quarta-feira , novembro 14 2018
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Atingidos na tragédia de Mariana buscam apoio contra a depressão

Tânia Rêgo/Agência Brasil/Agência Brasil

 

“Eu cheguei a um quadro alguns meses atrás que parecia que viver ou morrer era a mesma coisa. Perdi a vontade, a perspectiva foi a zero. Mas quando tenho esses pensamentos, eu lembro do meu pai que está com 88 anos e vai precisar muito de mim ainda. Nós morávamos a 10 metros de distância. Hoje ele está em outra casa, e eu estou a dois quilômetros dele. Ele chora por causa dessa situação e aquilo corta o coração da gente.”

O depoimento de Romeu Geraldo de Oliveira, 43 anos, é apenas um de vários relatos de depressão entre os moradores atingidos pelo maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil e que hoje (5) completa três anos. Ele morava no distrito Paracatu, em Mariana (MG), quando a lama de rejeitos que escapou da barragem da mineradora Samarco devastou toda a comunidade.

Romeu Geraldo de Oliveira, de 43 anos, morador de Paracatu.
Romeu Geraldo de Oliveira, 43 anos, é um dos moradores que desenvolveu depressão depois da tragédia ambiental ocorrida em Mariana (MG) – Tânia Rêgo/Agência Brasil

As obras de reconstrução dos distritos atrasaram e, enquanto o reassentamento não ocorre, os atingidos vivem na área urbana do município, em casas alugadas pela Fundação Renova, que foi criada para reparar todos os danos causados.

Romeu disse que só melhorou depois de procurar apoio profissional. “Eu sou muito calado, não tenho aquela iniciativa de procurar alguém para desabafar. E acabo segurando para mim. Mas chegou um ponto que eu não estava aguentando. E o atendimento psicológico tem me ajudado demais”, relata.

Estudo

Em abril deste ano, a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou um estudo sobre a saúde mental dos atingidos na tragédia. O levantamento mostrou que quase 30% deles sofrem com depressão. O percentual é cinco vezes superior ao constatado na população do país. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2015, 5,8% dos brasileiros tinham depressão.

Os resultados do estudo apontaram ainda para o diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada em 32% dos entrevistados, prevalência três vezes maior que a existente na população brasileira. Índices preocupantes também foram constatados em relação ao risco de suicídio e ao uso de substâncias psicotrópicas, como álcool, tabaco, maconha, crack, cocaína.

O estudo foi conduzido em parceria com a Cáritas, entidade escolhida pelos atingidos que moram em Mariana para prestar assessoria técnica no processo de reparação.

“O ócio é muito triste. As pessoas estão em um processo de adoecimento porque, na cidade, o modo de vida é completamente alterado. E além de terem perdido suas atividades cotidianas, os vizinhos não se encontram mais. Drogadição, alcoolismo, depressão. Algumas situações já existiam na comunidade, mas foram aguçadas após o rompimento da barragem”, diz Ana Paula dos Santos Alves, assessora técnica da Cáritas.

Problemas de saúde

Em Gesteira, distrito de Barra Longa (MG), a situação não é diferente. A lama que alcançou a comunidade através do Rio Gualaxo do Norte também trouxe impactos para além da destruição das casas. “Subiu a pressão, começou a ter problema no coração, está tomando um punhado de remédios”, conta Pedro Estevão da Silva, 54 anos, sobre sua mãe, que perdeu o lote onde tinha uma horta.

Distrito de Barra Longa. A comunidade foi parcialmente encoberta pela lama que chegou pelo rio Gualaxo do Norte. Na foto, Antônio Marcos da Costa, morador de Gesteira.
 Antônio Marcos da Costa, morador de Gesteira, tem lidado com as complicações na saúde de sua mãe depois do desastre em Mariana (MG) – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Antônio Marcos da Costa também está lidando com as complicações na saúde de sua mãe. “Ela já morava na parte alta de Gesteira, que não foi afetada, mas tinha uma relação muito forte com a casa onde eu morava, que tinha sido dos meus avós. Ela ia lá todos os dias, ajudava a cuidar da casa e do meu tio, que morava comigo e tem problemas mentais. Ela acabou tendo um problema de depressão muito forte. E até hoje não foi reconhecida como atingida”.

