sexta-feira , outubro 19 2018
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Arborização urbana será reforçada com recursos de multas ambientais

 

Parte da arrecadação com multas por crime, infração penal ou infração administrativa decorrentes de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente será destinada à arborização urbana e à recuperação de áreas degradadas. É o que estabelece projeto aprovado nesta terça-feira (16) pelo Senado, em votação simbólica. O PLC 188/2015 segue agora para sanção presidencial.

A proposta também determina que seja destinado para o mesmo fim o montante arrecadado pela cobrança de taxas de autorização de poda e corte de árvores.

O autor do projeto, o deputado federal Roberto Britto (PP-BA), argumenta em sua justificação que a vegetação nas cidades é importante para a qualidade de vida, bem-estar e segurança da população, por ajudar na purificação do ar, na proteção de mananciais e na diminuição da temperatura das cidades.

Os recursos — produto de 10% da arrecadação das multas — deverão ser aplicados obrigatoriamente no município onde ocorreu a infração ou crime ambiental ou no município cujo órgão realizou a poda ou corte de árvores.

A escolha da espécie e do local de plantio das árvores dos projetos de arborização obedecerá à legislação municipal.

FONTE: AGÊNCIA SENADO 

Carta Aberta em Defesa do Meio Ambiente

Carta Aberta em Defesa do Meio Ambiente – 6 Set 2018

Prezados,

A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Meio Ambiente – ASCEMA Nacional, com apoio da Maré Socioambiental, elaborou Carta Aberta em Defesa do Meio Ambiente em reação às declarações de candidato à Presidência da República que afrontam e ameaçam a Gestão Ambiental Pública, demonstrando imensa ignorância em relação à agenda ambiental e divulgando informações falaciosas que comprometem a conservação ambiental e as políticas ambientais.

Convidamos às entidades interessadas a aderirem a este manifesto

Agradecemos pelo apoio!

Carta Aberta em Defesa do Meio Ambiente – 06 SET 18

 

FONTE: ASCEMA

Justiça barra lançamento de rejeitos de mineração em Nova Lima

TJMG estipula prazo de 15 dias para que empresa elabore e execute planos de ação emergencial e de segurança para dois diques da Vale

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expediu decisão liminar determinando que a mineradora Vale interrompa o lançamento de rejeitos nas barragens Maravilhas 2 e 3, localizadas em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além disso, o TJMG estipula prazo de 15 dias para que empresa elabore e execute planos de ação emergencial e de segurança para os dois diques. A liminar partiu de um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da promotora Cláudia de Oliveira Ignez. Caso ela não seja acatada, a gigante da mineração pode ter que desembolsar até R$ 50 milhões. As duas represas de rejeitos estão localizadas a menos de um quilômetro de algumas casas. Ao redor, estão dois condomínios residenciais e ao menos outras quatro propriedades rurais, cotidianamente sob ameaça de mais um desastre socioambiental no território mineiro. A Vale informou que vai recorrer.

De acordo com os planos de ação devem levar em conta cenários críticos e normas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Para se ter ideia da dimensão do risco, Maravilhas 3 tem capacidade três vezes maior que o da Barragem do Fundão, que se rompeu em 2015. Em caso de rompimento dos reservatórios, o tsunami de lama e rejeitos demoraria entre apenas 29 e 139 segundos para engolir as casas das imediações.Por isso, a decisão liminar também determina o cadastramento de todos os moradores do perímetro em até três meses, por parte da Vale. Entre os bairros sujeitos ao risco, estão o Vale dos Pinhais, Estância Alpina, Fazenda Riviera, Fazenda Retiro das Flores, Rancho Loyola e Rancho do Sossego. Em caso de qualquer situação de risco, a liminar ainda obriga a mineradora a acionar os órgãos públicos competentes.

Depois de analisar os laudos apresentados pela promotoria, a juíza Ana Cristina Guimarães afirmou na liminar que “o perigo de dano é patente e está presente não só na possibilidade de degradação do meio ambiente, mas também na perda de inúmeras vidas humanas, caso haja rompimento de uma das barragens, sobretudo em razão de não haver chance de evacuação da população local”.

Em nota, a Vale informou que vai recorrer e garantiu que as duas barragens têm planos de segurança e emergência, em conformidade com a legislação. Além disso, a empresa disse que “Maravilhas 2 vem passando por auditorias de segurança periodicamente, sendo a última em setembro, e possui Declaração de Condição de Estabilidade emitida por auditor externo”. Quanto ao reservatório maior, a mineradora ressaltou que “Maravilhas 3 está em fase de implantação e detém a Licença Ambiental de Instalação emitida pelo órgão ambiental”.

A briga em torno do empreendimento é antiga. Desde 2016, um inquérito civil investiga os riscos da mineração na região. Em novembro de 2017, o MP já havia conseguido liminar na Justiça suspendendo o andamento do projeto da Barragem Maravilhas 3, mas a decisão foi revogada no mês seguinte. O argumento é que, além de colocar em risco direto as populações vulneráveis, um eventual colapso da estrutura afetaria até o abastecimento de água da Região Metropolitana de BH.

