serra e da Serra Geral, na divisa dos estados do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, terminando no Parque Nacional de São Joaquim (SC).

“A intenção é conectar as unidades de conservação por trilhas que possam ser percorridas a pé, de bicicleta ou a cavalo em um período de 20 dias, de modo que uma unidade induza o visitante a conhecer o parque seguinte”, afirmou Pedro da Cunha e Menezes, coordenador-geral de Uso Público e Negócios do ICMBio.

No último dia 10, o MTur acompanhou o ICMBio na apresentação dos projetos de concessões dos parques nacionais brasileiros e, juntos, realizaram uma visita técnica à Floresta Nacional de Canela. Representantes do Turismo e Meio Ambiente levaram as propostas desenvolvidas para os parques nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral, São Joaquim e florestas nacionais de Canela e São Francisco. O primeiro a ser licitado deverá ser a Floresta Nacional de Canela, compreendendo os seguintes serviços: controle de acesso, venda de ingressos, estacionamento, serviço e alimentação (restaurante) e hospedagem.

“A intenção desta iniciativa é ofertar melhores serviços e estrutura para receber os visitantes e assim acelerar a economia das localidades onde as unidades estão inseridas. Acreditamos que com essas ações o turismo nos parques registrará um grande salto nos próximos anos. Temos um longo caminho a percorrer”, afirmou Beatriz Kobayashi Dourado, coordenadora-geral de Atração de Investimentos do MTur.

Em 2017, os 10,7 milhões de visitantes que estiveram nos parques nacionais brasileiros gastaram cerca de R$ 2 bilhões nos municípios de acesso a essas unidades de conservação natural. A contribuição total dos gastos para a economia nacional foi de cerca de 80 mil empregos, R$ 2,2 bilhões em renda e R$ 3,1 bilhões de valor agregado ao PIB.

 

FONTE: MERCADO E EVENTOS

Unidades de conservação do Quadrilátero Ferrífero devem ser integradas

Plano promove a integração de diferentes unidades de preservação ambiental no Quadrilátero Ferrífero, área de alta vulnerabilidade por suas riquezas. Iniciativa favorece proteção de espécies

Serra do Curral, que emoldura Belo Horizonte e é tombada por órgão federal, é uma das áreas que integram o conjunto de conservação (foto: Jair Amaral/EM/DA Press – 18/7/18)

 

Conhecido pela pressão minerária, devido à grande riqueza, representada sobretudo por jazidas de minério de ferro, o Quadrilátero Ferrífero deverá formar um mosaico de unidades de conservação que pode garantir a integridade de sua vida selvagem, dos biomas e da água que abastece a região mais populosa de Minas Gerais. O lançamento desse plano ocorre amanhã, na sede do Ibama, em Belo Horizonte, com a presença de representantes do órgão federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), de prefeituras e de administrações de unidades de conservação. Serão mais de 30 unidades de conservação envolvidas nesse mosaico, entre parques, matas e reservas federais, estaduais, municipais e também particulares. Uma ação que permitirá ações integradas e uma grande cobertura para essa área, que sofre muitos impactos e depende de seus recursos naturais e humanos.

Um mosaico é um conjunto de áreas protegidas, justapostas ou sobrepostas, onde há ações conjuntas que devem ser fortalecidas e complementadas. O que se pretende estabelecer no Quadrilátero Ferrífero é o último a integrar a primeira fase de formação dessas junções de unidades de conservação, para abranger a área de 3,7 milhões de hectares, compreendida entre Ouro Branco (Região Central) e Diamantina (Vale do Rio Jequitinhonha), reconhecida em 2005 pela Unesco como Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço. Os mosaicos do Alto Jequitinhonha à Serra do Cabral (Norte de Minas ao Jequitinhonha) e da Serra do Cipó (Região Central) já haviam sido formados anteriormente, restando, agora, o reconhecimento do Quadrilátero Ferrífero para recobrir completamente a área de Reserva da Biosfera.

De acordo com o professor do departamento de biologia da PUC-Minas Miguel Ângelo Andrade, coordenador do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, pela grande abrangência da área e identidade regional das unidades, a formação dos mosaicos permite processos de mobilização, dando sentido à cooperação para o desenvolvimento de bases conservacionais. “Cada região tem a sua identidade e seus atributos, como as bacias hidrográficas, os aspectos biogeográficos e de governança. Regionalizar essa diversidade é muito importante”, considera o professor.

Como benefícios diretos, Miguel Ângelo aponta a possibilidade de a região assumir sua vocação para a conservação, uma forma mais estreita e coordenada de cooperação entre as unidades e a institucionalização de um instrumento de governança comum. “Essa gestão conjunta, em um conselho, permite o apoio e o planejamento da prevenção e combate a incêndios florestais. Permite, também a identificação e a implementação de corredores ecológicos que possibilita a ligação de uma área natural a outra, dentro do mosaico de áreas protegidas, permitindo mobilidade entre as espécies. Por exemplo: Uma onça que sai da área natural que habita e encontra uma zona urbana não consegue mais sair. Pelo corredor natural, ela pode encontrar outras populações e aumentar a viabilidade genética da espécie. Um dos fatores que atualmente mais levam à extinção é a fragmentação dos hábitats”, observa o coordenador do comitê estadual.