Atualmente, a mãe de Antônio Marcos, de 50 anos, toma seis medicamentos diferentes e faz acompanhamento com psiquiatra particular que a atende regularmente em Ponte Nova (MG). O apoio profissional permitiu uma melhora. Segundo Antônio, as consultas tem custado R$ 350 por mês e ainda há os gastos com o transporte até o município vizinho.

“Acho que ela é até mais atingida do que eu. Eu perdi a casa, mas a saúde vem antes das questões materiais”, diz.

A organização escolhida pelos atingidos de Gesteira para oferecer assistência técnica, Aedas, garantiu a Antônio Marcos que irá atuar pelo reconhecimento de sua mãe como um dos atingidos, o que lhe garantirá tratamento e indenização.

Saúde mental

Em Mariana, a psicóloga Maíra Almeida Carvalho é uma das profissionais que vem atuando exclusivamente com os atingidos que sofreram deslocamento forçado dos distritos para a área urbana do município. Ela foi contratada pela Secretaria Municipal de Saúde em janeiro de 2016, três meses após o rompimento da barragem. O salário é pago pela Fundação Renova, que firmou um compromisso judicial de suplementar os serviços de saúde pública em Mariana e em Barra Longa.

Segundo Maíra, atuam na equipe 10 profissionais, incluindo psiquiatra, assistente social, arte terapeuta, psicólogo e terapeuta ocupacional. Eles acompanham cerca de 350 famílias.

“Há uma reavaliação contante junto à Secretaria Municipal de Saúde sobre a necessidade de novas contratações. Atualmente é a equipe que temos e que tem dado conta de atender as demandas”, diz.

De acordo com Maíra, a atenção profissional será necessária mesmo após o reassentamento.

A psicóloga relata que processos de adoecimento foram agravados nos períodos de maior desesperança. Ela também destaca que a saúde mental dos atingidos sofre o impacto dos conflitos familiares, das rupturas, dos processos de separação, e das divergências no processo de reassentamento.

Entrevista com o promotor Guilherme de Sá Meneghim, titular da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mariana (MPMG). (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Para o promotor Guilherme Meneguin, a questão da saúde mental dos moradores atingidos merece mais atenção Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Há um sofrimento relacionado com esse processo de adaptação, com a espera pelo reassentamento, com o tempo prolongado envolvendo as negociações. Alguns estão diretamente envolvidos na luta pela garantia de direitos. É uma rotina de muitas reuniões e compromissos, o que é cansativo”, avalia.

Na visão do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a questão merece ainda mais atenção. “Ajuizamos há cerca de 4 meses uma ação especificamente sobre saúde dos atingidos. Temos audiência marcada para o dia 8 de novembro. Esperamos chegar a um acordo, mas se não houver, mais a frente, o juiz terá que julgar”, diz o promotor Guilherme Meneghin. Segundo ele, a equipe designada está sendo insuficiente e a Fundação Renova precisa ampliar os repasses ao município para novas contratações.

Além do medicamento

Para a diretora-executiva de engajamento, participação e desenvolvimento institucional da Fundação Renova, Andrea Aguiar Azevedo, além da suplementação na saúde pública dos municípios, é preciso buscar soluções para além dos medicamentos.

“Estamos atuando, por exemplo, através da oferta de trabalho e da socialização nos espaços de convívio, como a Casa do Saber, onde os atingidos de Mariana têm a chave, podem ir lá fazer festas, reuniões, cursos, cerimônias”, relata.

José do Nascimento de Jesus, conhecido como Zezinho do Bento, acredita que o melhor remédio é a casa pronta. Em sua opinião, os atrasos no reassentamento geraram desconfiança e estão diretamente ligados a alguns casos de depressão.

José dos Nascimento de Jesus, conhecido como Zezinho do Bento, presidente da Assciação Comunitária de Bento Rodrigues, no canteiro de obras da nova Bento Rodrigues.
José dos Nascimento de Jesus, conhecido como Zezinho do Bento, presidente da Associação Comunitária de Bento Rodrigues, no canteiro de obras do distrito – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Aos 73 anos, ele é presidente da Associação Comunitária de Bento Rodrigues e tem feito o esforço de ir todos os dias à obra. A reconstrução do distrito, cuja conclusão era prevista inicialmente para o início do ano que vem, começou apenas em julho deste ano. A entrega está estimada para agosto de 2020.

“Se você ficar dentro de casa, a tendência é a depressão mesmo. Eu tento motivar as pessoas. Na semana passada, trouxe uma senhora de 80 anos. Ela ficou satisfeita e voltou segura de que a casa dela vai sair. Acho que é um caso a menos de depressão”, diz Zezinho do Bento.