 

FONTE: Estado de Minas

CIGARROS PREJUDICAM SERIAMENTE O MEIO AMBIENTE. PALAVRA DA OMS

Fumar cigarro? É um grave erro ambiental. Ele não só prejudica a saúde daqueles que fumam (e de quem estiver ao redor), como também causa danos ao planeta. A primeira ideia que vem à cabeça são as milhares de bitucas que encontramos no chão (no mar, na areia, etc), mas não é só isso não! Os cigarros têm todo um processo de produção que não é nada sustentável, começando com o desmatamento e terminando com um consumo anormal de água.

Isto é o que emerge de um relatório do Imperial College of Londonapresentado na Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS (FCTC), segundo o qual os cigarros são responsáveis ​​por 0,2% das emissões globais de CO2.

Portanto, não basta saber que ele aumenta os riscos de ter câncer de pulmão e ou doença pulmonar crônica obstrutiva: os cigarros têm uma pegada ambiental digna do pior poluente do mundo.

O relatório

O impacto devastador que a indústria do tabaco tem sobre a saúde humana é bem conhecido: o uso do tabaco mata cerca de 7 milhões de pessoas todos os anos. No entanto, o novo relatório descreve pela primeira vez o impacto substancial do consumo de cigarros ao meio ambiente, e ao desenvolvimento sustentável.

Encomendado pelo Secretariado da Convenção-Quadro da OMS e pelo Controle do Tabaco da Imperial College London, o relatório foi lançado na 8ª sessão da Conferência das Partes (COP 8) na FCTC da Organização Mundial de Saúde.

“O controle do tabaco é uma questão de desenvolvimento. Os danos ao meio ambiente ocorrem durante todo o ciclo de vida dos produtos do tabaco devido ao desmatamento, poluição da água devido ao uso de agrotóxicos e resíduos de cigarro”, diz Vera Luiza da Costa e Silva, Diretora do Secretariado.

Uma avaliação global da produção de tabaco revela um enorme desequilíbrio: quase 90% de toda a produção de tabaco está concentrada nos países em desenvolvimento. Entre os dez principais países produtores de tabaco, nove são países em desenvolvimento e quatro são países com déficit alimentar (LIFDC), incluindo Índia, Zimbábue, Paquistão e Malaui. No entanto, a maioria dos lucros do setor acaba nos países desenvolvidos.

É por isso que, como afirmado pelo Dr. Nicholas Hopkinson, co-autor do relatório: “As Transnacionais do Tabaco baseadas em países de alta renda estão literal e metaforicamente queimando os recursos e o futuro das pessoas mais vulneráveis ​​do nosso planeta”.

O cultivo global do tabaco requer uso substancial da terra, consumo de água, pesticidas e mão-de-obra, recursos limitados que poderiam ser usados ​​de uma maneira melhor. Os impactos nocivos incluem o desmatamento que leva às mudanças climáticas, depleção de água e solotoxicidade humana, eutrofização de ecossistemas e acidificação.

Em números, para a produção dos 6 mil bilhões de cigarros consumidos a cada ano, são necessários 32,4 milhões de toneladas de tabaco, para os quais são utilizados 22 bilhões de toneladas de água. Aqui se traduz na emissão de 84 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que equivale a 0,2% das emissões globais de CO2.

cigarro grafico impacto

Destes, cerca de 21 toneladas de dióxido de carbono derivam do cultivo do tabaco, 45 do seu tratamento e 16 da fabricação de cigarros. Além disso, a esses dados devem ser adicionados as substâncias tóxicas, como metais pesados ​​e pesticidas, lançadas ao ambiente.

No nível individual, se calcula o impacto ambiental de um fumante assim: uma pessoa que fuma um maço de 20 cigarros por dia durante 50 anos é responsável por 1,4 milhão de litros de exaustão hídrica.

Finalmente, o relatório também destaca o impacto ambiental excessivo do tabaco em comparação com outras culturas. Estas geralmente requerem menos insumo e seu rendimento é, em muitos casos, consideravelmente maior do que o do tabaco. Por exemplo, um hectare de terra no Zimbábue poderia produzir 19 vezes mais batatas do que as 1 – 1,2 toneladas de tabaco cultivadas atualmente. As evidências também sugerem que o cultivo de culturas alternativas é melhor para os agricultores e suas famílias.

E se não bastasse, o trabalho infantil continua sendo um dos principais problemas na produção de tabaco, com repercussões na saúde e nos direitos das crianças, incluindo o acesso delas à educação.

cigarro mortes

O que fazer, de acordo com a OMS

Aumentar os preços embora já bastante salgado nos países desenvolvidos, a fim de refletir seus custos nos sistemas nacionais de saúde e proporcionar um desestímulo financeiro para que os fumantes parem de fumar. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o preço de um maço de cigarros ainda é muito baixo considerando (também) os custos ambientais.

Embora a porcentagem de pessoas que fuma tenha diminuído em muitas partes do mundo, devido ao aumento maciço da população, agora há mais fumantes do que nunca, em números absolutos. No geral, 933 milhões de pessoas fumaram todos os dias em 2015, 80% dos quais eram homens.

Para atender a essa demanda, são produzidos seis bilhões de cigarros anuais, o que já mencionamos anteriormente: desse modo, cerca de 5% do desmatamento em partes da Ásia e da África ocorre para dar lugar às fazendas de tabaco.