OURO LÍQUIDO

Outra vantagem dessas áreas naturais preservadas, especialmente notável na região do Quadrilátero Ferrífero, é a capacidade de armazenar água e amenizar o clima dos centros populacionais do entorno. “Há ganhos de provisão de recursos hídricos essenciais ao abastecimento e ao fornecimento de água de qualidade, bem como impactos que amenizam o clima. Sem esquecer que são espaços de educação ambiental e para a contemplação do meio ambiente para as populações”, observa o professor Miguel Andrade.

A próxima fase de reconhecimento do Quadrilátero Ferrífero como Reserva da Biosfera ainda está sob análise técnica da Unesco. Segundo Andrade, o próximo trecho contemplado seguiria pelo Norte de Minas e vale do Jequitinhonha, a partir de Diamantina, até a porção baiana da formação rochosa. “O geossistema do Quadrilátero Ferrífero se destaca por contar com muitas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, uma área prioritária para a conservação da biodiversidade de Minas Gerais”, disse. 

Algumas áreas que serão integradas

 

» Serra da Piedade

(foto: Marcos Vieira/Em/DA Press – 30/03/2018)
Formação rochosa natural, que se ergue a 1.746 metros de altitude nas proximidades de Caeté, na Região Central de Minas Gerais. No alto da serra fica o Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade, um dos destinos religiosos mais procurados por fiéis no Brasil 

» Serra do Curral

(foto: Beto Novaes/EM/DA Press – 10/7/18)

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a formação montanhosa é um dos símbolos de Belo Horizonte, mas sua travessia está interrompida por motivos de segurança e por deter uma espécie de cacto endêmico e ameaçado de extinção 

» Serra do Rola-Moça

(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press – 10/8/17)
Fica entre os municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Nova Lima e Ibirité e apresenta inúmeras nascentes da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, abastecendo parte da Grande BH. É um refúgio natural e conta com muitas espécies ameaçadas, como a onça-parda, jaguatirica, lobo-guará, gato-do-mato, macuco e veado-campeiro 

» Parque Nacional da Serra do Gandarela

(foto: Beto Magalhães/EM/DA Press – 11/01/2010)

Um dos mais contínuos fragmentos de mata atlântica de Minas Gerais, a serra também é tida como uma importante reserva hídrica e de recarga de águas subterrâneas do estado. Muito procurada por suas cachoeiras e atividades ao ar livre como a observação de aves 

» Pico do Itacolomi

(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press – 7/2/18)

Uma das formações de destaque da região de Ouro Preto e de Mariana, essa serra reserva a história dos bandeirantes que desbravaram Minas Gerais e a história das plantações de chá no estado. O pico, de 1.772 metros de altitude, é muito procurado por turistas, mas há históricos de invasões e depredações

Itamaraty e Meio Ambiente podem ter nomes até quarta, diz Bolsonaro

Presidente eleito poderá ir a reunião com governadores em Brasília

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse hoje (13) que os nomes para os ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores estão “maduros”. Ele não informou quais são os cotados nem os perfis, disse apenas o que espera de cada um. Segundo Bolsonaro, até o final deste mês fecha sua equipe ministerial. Também ressaltou que o ensino superior será mantido no Ministério da Educação.

Questionado sobre alguns nomes postos, como o do advogado Gustavo Bebianno para a Secretaria-Geral da Presidência, ele foi taxativo: “O que não foi anunciado, não foi fechado”.

No caso do Meio Ambiente, o presidente eleito afirmou que há duas alternativas em análise e que devem atuar para destravar “as licenças ambientais têm atrapalhado muito a questão no Brasil”. Para o presidente eleito, não há preferência sobre o sexo do futuro chanceler, mas reconheceu que será um diplomata de carreira.

Bolsonaro elogiou o deputado federal Luiz Henirque Mandetta (DEM-MS), mas não o confirmou para Saúde. “Ele é muito bem quisto grande parte dos médicos do Brasil, deixou um rastro de bons serviços no Mato Grosso do Sul.”

Questionado sobre o Ministério de Minas e Energia, Bolsonaro afirmou que é preciso “agregar valor ao que produzimos” e buscar parcerias. “Fazer parceria com quem quiser fazer conosco, não podemos ser apenas um fornecedor de commodities.”

Segundo ele, o futuro ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, terá pela frente o desafio de incentivar e estimular pesquisas.

Governadores

Bolsonaro confirmou que pode participar do encontro de governadores, organizado para amanhã (14), em Brasília, do qual 18 dos 27 confirmaram presença. Segundo ele, a organização foi do governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB). “Mas nós não vamos decepcionar os governadores.”

Segundo Bolsonaro, os governadores vão pedir mais recursos para os estados, o que no momento não é possível. “O que eles querem, eu também quero: dinheiro. O Orçamento da União está complicado”, afirmou o presidente eleito. “Está a cargo da equipe do Paulo Guedes [futuro mininistro da Economia], o que for possível, vamos fazer de renegociação das dívidas.”

Congresso

Bolsonaro disse ainda que amanhã, além de tomar um café com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), candidato à reeleição ao cargo, também pretende ir ao plenário, uma vez que foi deputado federal por 28 anos. “Quero entrar no plenário e apertar a mão dos meus amigos, e dar um abraço neles.”

Depois de reconhecer que há dificuldades na aprovação da reforma da Previdência, Bolsonaro tem ainda alguns projetos de interesse do seu governo que espera ver aprovados no Congresso Nacional, como o que garante independência ao Banco Central.