 

FONTE: AGÊNCIA BRASIL / EBC 

Operação ‘Mineração’ detecta irregularidades em 46% das fábricas de tijolos e ardósia fiscalizadas no Centro-Oeste de MG

Segundo a Polícia Militar de Meio Ambiente, falta de licença ambiental foi o tipo de situação mais encontrada.

Fábricas de tijolos e ardósia foram alvo de fiscalização no Centro-Oeste mineiro — Foto: Assessoria/Sejudh-MT
Fábricas de tijolos e ardósia foram alvo de fiscalização no Centro-Oeste mineiro — Foto: Assessoria/Sejudh-MT

O balanço final da Operação “Mineração”, iniciada na terça-feira (23), aponta que 46% das fábricas de tijolos e ardósia que atuam com algum tipo de irregularidade em seis municípios do Centro-Oeste de Minas.

O resultado da fiscalização conduzida pela Polícia Militar de Meio Ambiente foi divulgado no início da noite desta quinta-feira (25), quando os trabalhos foram encerrados.

De acordo a polícia, ao todo, foram fiscalizados 64 empreendimentos nas cidades de Papagaios, Maravilhas, Pequi, Igaratinga, Pitangui e Itaúna.

O objetivo da fiscalização foi apurar possíveis crimes ambientais cometidos por esses empreendimentos, além de levantar um diagnóstico da quantidade de empresas e a situação do setor de extração mineral na região.

Irregularidades

Em nota, a polícia informou que a maioria das irregularidades encontradas se relaciona à falta de licença ambiental. O número de empresas nessa situação não foi informado.

O órgão declarou também que 14 empresas receberam notificações para regularização ambiental. e outras sete foram autuadas por causarem degradação ambiental.

Três empreendimentos de britagem de rochas também foram autuados. Segundo a Polícia Ambiental, atualmente, existem aproximadamente 90 empresas de beneficiamento de rochas não metálicas em operação na região.

Em dois dias de operação, foram aplicados R$ 365.750,25 em multas, conforme a polícia, que também não informou as cidades onde estão instaladas as fábricas autuadas. Durante os três dias de trabalho, foram empenhados 65 militares.

FONTE: G1 

Mineradora terá de apresentar plano para fechar mina na Serra do Curral, diz CMBH

Segundo legislativo municipal, Empabra segue com atividades de mineração suspensa e foi multada.

Mineradora terá de apresentar plano para fechar a Mina Corumi, na Serra do Curral, em BH — Foto: Reprodução/TV Globo
Mineradora terá de apresentar plano para fechar a Mina Corumi, na Serra do Curral, em BH — Foto: Reprodução/TV Globo

 

A Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra) no bairro Taquaril, na Região Leste de Belo Horizonte, terá de apresentar um plano para fechar a Mina Curumi, na Serra do Curral. A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) informou nesta terça-feira (23) que a empresa já foi notificada e as atividades de mineração seguem suspensas.

Conforme a CMBH, onde ocorre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Mineração, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente Desenvolvimento Sustentável (Semad) havia dado um prazo a Empabra para apresentar defesa sobre as irregularidades na mineração, mas a empresa não conseguiu se justificar.

Em julho, a Semad suspendeu as atividades da Empabra. A mineradora não havia cumprido quatro determinações do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2017 por meio da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) Central Metropolitana.

Conforme a Semad na época, a Empabra também não atendeu três obrigações socioeconômicas e uma relacionada à instalação de sistema de limpeza de rodas de caminhões usados no transporte de minério.

Dados do projeto de recuperação ambiental da área apresentados pela mineradora à Semad e à Prefeitura de Belo Horizonte estariam divergentes. A Embrapa informou ao estado uma quantidade de extração de minério quatro vezes maior que o informado ao município o que equivale a 425 piscinas olímpicas a mais.

A mineradora também deveria ter apresentado a retirada de material em locais específicos. Uma grande movimentação de solo ainda foi observada em locais não previstos, inclusive fora da área autorizada para mineração. Além da paralisação, a empresa foi multada em R$ 50,4 mil.

Conforme a Câmara de BH, atualmente, a Empabra está autorizada apenas a dar continuidade às ações previstas para a recuperação do meio ambiente.

G1 tenta contato com a empresa.

FONTE: G1