A indústria está, portanto, se aproveitando do fato de que muitos países em desenvolvimento e de baixa renda têm regulamentações mais fracas, o que lhes permite mudar o peso ambiental e social no exterior, ao mesmo tempo em que aumentam os lucros em seus países de origem.

Em suma, se fumarmos cigarros comprados em um país rico, provavelmente vamos fumar às custas da saúde nacional e dos recursos naturais de outros países.

Quer ainda mais outras razões para deixar de fumar?

 

FONTE: GREENME

Cerrado, ‘berço das águas’ do Brasil, está sendo destruído

Aos 33 anos, o historiador e técnico agrícola Samuel Leite Caetano declarou para a plateia do Museu do Amanhã que nunca tinha estado num lugar tão bonito. Aos 66, Maria do Socorro preferiu falar em pé, do alto de seu par de sandálias douradas, para lembrar que vem de um lugar, o Cerrado, que é considerado o berço das águas:

“Se eu preservo minha fonte eu vou preservar a água das cidades”, declarou, olhando em volta.

Fátima Barros, nascida em 72, trouxe a emoção na voz para falar sobre as ameaças que o Cerrado está sofrendo, sobretudo por parte do agronegócio. Uma emoção que lhe dá coragem e vontade de partir para o enfrentamento: “Não temos medo da tempestade porque nós somos a tempestade”.

Já Maria Emilia Pacheco, que é mineira mas mora no Rio, e que já presidiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) lembrou como é distante, não só fisicamente, do carioca e do Sudeste, a região do Cerrado. Mas não devia ser assim: “Estamos falando de uma questão nacional, a vida no Brasil depende muito do Cerrado”.

Dediquei parte da minha manhã de ontem (9) a ouvir histórias do Cerrado no Museu do Amanhã, no evento “O Cerrado em toda parte” organizado em parceria pelas ONGs ActionAid e Rede Cerrado. Katia Favilla, secretária executiva da Rede, lembra que parte deste distanciamento das questões de uma região tão importante para o Brasil foi porque houve um tempo “em que os povos e comunidades tradicionais lutaram para ficar invisíveis”, já que isso era uma garantia de sobrevivência e de permanência em seus territórios.

Hoje não é mais assim. A luta é pela visibilidade, para mostrar aos povos de todas as regiões do Brasil que existe um lugar, que ocupa um quinto do território do Brasil e se estende por 12 estados, considerado a savana mais rica em biodiversidade do mundo, que está sendo dia a dia desmatado, espoliado, para dar lugar a pasto e plantações de monoculturas.

“Falar sobre o Cerrado e sobre seus povos no Museu do Amanhã é trazer a discussão para as grandes cidades, é expor a um público já acostumado a falar de Amazônia, as riquezas de outro bioma extremamente importante para o país”, diz Karia Favilla.

A sociedade civil está fazendo a sua parte, mostrando que não é preciso tanta destruição para alimentar as pessoas, como bem lembrou Maria Emilia Pacheco.

“Os portugueses quando chegaram ao Brasil encontraram o roçado dos indígenas, com alimentos que eles haviam descoberto, e destruíram tudo. Nós aqui da cidade estamos nos esquecendo de que os alimentos que temos hoje na mesa vem do trabalho que continua sendo feito pelas comunidades tradicionais”, disse ela.

Por comunidades tradicionais entendem-se pessoas que vivem no mesmo lugar há muito tempo e criam com ele uma relação de afeto, não de negócio. É esta a maior diferença, como explica Maria de Fátima:

“A relação do agronegócio com o Cerrado é um negócio e a nossa relação é de vida, de amor, de afetividade. Não há limites para o capital. Temos feito a resistência. Minha família está na Ilha de São Vicente (no Tocantins) há 130 anos e ainda assim enfrentou um processo jurídico que nos expulsou em 2010, por um fazendeiro que conseguiu retirar de lá a comunidade. Conseguimos retornar, enfrentamos um processo para comprovar nossa ancestralidade, o que é uma violência para os povos quilombolas. Precisei de papel de cartório para dizer que sou quem sou. Lutamos contra tudo isso de pé”.

A violência contra os povos que lá estão há tanto tempo, por si só, já é um absurdo. O descaso com o meio ambiente aumenta a sensação de que não se está percebendo o tamanho da tragédia. Os números, divulgados ontem no evento que durou o dia inteiro, apoiado pelo Museu, dão conta de como é preciso que o poder público lance um olhar para a região. Vejam só:

  • Só entre 2016 e 2017, o Cerrado perdeu o equivalente a mais de 1 milhão de campos de futebol, segundo dados do próprio Ministério do Meio Ambiente. Hoje, a cobertura florestal do bioma ocupa menos da metade de sua área original;
  • O Matopiba (nome da região composta pelos estados do Maranhã, Tocantins, Piauí e Bahia) é a última grande remanescente de Cerrado contínuo e repleto de comunidades tradicionais e agricultores familiares. O Plano de Desenvolvimento Agrário, no entanto, vem promovendo a substituição de mata nativa por grandes extensões de monoculturas.
  • Hoje, 36% de todo o gado e 63% de toda a soja plantada no país estão no Cerrado. E 30% da área virou pasto.