O presidente eleito avisou que retornará a Brasília na próxima semana. Ele disse que pretende conhecer a Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República, que foi oferecida para ele neste período de transição.

Questionado se, em Brasília, ele terá dificuldades de sacar dinheiro no caixa eletrônico, como fez nos últimos dias no Rio de Janeiro, Bolsonaro reagiu com bom humor. “Fui tirar dinheiro para mim. Eu sempre tive de tirar dinheiro no caixa.”

Aquecimento global afeta crescimento e regeneração da floresta Amazônica, diz estudo

Segundo pesquisadores, algumas espécies de árvores não conseguem crescer com a mudança climática

Pesquisadores medem árvores na Amazônia brasileira — Foto: Adriane Esquivel Muelbert, University of Leeds

 

Uma equipe de mais de 100 cientistas avaliou o impacto do aquecimento global em milhares de espécies de árvores em toda a Amazônia para descobrir os vencedores e perdedores de 30 anos de mudança climática. Sua análise descobriu que os efeitos das mudanças climáticas estão alterando a composição das espécies arbóreas da floresta tropical, mas não o suficiente para acompanhar o ambiente em mudança.

A equipe, liderada pela Universidade de Leeds em colaboração com mais de 30 instituições em todo o mundo, usou registros de longo prazo de mais de cem parcelas como parte da Rede de Inventário da Floresta Amazônica (RAINFOR) para rastrear as vidas de árvores individuais em a região amazônica.

Seus resultados mostraram que, desde a década de 1980, os efeitos das mudanças ambientais globais – secas mais fortes, aumento da temperatura e níveis mais altos de dióxido de carbono na atmosfera – afetaram lentamente o crescimento e a mortalidade de espécies específicas.

Em particular, o estudo descobriu que as espécies de árvores que preferem a umidade estão morrendo mais freqüentemente do que outras espécies e aquelas adequadas para climas mais secos não foram capazes de substituí-las.

A autora do estudo, Adriane Esquivel Muelbert, da Escola de Geografia de Leeds, disse: “A resposta do ecossistema está atrasada em relação à taxa de mudança climática. Os dados nos mostraram que as secas que atingiram a bacia amazônica nas últimas décadas tiveram sérias consequências a composição da floresta, com maior mortalidade em espécies arbóreas mais vulneráveis ​​a secas e crescimento compensatório insuficiente em espécies melhor equipadas para sobreviver a condições mais secas.”

A equipe também descobriu que árvores maiores – predominantemente espécies de dossel nos níveis superiores das florestas – estão competindo com plantas menores. As observações da equipe confirmam a crença de que as espécies do dossel florestal seriam “vencedores” da mudança climática, pois se beneficiam do aumento do dióxido de carbono, o que pode permitir que cresçam mais rapidamente. Isso sugere ainda que concentrações mais altas de dióxido de carbono também têm um impacto direto na composição da floresta tropical e na dinâmica da floresta – a forma como as florestas crescem, morrem e mudam.

Além disso, o estudo mostra que as árvores pioneiras – árvores que brotam rapidamente e crescem em clareiras deixadas para trás quando as árvores morrem – estão se beneficiando da aceleração da dinâmica da floresta.

O coautor do estudo, Oliver Phillips, professor de Ecologia Tropical em Leeds e fundador da rede RAINFOR, disse: “O aumento em algumas árvores pioneiras, como a cecropia de crescimento extremamente rápido, é consistente com as mudanças observadas na dinâmica da floresta, que também pode em última análise, ser impulsionado pelo aumento dos níveis de dióxido de carbono”.

O co-autor Dr. Kyle Dexter, da Universidade de Edimburgo, disse: “O impacto das alterações climáticas nas comunidades florestais tem importantes consequências para a biodiversidade das florestas tropicais. As espécies mais vulneráveis ​​às secas estão duplamente em risco, pois são tipicamente as mais restritas para menos locais no coração da Amazônia, o que os torna mais propensos a serem extintos se esse processo continuar”.

“Nossas descobertas destacam a necessidade de medidas rigorosas para proteger as florestas intactas existentes. O desmatamento para agricultura e pecuária é conhecido por intensificar as secas nesta região, o que está exacerbando os efeitos já causados ​​pela mudança climática global”, disse Dexter.

FONTE: G1

Três anos após tragédia de Mariana, sentir-se em casa novamente ainda é sonho de atingidos

Obras do novo Bento Rodrigues, distrito de Mariana, foram iniciadas e moradores começam a fazer projetos de imóveis e de vida. Já em Gesteira, distrito de Barra Longa, início dos trabalhos para reconstruir comunidade segue sem data definida.

 

Na memória de Weberson Arlindo dos Santos, de 38 anos, a imagem da casa para qual nunca mais pôde voltar depois do dia 5 de novembro de 2015 ainda é forte. Se em Bento Rodrigues, primeira localidade de Mariana (MG) a ser atingida pelo mar de lama que jorrou da barragem de Fundão há três anos, o imóvel em que vivia o operador de equipamentos se transformou em escombros e ruínas, na esperança dele, o sonho de recriar sua morada resiste.

“Eu quero que seja semelhante ao que era antes, né? Com uma varanda, com telhado colonial como era antes, com janela de madeira e com bastante espaço que nem tinha”, planeja.