Dá para imaginar tanto desmatamento num terreno onde brotam as principais fontes de água doce do país? Um terreno que contribui com oito das 12 regiões hidrográficas, entre elas as bacias dos rios Araguaia/Tocantins, do Rio São Francisco e do Rio Paraná e abriga três aquíferos está sendo desmatado, segundo informações da Rede Cerrado, por projetos que desde os anos 70 estimulam a “limpeza” da vegetação para a produção.

Esta é a questão. As soluções são várias e não precisam de caras tecnologias para serem implantadas, o melhor é isso. A agroecologia, um conceito que pressupõe a prática da agricultura de maneira cuidadosa não só com o meio ambiente como levando em conta as pessoas, a cultura de cada povo, ensina muita coisa. Há cerca de um mês, as Fundação Boll e Rosa Luxemburgo lançaram no Rio o Atlas do Agronegócio, que aponta a agroecologia como uma alternativa. Ela já é utilizada em cultivos de arroz no mundo inteiro.

“A agroecologia promove a agricultura em pequena escala, em sintonia com os ecossistemas. Não é apenas um conjunto de técnicas agronômicas; é um processo político, social e transformador. Oferece ferramentas que dão às pessoas o direito de definir seus próprios sistemas de alimentação, agricultura, pecuária, pesca e as políticas que impactam estes sistemas como parte de um movimento internacional. A agroecologia não procura melhorar a agricultura industrial, mas substituí-la”, diz o relatório.

É de transformação, portanto, que estamos falando. Uma transformação que dê passos para a frente, que ouça atentamente o que cientistas do mundo todo estão falando sobre as respostas que a natureza dá aos impactos que vem sofrendo. Isto, sim, nos colocará em posição de respeito na comunidade internacional de maneira sustentável.

FONTE: G1

ANÁLISE: A bomba-relógio que explode em 12 anos

Afetado pelas mudanças climáticas, o lago Poopó, na Bolívia, virou um deserto — Foto: Reuters/David Mercado

O crescimento sustentável é possível, mas temos apenas 12 anos para frear o aquecimento global. Este é o resumo de duas poderosas mensagens sobre o futuro de nosso planeta, emitidas nesta segunda-feira (8) pela ONU e pelo Prêmio Nobel. E o futuro é daqui a pouco, em 2030, prazo final para a implementação de mudanças sem precedentes na infraestrutura energética, de acordo com o alerta dramático do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Das duas, uma: ou os países tomam medidas concretas para limitar em 1,5º C o aumento da temperatura global, restringindo também as emissões de gases do efeito estufa, ou arcarão com o ônus de mais mortes e danos materiais. O início da temporada de furacões e o tsunami da Indonésia, que já contabilizou mais de duas mil vítimas, ilustram o teor da advertência do IPCC, que se baseia em seis mil publicações científicas. Um estudo recente aponta que os tsunamis podem se intensificar devido à mudança do clima e a consequente subida do nível do mar.

A meta de 1,5ºC é mais rigorosa do que a estipulada pelo Acordo de Paris, que prevê, no mesmo período, a limitação do aumento da temperatura em 2º C. Assim, segundo o painel, serão preservadas mais 10 milhões de vidas.

Ao mesmo tempo em que digerimos o relatório de 700 páginas, o Nobel de Economia é consagrado a dois cientistas americanos, William Nordhaus e Paul Romer. A dupla provou ser possível combinar crescimento com sustentabilidade e assegurar uma economia de mercado lado a lado com a preservação da natureza.

São dois recados que vão na contramão do governo Trump: em estado de negação e de obstrução das políticas climáticas de seu antecessor, o presidente americano retirou os EUA do Acordo de Paris — que o relatório do IPCC agora demonstrou ter metas obsoletas.

Frequentemente, o presidente desdenha os alertas sobre o aquecimento global e, com ironia, chegou a defendê-lo em dias frios do inverno passado. Atribui as mudanças climáticas a uma suposta fraude chinesa e minimiza a taxa de mortalidade decorrente de seus efeitos.

De acordo com o IPCC, nos próximos 12 anos, as emissões globais de CO2 precisam diminuir 45% em relação aos níveis de 2010. Mas Trump relaxa regras de regulação e caminha na direção dos interesses das empresas de combustíveis fósseis. Esta miopia avassaladora estreita ainda mais a curta janela de oportunidade aberta pelo relatório da ONU.

FONTE: G1

Projeto cria fundo de desenvolvimento da região de Terra Ronca, em Goiás

Entrada da gruta que dá nome ao Parque Estadual de Terra Ronca, em Goiás

 

A localidade de Terra Ronca (GO) poderá ser beneficiada com a criação de um fundo de desenvolvimento, que terá o objetivo de promover a economia, a cultura e o turismo da região, situada nos municípios goianos de São Domingos e Guarani de Goiás.

A criação do fundo é prevista no Projeto de Lei da Câmara (PLC) 33/2018, que se encontra na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), onde é relatado pelo senador Waldemir Moka (MDB-MS). A proposta, de autoria do deputado Pedro Chaves (MDB-GO), será analisada em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

De acordo com o texto, o Fundo Nacional de Apoio à Região de Terra Ronca (Funter) terá a finalidade de fomentar a qualificação dos trabalhadores locais; estimular produtos feitos pelas comunidades; criar condições para a instituição de cooperativas e viabilizar a cooperação entre os moradores e entidades públicas e privadas de turismo.

O Funter contará com receitas oriundas de operações de crédito internas e externas, firmadas com entidades privadas, públicas, nacionais e internacionais; convênios firmados entre os estados da Federação e outras fontes previstas em lei.

Parque estadual

O Parque Estadual de Terra Ronca, com área aproximada de 57 mil hectares, está localizado nos municípios de Guarani de Goiás e São Domingos. O parque abriga um dos maiores sítios de cavernas e grutas da América Latina, muitas delas ainda não mapeadas. A formação do complexo deve-se à ação dos rios que nascem na Serra Geral, ganham volume sobre os maciços de quartzito e erodem o maciço de rochas calcárias, localizado dentro do parque. O nome Terra Ronca deriva do rugido dos rios que atravessam as cavernas e do burburinho das cachoeiras que se formam no seu interior.

A gruta mais conhecida é a que dá nome ao parque, Terra Ronca, que se caracteriza pelo seu enorme pórtico e pela grandiosidade dos salões. O vão de entrada atinge 96 metros de altura e 120 metros de largura, com salões medindo 760 metros de comprimento e 100 metros de altura, onde ocorre anualmente a cerimonia religiosa de Bom Jesus da Lapa. Destacam-se também a gruta de São Mateus, uma das maiores do país; a gruta Angélica, que pode ser contemplada com uma travessia de sete horas por suas infindáveis galerias subterrâneas; e a gruta São Bernardo/Palmeira, com salões repletos de curiosidades e em cujo interior unem-se dois rios. A região é coberta pela vegetação do cerrado e cortada por vários rios.

“Tudo isso faz do turismo uma atividade vital para o desenvolvimento social e econômico dos municípios da região de Terra Ronca. Todavia, para que o turismo possa prosperar e efetivamente beneficiar as comunidades do lugar é necessário valorizar a cultura local, fortalecer a capacidade dessas comunidades para produzirem artigos e produtos que atendam às demandas do mercado turístico e capacita-las para prestarem os serviços que caracterizam a atividade”, observa o autor na justificativa do projeto.

 

FONTE: Agência Senado

Aguapé, a ‘praga verde’ brasileira que é promessa de solução para rios poluídos e produção de combustíveis

Natural da bacia amazônica, a aguapé é capaz de retirar toxinas da água — Foto: Natural Resources Wales

Seria a trama perfeita para um filme de ficção científica: planta que habita rio cercado de florestas impenetráveis em país longínquo é levada por explorador para adornar lagos em seu país. No entanto, a planta exótica era na verdade um ser alienígena que agora ameaça a vida no mundo civilizado.

Bem, na vida real, plantas podem sim causar estragos quando inseridas em habitats diferentes dos seus. O aguapé da Amazônia, apelidado de “praga verde”, é uma delas. Mas cientistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que, no caso do aguapé, a trama pode ter final feliz. Essa planta pode ser a solução para despoluir rios mundo afora e ainda produzir etanol e materiais plásticos, dizem eles.

“Na Flórida, ela é considerada uma espécie invasiva sem controle. No Brasil, para se ter uma ideia, várias represas de São Paulo estão tendo problemas de navegação e geração de energia, turbinas estão sendo paradas, especialmente no rio Tietê”, disse Alcides Lopes Leão, pesquisador da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“É a planta que cresce mais rapidamente de todo o mundo. Por causa das mudanças climáticas, ela pode se tornar um problema global, pode vir parar aqui no nosso quintal (no Reino Unido). Não deveríamos lutar contra ela, mas achar formas de conviver com ela e torná-la útil”, disse Parvez Haris, professor da Escola de Ciências Aliadas da Saúde na Universidade Montfort, na Inglaterra.

Poderes despoluentes

Eichhornia crassipes, ou aguapé, é uma bonita planta aquática flutuante, com grandes folhas redondas. Quando floresce, produz flores azul-arroxeadas.

Natural da bacia amazônica, até recentemente era vendida como planta ornamental em lojas de jardinagem europeias, mas foi banida no continente por seu potencial nocivo ao meio ambiente.

Sabe-se há muito tempo de sua capacidade de retirar toxinas da água. No entanto, tentativas anteriores de utilização da planta para despoluir rios tiveram resultados desastrosos: experimentos fugiram do controle de cientistas, e a planta passou a se proliferar de forma desenfreada nos locais onde foram feitos os estudos. O resultado disso foram rios entupidos, onde não se pode pescar, cheios de moscas e impossíveis de navegar.

Décadas mais tarde, uma parceria entre pesquisadores britânicos e brasileiros pode, finalmente, vir a reverter o impacto negativo do aguapé – e colocá-lo a serviço da humanidade.

Estudo Britânico: biorremediação

Recentemente, a revista científica Nature publicou um artigo detalhando os excelentes resultados de um experimento com o aguapé feito em um trecho do rio Nant-y-Fendrod, em Swansea, no País de Gales, no Reino Unido.

Durante 240 anos, entre 1720 e 1960, a região foi um centro mundial na produção de cobre. Uma grande quantidade de dejetos resultantes da atividade – 7 toneladas de material tóxico – foi abandonada no Vale de Swansea e acabou indo parar no rio, explicou Haris, coautor do estudo.