 

Weberson Arlindo dos Santos quer sua nova casa seja semelhante a que foi destruída pelo rompimento da barragem da Samarco — Foto: Raquel Freitas/G1
Weberson Arlindo dos Santos quer sua nova casa seja semelhante a que foi destruída pelo rompimento da barragem da Samarco — Foto: Raquel Freitas/G1

 

Em agosto deste ano, mais de dois anos e meio depois do rompimento da barragem da Samarco, cujas donas são a Vale a BHP Billiton, o desejo de Weberson de voltar a se sentir em casa começou a ganhar fôlego com o início das obras para o reassentamento da comunidade. No terreno conhecido como Lavoura, que fica a cerca de oito quilômetros da sede de Mariana, e a nove quilômetros das ruínas de Bento Rodrigues, máquinas e trabalhadores preparam o local para a construção das casas, que ainda não começou.

Atualmente, a obra está na fase de infraestrutura, com retirada da vegetação, iniciando a terraplenagem e a abertura de acessos. Ao mesmo tempo, moradores como Weberson começam a fazer os projetos dos imóveis.

No terreno, ainda não é possível enxergar estruturas que lembrem o distrito destruído. De acordo com a gerente de reassentamento da Renova – fundação criada pelas empresas para os trabalhos de recuperação e atendimento aos atingidos -, Patrícia Lois, a previsão é que os novos imóveis sejam entregues aos moradores em 2020 – ano em que o maior desastre ambiental do país completará cinco anos.

Mesmo assim, o operador de equipamentos revive sua esperança quando visita a área. “Eu sinto esperança de ver o pessoal trabalhando, as máquinas. Realmente, agora a gente está indo no lugar certo porque antes era incerteza porque chegava aqui [em Lavoura], era só mato, não tinha máquina, não tinha nada. Agora, a esperança é de, realmente, eu voltar para a minha nova casa, né?”, diz.

Enquanto isso, Weberson, que hoje mora em um apartamento quase 150 m² menor do que o imóvel que vivia em Bento Rodrigues, continua se sentido em casa mesmo quando volta às ruínas.

“Lá eu sinto uma paz porque, apesar de tudo que aconteceu, que nem lá hoje que o cenário é feio, mas, chegando lá, parece que eu estou voltando para casa, eu nem percebo a destruição que deu, que tem lá”, afirma Weberson.

 

Mesmo com dois andares, casa do pai de Mauro Marcos da Silva não resistiu ao ‘mar de lama’ — Foto: Raquel Freitas/G1

 

Alguns moradores, entretanto, não compartilham de muito otimismo em relação às obras. O comerciante Mauro Marcos da Silva, de 49 anos, integra a comissão dos atingidos e é um dos que acreditam que, apesar do início das obras, o impasse em torno do reassentamento ainda não está solucionado.

“Eu aprendi que tudo que diz respeito à Samarco, Vale, BHP e Renova, pode ficar temeroso porque as coisas não se revolvem fácil. (…) É como se tivesse em uma trilha cheia de atoleiros. Você venceu um lamaçal e, logo em seguida, você sabe que tem outro”, avalia.

Para ele, “o próximo lamaçal” seria justamente o reassentamento, já que o terreno de Lavoura tem uma geografia mais íngreme do que a da área de Bento Rodrigues. Ele argumenta que, por causa da inclinação, casas que antes eram de um pavimento precisariam ser reconstruídas em dois andares.

“E aí a dificuldade maior é que muitas dessas casas têm cadeirantes, pessoas idosas. E chegou ao cúmulo de funcionários da Renova falarem que as casas serão de dois andares por causa do desnível do terreno, que é para fazer um quartinho para o cadeirante, que aí ele fica só na parte de baixo e ele não precisaria acessar a parte de cima”, fala.

Patrícia, da Renova, diz desconhecer a situação. “Mas se foi fato, a gente tem que tratar”, pontua.

Ela confirma que topografia é mais acentuada no novo terreno, mas diz que a acessibilidade vai ser garantida a todos moradores em todos os espaços. “O lote mínimo é de 250 m² e, quando o lote tem mais inclinação, aí no mínimo é 600 m². Então, dentro dessa área, a comunidade pode estar trabalhando com arquiteto para fazer sua casa, que vai garantir, nós vamos ter garantia de todas questões de acessibilidade, as normas de engenharia, que darão acesso a essas pessoas, tanto crianças quanto idosos ou alguém com necessidade especial de acessibilidade”, garante.

Desde a década de 1980, quando foi para a sede de Mariana estudar, Mauro não passava a maior parte da semana em Bento Rodrigues. Mas era lá que sentia – e ainda se sente – em casa. “Perdi a casa. E não só a casa, mas a história de vida. Uma história de vida que vem desde os meus antepassados”, diz.

A lama e a destruição não impediram que o comerciante mantivesse o hábito de retornar ao distrito nos dias de folga. Mesmo não sendo permitida a pernoite no cenário de escombros, Mauro improvisa a cada fim de semana e faz de sua caminhonete moradia.

“Eu coloco colchão, ponho a lona em cima. E, o fato de eu estar no Bento, essa caminhonete se transforma, para mim, em uma suíte presidencial. Não é uma simples caminhonete, é ali que a minha felicidade é comparada com a de uma pessoa que está em uma suíte presidencial”, conta.

José do Nascimento de Jesus, de 73 anos, mais conhecido como Zezinho do Bento, não gosta de retornar a Bento, mas acompanha, quase diariamente, as obras no novo terreno. Para ele, a impressão é que os trabalhos no local estão correndo dentro do ritmo esperado.