“Isso teve impacto na ecologia do rio, peixes e vegetação da área foram afetados.” Entre as substâncias presentes na água estão zinco, níquel e cádmio. “Desde 1961, as autoridades locais tentam remover os dejetos, mas a água continua contaminada”, disse o cientista.

Sob orientação de Haris, o estudante de PhD Jonathan Jones, que trabalha para o órgão ambiental Natural Resources Wales, propôs fazer um experimento usando biorremediação para despoluir o rio.

Biorremediação é o processo no qual se empregam organismos vivos (micro-organismos ou plantas, geralmente) para recuperar áreas poluídas. Nesse caso, o “remédio” usado seria o aguapé brasileiro.

Contando com recursos e tecnologias de ponta, os cientistas conseguiram acertar onde, no passado, seus colegas falharam. Para impedir a contaminação do ambiente pela espécie elienígena, a planta ficou contida em gaiolas e tanques. Instrumentos de medição de última geração foram usados para avaliar a composição da água.

Experimento em três estágios

O experimento foi feito em três estágios. O primeiro, no laboratório, usou água sintética onde havia sido adicionado o metal tóxico zinco em concentração de 4,5 miligramas por litro. Após sete horas na água, o aguapé removeu 50% do zinco. Após três semanas, a planta absorveu 90% do metal.

No segundo estágio, a equipe repetiu o experimento em laboratório, porém usando água retirada do rio Nant-y-Fendrod, contendo não só zinco, mas também outros metais.

Após sete horas, entre 20% e 30% do zinco havia sido removido. Após três semanas, quase 100% da substância havia sido removida (na água do rio a concentração do metal era cerca de 2 miligramas por litro).

O terceiro estágio foi feito no próprio rio. Aqui, foram utilizados dois métodos. “Colocamos a planta dentro de gaiolas na água e permitimos que a água fluísse para dentro das jaulas. A água entrava e saía.”

Aqui, após apenas alguns segundos de contato com a planta, foram removidos 10% do zinco e 15% do cádmio presentes no rio. “Isso demonstra remoção quase instantânea” do metal tóxico, ressaltou o pesquisador Jonathan Jones à BBC News Brasil.

No experimento final, a equipe usou uma técnica que permite o monitoramento ainda mais preciso do comportamento do aguapé na natureza. “A água foi transferida do rio, por meio de canos, para tanques contendo aguapés. Nós monitorávamos a água antes de entrar no tanque e depois, ao sair. Essa técnica tem potencial para uso na vida real, fora do laboratório”, disse Parvez Haris.

Em segundos de exposição ao aguapé dentro do tanque, cerca de 4% do zinco e 5% do cádmio haviam sido removidos da água. O mesmo ocorreu com vários outros metais, entre eles, manganês, arsênico e chumbo.

A equipe explica, no entanto, que essa fase do experimento – embora tenha acontecido no verão britânico – foi feita sob temperatura ambiente muito baixa, o que afetou o desempenho do aguapé (longe das condições em seu habitat natural, os trópicos).

Eles ressaltam que esse, obviamente, não seria o caso no Brasil, onde a quantidade de poluentes removida deverá ser maior.

Além disso, explicam, quando aplicada na natureza, a técnica envolveria o represamento temporário da água para dar tempo ao aguapé de agir.

Um estudo diferente dos anteriores

Segundo Haris, o experimento britânico foi único em alguns aspectos. Primeiro, porque o potencial despoluidor do aguapé nunca havia sido testado em países de clima frio, disse.

Segundo, por investigar com máxima precisão o comportamento do aguapé em vários ambientes e situações, do laboratório ao rio.

“Este estudo, de pequena escala, visou demonstrar um conceito, de que a ideia funciona. Feito isso, você pode repetí-la em grande escala”, disse Haris. E é aqui que entram em cena pesquisadores brasileiros.

Parvez Haris está buscando formar uma parceria com pesquisadores do Brasil para testar a técnica em grande escala em rios do país.

“No Brasil, essa planta é considerada um grande problema. Várias usinas de energia (hidrelétrica) em rios brasileiros tiveram de ser fechadas por causa dela”, disse o cientista. “Estou em discussões com um pesquisador de São Paulo.”

Parceria entre Reino Unido e Brasil

“Estamos nos namorando”, disse o pesquisador em questão, Alcides Lopes Leão, da Unesp. “Ele caminhou de um lado, e eu, de outro, estamos fechando os caminhos.”

Como parte da parceria, explicou Leão, o experimento de Haris seria replicado em larga escala no Brasil.

Primeira fase

“Ele fará a biorremediação, ou seja, usará a planta para remediar poluição. Após esse processo, é preciso dar um uso a essa planta. Eu e a minha colega Ivana Cesarino, aqui da Unesp, entraríamos nessa fase do projeto.”

Segundo os pesquisadores, cerca de 80% dos metais tóxicos absorvidos pelo aguapé ficam armazenados na raiz da planta. E agora? O que fazer com o aguapé contaminado?

“Queimar não pode, porque você vai liberar aquele material tóxico de volta na atmosfera”, diz Leão.

Segunda fase

O plano dos paulistas é o seguinte: a equipe da Unesp receberia o aguapé contaminado. Sob os cuidados de Ivana Cesarino, a planta sofreria um processo de fermentação.

“A fermentação vai produzir o álcool, o etanol 2G, de segunda geração”, disse Leão. Desse processo, sobraria o bagaço do aguapé.

Quem pega o bastão agora é o próprio Leão.

Terceira fase

“Esse bagaço restante eu uso para gerar produtos plásticos, como o conduit, que você usa por exemplo para encapar fio que vai dentro das paredes. Ou seja, vamos imobilizar os metais tóxicos dentro desse material, que não tem contato com a espécie humana.”

A ideia é evitar a contaminação do meio ambiente com essas toxinas. “Assim fecha-se o ciclo”, concluiu o pesquisador.

Futuros clientes

Da represa de Americana, atualmente tomada por aguapés, até o rio Tietê, poluído por níquel, cromo e vários outros metais pesados, não faltam oportunidades para experimentos com a nova técnica no Brasil, disse Alcides Leão.

“Estamos buscando financiamento para uma proposta conjunta”, disse.

Uma vez feito o experimento, o próximo passo seria oferecer a técnica a empresas brasileiras. “A própria Sabesp poderia ser um cliente”, disse Leão.

FONTE: G1

Novo relatório climático do IPCC diz que ‘mudanças sem precedentes’ são necessárias para limitar aquecimento a 1,5ºC

Relatório foi aprovado pela comunidade internacional apesar de forte oposição saudita.

Barcos no lago Poopo, na Bolívia, região afetada pelas mudanças climáticas — Foto: Reuters/David Mercado

 

Limitar o aumento médio da temperatura global a 1,5 grau Celsius exige “mudanças sem precedentes” em nível global, alerta o novo relatório apresentado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) neste domingo (7).

O documento afirma que restringir o “aquecimento global a 1,5 ºC”, uma barreira que se acredita que pode ser superada entre 2030 e 2052, “exigiria mudanças rápidas, abrangentes e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade”, do consumo de energia ao planejamento urbano e territorial, com muito mais reduções de emissões de gases estufa.

O relatório, aprovado em Incheon, na Coreia do Sul, examina maneiras de limitar o aquecimento a 1,5ºC em vez de 2ºC, como estabelecido no Acordo Climático de Paris, e adverte que os efeitos para os ecossistemas e a vida no planeta será muito menos catastrófica se esta barreira mais ambiciosa for mantida.

A aprovação do relatório pela comunidade internacional veio apesar da resistência saudita. A reunião a portas fechadas do IPCC, que começou na segunda-feira em Incheon (Coreia do Sul), se estendeu um dia a mais que o previsto e, nas últimas horas, se concentrou em resolver a oposição de Riad, segundo relataram vários participantes.

No relatório, cujo resumo de 20 páginas foi aprovado por consenso, os cientistas descrevem com base em 6.000 estudos a grande diferença dos impactos entre um aumento de temperaturas de +1,5ºC e de +2ºC.

E eles listam as diferentes alternativas, que primeiro passam por uma redução maciça das emissões de gases de efeito estufa (atualmente fruto em três quartos dos combustíveis fósseis).

Oposição saudita

A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, se opôs, segundo vários participantes, a um capítulo que lembra a insuficiência geral de compromissos de redução de emissões acordados em Paris para manter o aumento de temperatura a 1,5ºC.

Antes de “finalmente levantar o bloqueio”, disse um observador que pediu anonimato.

No passado, Riad muitas vezes se opôs à ação da ONU contra o aquecimento global, seja em relatórios do IPCC ou em negociações para chegar a um acordo sobre reduções de emissões.

E embora no final de 2015 o reino tenha adotado o Acordo de Paris, que visa colocar o planeta “bem abaixo de 2°C”, ele se opôs ao 1,5°C solicitado pelos Estados mais vulneráveis.

FONTE: G1

Um pouco de história sobre o relatório que alerta para o risco das mudanças climáticas

O ano era 1988 e o mundo ainda estava dividido entre o capitalismo e o socialismo. O Muro de Berlim, construído em 1961, com mais de 60 quilômetros de grade metálica, partia ao meio a Alemanha, separando também amigos, famílias. Neste contexto conturbado, em reuniões especializadas e longe dos debates políticos, cientistas se debruçavam sobre um assunto que já preocupava especialistas desde meados do século XIX: a Terra estava aquecendo mais do que a situação polarizada que se estava enfrentando. E a culpa deste fenômeno era do homem.

James Hansen, então diretor da Nasa, levou o assunto para o Congresso dos Estados Unidos, e foi ouvido por políticos que suavam camisas num junho especialmente quente em Washington. Só depois deste discurso é que o aquecimento global começou a ser tema também entre as cabeças que tomavam decisões sobre políticas públicas na nação mais rica. E, é claro, quando Estados Unidos passaram a atentar para os eventos que poderiam vir como resultado de oceanos mais quentes, terras mais secas, tempestades e furacões, o mundo todo passou a olhar para isso também.