“Eu sinto muito feliz porque a gente vê a obra andando. Isso é um passo muito importante. E, a cada dia que eu vou, tem uma coisa diferente, que eles fizeram. Está trabalhando dia e noite, serviço rende”, comenta. Segundo a gerente de reassentamento, atualmente, cerca de 430 funcionários trabalham no local, em dois turnos. No pico máximo das obras, a previsão é que a reconstrução empregue 2 mil pessoas.

Sem se acostumar a morar em apartamento na sede da cidade histórica, ele planeja, daqui a dois anos, poder retomar os hábitos que cultivou durante 35 anos antes do desastre, ao qual se refere como crime.

“Ter a nossa casa, igual a gente tinha lá [em Bento Rodrigues], com toda segurança, toda tranquilidade, colhendo nossos ovos caipiras, de galinha caipira, colhendo nossas couves. Tudo que a gente fazia lá, ter de novo, sabe?”, diz.

Paracatu

Romeu Geraldo de Oliveira, de 43 anos, também vai diariamente às obras, mas, no caso dele, voltar a se sentir em casa é uma aspiração ainda mais distante. Ele é uma das cerca de 430 pessoas que trabalham no terreno da Lavoura, mas sonha, um dia, em poder colaborar com a construção da própria comunidade: Paracatu de Baixo.

Cerca de 50 casas foram destruídas pela lama no local, em que hoje escombros, rejeito de minério encoberto pelo mato e árvores mortas dividem espaço. No terreno onde os imóveis serão reerguidos, uma placa indica que haverá o reassentamento. Mas, por lá, nada de máquinas ou pessoas trabalhando.

Romeu diz que, ao ver as obras de Bento Rodrigues iniciadas, sente alívio e também felicidade por estar ajudando a realizar o sonho de outros atingidos. Porém, ao lado desses sentimentos, há frustração e desconfiança.

“Quando a lama veio, foram todas as duas comunidades no mesmo dia. E, hoje, o Bento iniciou e Paracatu está atrasado. Não é culpa da nossa comunidade. A gente não tem culpa nenhuma. (…) O desejo da nossa comunidade era que as duas terraplanagens seguissem uma paralela à outra. Porque nem o licenciamento nosso até hoje não foi aprovado ainda. Então, a gente fica com aquela desconfiança ainda, sabe que está andando, mas a gente ainda tem aquela desconfiança”, desabafa.

Em setembro, foi aprovado o projeto conceitual urbanístico de Paracatu, o que ocorreu cerca de sete meses depois em relação a Bento Rodrigues. Para que sejam requeridos os licenciamentos para início das obras, alguns passos ainda precisam ser alcançados, como a elaboração do projeto básico e aprovação do projeto de lei de parcelamento do solo.

Patrícia Lois pondera, entretanto, que cada comunidade tem suas particularidades, que precisam ser respeitadas. “A gente tem que ter esse cuidado porque se pensa – e pensavam todos – o que acontecer em Bento, a gente definiu para Bento, a gente já faz igual para Paracatu e faz igual para Gesteira. E não é. Cada comunidade tem uma característica. (…) Então, ali [Paracatu], tinha gente plantando, tinham sítios próximos, as propriedades eram um pouco maiores. Eles trabalhavam realmente mais em sítios ali, em fazendas”, diz.

De acordo a gerente de reassentamento, durante o processo de compra da área da Lucila – terreno escolhido para reconstrução de Paracatu de Baixo -, foi necessário adquirir um número de terrenos superior ao inicialmente planejado justamente por causa das características da comunidade e da definição da quantidade de propriedades que serão reassentadas.

“No início se imaginava três, depois se passou para seis e foram nove propriedades para poder compor esse parcelamento urbano e rural em Paracatu, onde as propriedades também contemplam sitiantes”, explica. Houve ainda percalços na regularização fundiária e de inventário das propriedades.

Segundo a gerente, a expectativa para entrega das casas da comunidade é a mesma de Bento Rodrigues – 2020. Romeu, porém, acredita que terá que esperar mais tempo para voltar a ter seu lar.

“Só Deus sabe. Eles falaram com nós que mais ou menos em 2021 a gente já vai estar na nova Paracatu. Mas eu acho que vai ser difícil 2021. A gente ainda tem essa esperança, mas a gente está vendo que é difícil 2021 a gente ir para lá. Porque o sonho de nossa comunidade é estar todo mundo voltando para o nosso habitat natural, onde a gente nasceu, viveu. Minhas raízes estão todas lá. Então, é um lugar a gente sente assim à vontade, é Paracatu”, diz.

Gesteira

Já os moradores de Gesteira, distrito de Barra Longa, seguem sem previsão de quando as obras do reassentamento serão finalizadas ou sequer iniciadas.

“São três anos de lama, são três anos de luta, são três anos de batalha para que o terreno seja comprado. Então, a maior luta aqui hoje é que nós temos vários idosos. É muito triste você conversar com eles e eles dizerem assim: ‘infelizmente, eu não vou alcançar o reassentamento. Infelizmente, eu não vou morar na minha casa’”, afirma Simone Maria da Silva, de 41 anos, integrante do Movimento de Atingidos por Barragem (MAB).