Em novembro de 1988, ainda sob a Guerra Fria, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês) das Nações Unidas lançava seu primeiro relatório. Era o primeiro órgão científico estruturado para aconselhar governos nesta questão. As previsões deste primeiro estudo não eram muito consistentes para o Hemisfério Sul e trópicos. Mas as centenas de cientistas de 25 países, que voluntariamente se debruçaram sobre dados antigos que demonstravam o movimento da natureza desde que a atmosfera começou a ser torpedeada com toneladas de gases poluentes, foram firmes em detalhar os efeitos disso. O principal deles, à época, era o aumento de temperatura no Sul da Europa e na América do Norte:

“As temperaturas terão um aumento maior do que a média global, e serão acompanhadas por precipitações de verão e solo úmido”, escreveram os cientistas.

Os dados do estudo ainda continham uma informação bastante alarmante para quem mora em regiões costeiras e para os países-ilha do Pacífico: “um aumento do nível do mar de cerca de seis centímetros a cada década, ao longo do próximo século, devido à expansão térmica dos oceanos e ao derretimento de gelo terrestre, que vai ter como resultado 20 cm a mais no nível médio do mar até o fim do próximo século”.

Três décadas se passaram, e hoje o IPCC lançou, na cidade de Incheon, na Coreia do Sul, mais um relatório. A mídia internacional, como sempre, cobre o evento com pompa e circunstância, como deve ser, divulgando os estudos feitos agora por centenas de cientistas de 190 países. Escrevo este texto na noite de domingo (7), enquanto na outra tela do meu computador eu sigo os resultados das nossas eleições. Não têm sido tempos fáceis para ninguém, mas seja qual for o eleito, e sejam quais forem os detalhes do relatório do IPCC, certo é que será preciso rever hábitos de produção e de consumo. E que isto não vai depender só de nós.

O estudo atual perturbou bastante a Arábia Saudita, país que acabou de se comprometer a aumentar a produção de petróleo do país, após receber um pedido do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. É bom lembrar que Trump se autointitula um cético do clima. Segundo apurou a agência France Presse, a Arábia Saudita tentou bloquear o relatório, os representantes do país que ajudam a montar o estudo não responderam as últimas mensagens eletrônicas. O que o país do petróleo quer é que a parte do texto referente à produção do combustível fóssil seja reformulada.

Um participante das reuniões resumiu bem a questão para a agência de notícias que o entrevistou:

“Isso se tornou uma batalha entre a Arábia Saudita, um rico produtor de petróleo, e pequenos Estados insulares ameaçados de extinção”, disse, preferindo ficar no anonimato.

De acordo com as regras de consenso do IPCC, todos os países devem assinar o texto de um resumo de 20 páginas para formuladores de políticas, criado para fornecer aos líderes informações objetivas e baseadas na ciência. A passagem que desagradou à Arábia Saudita é a que afirma que compromissos nacionais voluntários para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, anexados ao tratado climático de Paris de 2015, não conseguirão limitar o aquecimento a 1,5ºC. Tais promessas, segundo os cientistas, na melhor das hipóteses, produziriam um aquecimento de 3 graus no fim do século, muito acima do limite de 2 graus estabelecido no Acordo de Paris ratificado pelos países.

Se houver impasse, os presidentes de uma reunião do IPCC podem anular o comentário de um ou de alguns países, registrando a objeção em uma nota de rodapé. É raro um país querer ter seu nome num asterisco de rodapé, mas parece que a Arábia Saudita não está se importando muito com isso.

Acordei cedo para acompanhar a divulgação do relatório minuto a minuto feita pelo “The Guardian”, e as diretrizes que os cientistas sugerem seguir não estão longe das expectativas. Vai ser necessário, na visão de Jo House, pesquisador de Ciência e Política Ambiental no Instituto Cabot da Universidade de Bristol, um dos cientistas que ajudou no relatório, “substituir rapidamente as emissões de combustíveis fósseis por tecnologias de energia renovável de baixo custo que já estão amplamente disponíveis”.

E o imbróglio é tão difícil que será necessário, ao mesmo tempo, proteger as florestas, já que elas serão fonte direta da bioenergia. Por isso, o IPCC já está preparando – e lançará no ano que vem – um Relatório Especial sobre Mudança Climática e Terra.

As ameaças são grandes demais e não podem ser enfrentadas sem que haja uma coalizão entre os líderes empresariais e de governo. Como escreveu George Monbiot, colunista de meio ambiente do “The Guardian”, o consumo consciente, a redução das sacolas plásticas, ou qualquer outra ação voluntária dos cidadãos são importantes, mas o meio eficaz, verdadeiro, de promover uma mudança, será a ação política.

O assunto clima precisa entrar na agenda, mesmo tendo um opositor forte, como o presidente Donald Trump, que já anda arregimentando outros personagens de alto escalão da política mundial. Hoje o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, também se colocou nesta categoria de “cético”, classificando de “bobagens” as conferências internacionais sobre o clima.

Enquanto isso, no Brasil, estamos vivendo uma oportunidade de espremer de cada um dos dois candidatos que se enfrentam para ocupar a cadeira presidencial por quatro anos, algum compromisso em relação ao relatório do IPCC. É preciso fazer valer os esforços mundiais para conter a degradação que virá, e não está longe de chegar. O estudo diz que se o mundo continuar a aquecer nos níveis atuais, as temperaturas globais devem chegar a 1,5º C entre 2030 (ou seja, daqui a doze anos) e 2052.

Vou continuar acompanhando e, como sempre, trarei novas informações para vocês sobre o tema.

FONTE: G1