Simone Maria da Silva diz que lembranças de sua família também foram levadas pela enxurrada — Foto: Raquel Freitas/G1
Simone Maria da Silva diz que lembranças de sua família também foram levadas pela enxurrada — Foto: Raquel Freitas/G1

 

Nascida e criada em Gesteira, Simone já não morava na comunidade quando lama devastou o local e suas memórias, mas parte de sua família, sim. Hoje, ao visitar as ruínas das casas de sua avó e seu tio, ela diz que os lugares que faziam parte da sua lembrança e onde esteve pela última vez com seus pais e seu avô estão irreconhecíveis.

“Então, além de a gente já ter a história, já amar o lugar, eu tinha essas lembranças comigo. E foram os locais que eu vi essas pessoas pela última vez. Hoje eu chego e não consigo reconhecer nenhum desses lugares. Nenhum, nenhum”, lamenta.

Em uma reunião em meados de outubro entre representantes dos atingidos, da Fundação Renova e do Ministério Público, a expectativa de Simone e de muitos atingidos era que fosse anunciada a compra do terreno que vai abrigar o reassentamento. Entretanto, no encontro, essa esperança foi frustrada.

De acordo com a gerente da Renova, quando a assessoria técnica passou a atuar no município, em novembro de 2017, houve uma pausa nas negociações com a comunidade. “Nós retomamos para o diálogo coletivo do reassentamento a partir de fevereiro, março”, explica.

Segundo ela, a princípio, eram 20 famílias elegíveis ao reassentamento, e seria comprada uma área em torno de sete hectares. “Eles trouxeram uma demanda que seriam em torno de 37 famílias, sendo necessários 40 hectares na mesma propriedade, na mesma área que a fazenda dos Macacos”, pontua. Patrícia diz que a negociação para a compra do terreno está em fase final.

A aposentada Vera Lúcia Aleixo e Silva, de 62 anos, conta que nasceu, cresceu e criou toda a família e que, em minutos, viu a luta de toda uma vida ir embora com a lama da barragem da Samarco. Desde a tragédia, ela mora na sede da vizinha Mariana e a acredita que ainda há um longo caminho até poder voltar para casa.

“Assim, esperança eu não posso perder, né? Porque o que alimenta a gente é a esperança e a fé em Deus, né? Pela demora que eles estão para responder e suprir a nossa necessidade, eu acredito que demora”, afirma.

FONTE: G1 

Fusão de Agricultura e Meio Ambiente ainda não está decidida, diz assessoria de Bolsonaro

Informação foi dada após reunião entre presidente eleito e empresário do agronegócio. Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil, havia anunciado a fusão dos dois ministérios.

 

Divulgação/ Jornal Nacional

 

A assessoria de Jair Bolsonaroinformou na noite desta quarta-feira (31) que o presidente eleito ainda não decidiu sobre a fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.

A informação foi dada após Bolsonaro se reunir com o empresário do agronegócio Luiz Antônio Nabhan Garcia.

Ao deixar o encontro, Garcia disse que o presidente eleito “quer ouvir todo mundo para depois tomar uma decisão”.

Questionada, então, sobre a informação, a assessoria de Bolsonaro confirmou que ainda não há decisão sobre o tema.

Isso porque, nesta terça, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, havia dito que Bolsonaro havia decidido unir os dois ministérios.

Esta era a primeira ideia de Bolsonaro, mas, durante a campanha, ele disse que poderia recuar em nome do diálogo e em razão das críticas que havia recebido.

Críticas do atual governo

Após o anúncio de Onyx Lorenzoni, nesta terça-feira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, divulgou uma nota na qual lamentava a decisão do governo.

Para ele, se a fusão acontecer, haverá “prejuízos” para o agronegócio brasileiro.

“Como um ministro da Agricultura vai opinar sobre um campo de petróleo ou exploração de minérios?”, questionou Maggi.

Além disso, o Ministério do Meio Ambiente afirmou por meio de nota ter recebido com “surpresa e preocupação” a fusão das duas pastas.

“O novo ministério que surgiria com a fusão do MMA e do MAPA teria dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas. A economia nacional sofreria, especialmente o agronegócio, diante de uma possível retaliação comercial por parte dos países importadores”, afirma a nota.

Novo ministério

Quatro ministros já foram anunciados pelo presidente eleito:

Além disso, Bolsonaro se reunirá nesta semana com o juiz federal Sérgio Moro para discutir a nomeação dele como ministro da Justiça.

O economista Paulo Guedes já informou que será “natural” se o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, permanecer no cargo.

A equipe de Bolsonaro trabalha para definir a redução dos ministérios. Atualmente, são 29 pastas e o novo governo projeta ter em torno de 15.

Transição

Mais cedo, nesta quarta-feira, Onyx Lorenzoni se reuniu em Brasília com o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para discutir a transição de governo.

A equipe responsável pela transição trabalhará no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e terá até 50 pessoas. Nesta terça, Onyx já apresentou 22 nomes ao governo federal (saiba alguns dos nomes já definidos).

Ao deixar o encontro com Padilha, o futuro ministro informou que Bolsonaro se reunirá com o presidente Michel Temer na próxima semana.

FONTE: G1

NOTA DE ESCLARECIMENTO

NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente no Estado de Minas Gerais – SINDSEMA, diante das matérias veiculadas na imprensa acerca da realização da “Operação Nematoide” – que visa apurar fatos ocorridos no âmbito da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram), Zona da Mata – vem a público esclarecer o que se segue:

1 – Referente aos fatos narrados, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentavel, Semad, já havia aberto procedimento de Sindicância Administrativa por meio do Ato SEMAD nº 22/2016, publicado no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, em 02/11/2016. Esta sindicância objetivou apurar possível conduta funcional irregular no exercício de atividades de regularização ambiental, no âmbito da referida Supram, sendo certo que colaborou de forma intensa com o MPMG para a apuração dos referidos fatos.

2 – Sendo assim, o SINDSEMA esclarece que, como entidade de classe, zela pela honra de seus servidores, assim como pela reputação de todo SISEMA, e, assim, vem externar seu compromisso com a verdade, na certeza de que a Justiça saberá conduzir com isenção esse processo, realizando as devidas apurações com adequação, assegurada a ampla defesa dos envolvidos.

3 – Enfim, reafirmamos que trata-se de fato isolado, que encontra-se em fase de investigação, sendo que tal acontecimento não representa a realidade vivenciada no SISEMA, onde os servidores exercem suas atividades com correção e lisura.

Manter a todos informados é um dos nossos compromissos!
O envolvimento e a participação de todos são fundamentais!

Belo Horizonte, 31/10/2018
Atenciosamente,
Diretoria do SINDSEMA.

Operação ‘Mineração’ detecta irregularidades em 46% das fábricas de tijolos e ardósia fiscalizadas no Centro-Oeste de MG

Segundo a Polícia Militar de Meio Ambiente, falta de licença ambiental foi o tipo de situação mais encontrada.

Fábricas de tijolos e ardósia foram alvo de fiscalização no Centro-Oeste mineiro — Foto: Assessoria/Sejudh-MT
Fábricas de tijolos e ardósia foram alvo de fiscalização no Centro-Oeste mineiro — Foto: Assessoria/Sejudh-MT

O balanço final da Operação “Mineração”, iniciada na terça-feira (23), aponta que 46% das fábricas de tijolos e ardósia que atuam com algum tipo de irregularidade em seis municípios do Centro-Oeste de Minas.

O resultado da fiscalização conduzida pela Polícia Militar de Meio Ambiente foi divulgado no início da noite desta quinta-feira (25), quando os trabalhos foram encerrados.

De acordo a polícia, ao todo, foram fiscalizados 64 empreendimentos nas cidades de Papagaios, Maravilhas, Pequi, Igaratinga, Pitangui e Itaúna.

O objetivo da fiscalização foi apurar possíveis crimes ambientais cometidos por esses empreendimentos, além de levantar um diagnóstico da quantidade de empresas e a situação do setor de extração mineral na região.

Irregularidades

Em nota, a polícia informou que a maioria das irregularidades encontradas se relaciona à falta de licença ambiental. O número de empresas nessa situação não foi informado.

O órgão declarou também que 14 empresas receberam notificações para regularização ambiental. e outras sete foram autuadas por causarem degradação ambiental.

Três empreendimentos de britagem de rochas também foram autuados. Segundo a Polícia Ambiental, atualmente, existem aproximadamente 90 empresas de beneficiamento de rochas não metálicas em operação na região.

Em dois dias de operação, foram aplicados R$ 365.750,25 em multas, conforme a polícia, que também não informou as cidades onde estão instaladas as fábricas autuadas. Durante os três dias de trabalho, foram empenhados 65 militares.

FONTE: G1 

No domingo, brasileiros decidem também sobre o meio ambiente

Na reta final, tema é alçado ao centro da disputa. Incerteza dos planos de Bolsonaro gera alerta internacional, preocupa ambientalistas e até agronegócio. Haddad leva Amazônia para o horário eleitoral.Tema habitualmente marginalizado nas eleições, o meio ambiente ganhou destaque nesta reta final. A preocupação de líderes de outros países com o possível descumprimento do Acordo de Paris levou a mudanças de posição na campanha de Jair Bolsonaro (PSL). Por sua vez, Fernando Haddad (PT) levou a pauta da Amazônia para o horário eleitoral gratuito. Como em outras áreas, as posições dos candidatos são antagônicas.

Nas últimas semanas, as posições de Bolsonaro sobre o clima repercutiram internacionalmente, em especial a sinalização de saída do Acordo de Paris, compromisso internacional discutido entre 195 países com o objetivo de minimizar as consequências do aquecimento global.

O presidente Sebastián Piñera, do Chile, e o premiê Pedro Sanchéz, da Espanha, estão entre os que se manifestaram negativamente em relação à posição do candidato do PSL. Na Assembleia Geral da ONU, em setembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu que não sejam assinados acordos comerciais com países que não respeitam o acordo.

Procurado pela DW Brasil, o eurodeputado alemão Peter Liese, da União Democrata Cristã (CDU), mesmo partido da chanceler federal Angela Merkel, disse que o Parlamento Europeu vê a possível eleição de Bolsonaro com grande preocupação.

“Nos últimos anos, o Brasil foi um parceiro confiável, inclusive nas áreas do clima e proteção ambiental. Eu não consigo imaginar que meus colegas aceitem sem contestação a saída de acordos internacionais. Sem dúvidas, trará consequências negativas às relações comerciais entre o Brasil e a União Europeia”, disse Liese, que faz parte da Comissão para Questões Ambientais e da Delegação de Reuniões Parlamentares Europa-América Latina.

Como já fez em outros momentos de polêmica durante a campanha, a equipe de Bolsonaro sinalizou uma mudança de posição sobre o tema após a repercussão negativa e pressão do agronegócio – em 2017, as exportações do setor somaram 96 bilhões de dólares. Sem essa contribuição, a balança comercial teria sido deficitária em 15 bilhões de dólares.

Ao aderir ao Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu a cortar as emissões de gases e efeitos estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030. No início deste mês, o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, informou que, segundo indicadores, o Brasil poderá alcançar metas do tratado antes do previsto, para ampliá-las posteriormente. Na ocasião, ele também criticou a posição de Bolsonaro: “Coloca em risco os negócios do Brasil, sobretudo de exportações”.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas, órgão que monitora o desmatamento na Amazônia, estimou que a perda da floresta pode triplicar caso o candidato do PSL coloque em prática suas promessas para a área ambiental.

A incerteza sobre a agenda ambiental vem preocupando não só ambientalistas, mas também representantes do próprio agronegócio – tradicionalmente em lados opostos do debate. No último dia 18, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura emitiu uma carta endereçada aos candidatos na qual reafirma o compromisso do país com o planeta para assegurar a segurança alimentar, hídrica e climática da humanidade. Entre os 180 signatários estão empresas como Amaggi, Cargill, Fibria e Carrefour, além de ONGs como o Ipam, Imazon e WWF.

“A agricultura brasileira depende de condições climáticas, como chuva, umidade e temperatura. Essas condições só podem ser asseguradas pela conservação das florestas. As áreas protegidas, por exemplo, sejam elas unidades de conservação, terras indígenas ou territórios quilombolas, ajudam a preservar os serviços ecossistêmicos prestados pelas florestas e fundamentais para o agronegócio, como a água, a redução de erosão, a atenuação de extremos climáticos, os polinizadores e o habitat necessário aos controladores de pragas e doenças”, diz o documento, para defender a necessidade de diálogo entre os setores.

Um dos pontos mais enfatizados pelo grupo é a defesa da permanência do Brasil no Acordo de Paris. Em oposição a Bolsonaro, o programa de Haddad fala em tornar o cumprimento ao acordo uma referência para outros países em desenvolvimento. O primeiro e único signatário a tomar a decisão de sair do acordo foram os Estados Unidos, no governo de Donald Trump. No Brasil, é necessária aprovação do Congresso.

O diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães, afirma ser importante separar falas de campanha daquilo que efetivamente será feito no governo. Entretanto, ressalta que medidas com essa relevância precisam ser amplamente discutidas com diversos setores da sociedade.

“Além dos sérios impactos ambientais e econômicos que esse movimento poderia acarretar, a saída do Brasil enfraqueceria a Convenção do Clima como um todo, especialmente após a decisão do país líder em emissões (EUA). Isso fragiliza substancialmente o Acordo como um todo, e coloca o planeta em um risco maior do que já está. Essa decisão brasileira precisa ser bem avaliada, pois tem implicações e riscos múltiplos para o país e a estabilização climática de todo o planeta”, avalia.

Luiz Cornacchioni, diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), classifica a iniciativa como um desastre sob o ponto de vista do comércio internacional. Ele ressalta que, embora as exigências da União Europeia sejam vistas como o principal entrave em uma possível saída do acordo, a China vem dando importância cada vez maior às metas ambientais.

“Só quem nunca negociou lá fora, nunca foi fazer qualquer tipo de promoção comercial do Brasil, acha que isso não faz diferença. Faz, e muita. Quando chegamos a Bruxelas para fazer qualquer coisa, somos cobrados imediatamente com relação à sustentabilidade. Só quem tem uma visão acanhada acha que esse negócio para em pé fora do acordo”, comenta.

O programa de governo de Bolsonaro traz uma única menção ao termo “meio ambiente”, quando fala em unificar, em um só ministério, a questão ambiental com a agropecuária, a pesca e o desenvolvimento rural. Em seu plano, também aparece uma menção específica a uma percepção mais ampla do candidato, de que haveria um rigor excessivo na fiscalização ambiental. O texto aborda as barreiras “quaintransponíveis” para a construção de usinas hidrelétricas. Em entrevistas, Bolsonaro já criticou o que chama de “indústria da multa” do meio ambiente, citando órgãos como o Ibama e o ICMBio.

Dois dias após o primeiro turno das eleições presidenciais, o capitão reformado do Exército afirmou que pretende acabar com o “ativismo ambiental xiita” e também com a “indústria de demarcação de terras indígenas”. Na ocasião, o candidato do PSL falou em dar “retaguarda jurídica” aos produtores rurais, para que se defendam de invasões de terras.

Já o programa de Fernando Haddad dedica um dos cinco grandes eixos para tratar exclusivamente da agenda ambiental. Sob o guarda-chuva do Programa de Transição Ecológica, estão elencadas propostas como a tributação sobre a emissão de carbono e o investimento em fontes energéticas renováveis (solar, eólica e biomassa). A fim de atrair apoio de representantes do agronegócio, o petista incluiu propostas favoráveis ao setor no segundo turno, como a facilitação de crédito aos produtores e o policiamento rural.

Além disso, Haddad levou a agenda do meio ambiente para o horário eleitoral gratuito na televisão, defendendo a importância da soberania nacional na Amazônia. A peça criticava declarações de Bolsonaro sobre o assunto. Na précampanha, o candidato do PSL afirmou que “a Amazônia não é nossa” e se disse favorável à exploração econômica da floresta. Ao defender a necessidade de preservar a região, elencou como problemas “as enormes reservas indígenas”.

 

FONTE: PORTAL UOL