sexta-feira , abril 10 2020
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Tragédia de Brumadinho gera indenizações trabalhistas e pagamentos de benefícios do INSS; ENTENDA

Agência promete fim de barragens como a de Brumadinho e aponta lobby

Diretor diz que há lacunas na lei, pressão do setor e falta de recursos para fiscalização

O diretor da ANM (Agência Nacional de Mineração) Eduardo Leão diz que falta de recursos, lacunas na legislação e lobby das mineradoras são entraves à fiscalização no setor e promete, como resposta à tragédia em Brumadinho (MG), medidas para acabar com barragens semelhantes no Brasil.

Estabelecida oficialmente no fim de 2018, a agência é responsável pela aprovação e fiscalização de projetos de mineração no país. O órgão herdou a estrutura do extinto DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

À Folha Leão defendeu a atuação do DNPM após o rompimento da mina da Samarco em Mariana(MG), em 2015, que deixou 19 mortos, mas reconheceu que as medidas tomadas não foram suficientes para evitar a tragédia da Vale —até esta quarta-feira (6), eram 150 mortos e 182 desaparecidos.

Após Mariana, a ANM proibiu a construção de novas barragens com alteamento a montante, como as duas que romperam, e criou um sistema online de acompanhamento de dados de monitoramento das barragens, que devem ser enviados a cada 15 dias pelas mineradoras.

Leão diz que as últimas informações enviadas pela Vale a respeito da barragem 1 da mina de Córrego do Feijão não indicavam problema.

Por isso, uma medida de reforço é a exigência de monitoramentos diários.

Outra, “mais enérgica”, segundo ele, é a publicação de portaria determinando o fim das barragens com alteamento a montante, como as de Mariana e Brumadinho, técnica considerada menos segura. São 88 estruturas no país.

Segundo o diretor da ANM, o texto deve ser finalizado ainda nesta semana, obrigando os empreendedores a retirar os rejeitos e devolver a área à natureza ou realizar obras mudando as características das barragens para outro método.

“Estamos tentando dar um basta nisso”, afirmou. “Esse tipo de barragem é imprevisível. Isso não é uma coisa só no Brasil, é internacional. No Canadá, por exemplo, é conhecida como monstro silencioso.”

Mais barato, por usar menos terra em sua construção, o alteamento a montante é proibido no Brasil desde 2016. A eliminação das existentes, porém, implicará custo extra para as mineradoras, o que pode criar resistências.

“A gente sabe que a mineração é muito importante, não só para desenvolvimento do Brasil mas para o desenvolvimento local. Nosso interesse não é quebrar nenhum município, não é deixar pessoas desempregadas”, diz.

Segundo Leão, a agência finaliza os estudos sobre prazos e condições para as obras nas barragens. Há grande preocupação no setor com as estruturas instaladas em minas de ouro, que contêm produtos químicos prejudiciais à saúde e ao ambiente.

Leão reclama que a agência não tem capacidade de fiscalizar com maior frequência as 740 barragens de mineração. O quadro de servidores caiu de 1.140 em 2010 para 820 em 2018. Neste ano, 300 entram em condições de se aposentar.

Por lei, o órgão tem direito a 7% da arrecadação de royalties, que em 2018 somaram R$ 3 bilhões, mas a cota nunca é entregue.

Ele se queixa ainda de lacunas na legislação, como indefinições sobre a atribuição para aprovar planos de emergência e as baixas multas.

Na mina Córrego do Feijão, o refeitório estava localizado abaixo da barragem. O plano previa que seria atingido em um minuto, em caso de acidente. “Aquele refeitório não deveria estar ali”, diz Leão, que já foi funcionário da Vale.

As multas foram objeto de projeto de lei no Senado, que subiria a punição máxima dos atuais R$ 3.600 para R$ 30 milhões foi engavetado.

“Tanto a questão de barragens quanto a questão das multas já foram pauta no Senado e realmente não andaram”, reclamou Leão, dizendo crer que “tenha tido algum lobby para arquivar esses projetos”.

Quando lhe foi perguntado se esse lobby prejudica o trabalho da agência, respondeu que sim.

“Infelizmente, tem empresas sérias, que a gente conhece, que em alguns momentos acabam formando um cartel que não permite esses avanços”, disse, sem citar nomes.

FONTE: Folha de São Paulo

MP e Polícia Civil discutem responsabilidade penal pela tragédia de Brumadinho

A responsabilização penal pelo rompimento das barragens da mineradora Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi um dos assuntos tratados em encontro entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nessa terça-feira (5), em Belo Horizonte.

Na reunião, o procurador-geral de Justiça, Antônio Sérgio Tonet, recebeu o chefe da PCMG, Wagner Pinto de Souza, e a delegada Ana Cláudia Perry, superintendente de Investigações e Polícia Judiciária. Segundo Tonet, a reunião entre os chefes das duas instituições foi para acertar detalhes com o objetivo de dar continuidade ao trabalho conjunto.

“A Polícia Civil tem sido uma grande parceira do Ministério Público desde o início das investigações, logo após o rompimento das barragens, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro”, afirmou Tonet.

De acordo com o MPMG, o trabalho conjunto resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e na prisão temporária de cinco pessoas, com o objetivo de apurar as responsabilidades criminais pela tragédia.

 

FONTE: Hoje em Dia 

Equipamentos indicavam sinais de alteração no volume de água da barragem em Brumadinho, aponta investigação

A força-tarefa que investiga o desastre da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirmou nesta terça-feira (5) que os equipamentos de segurança indicavam sinais de alteração no volume de água no corpo da barragem.

Uma foto de satélite, feita antes do rompimento, mostra um dos detalhes que chamaram a atenção dos investigadores. A pequena lagoa que aparece dentro da barragem. Isso indicaria, segundo especialistas, um problema de saturação, ou seja, de excesso de água no reservatório de rejeitos.

número confirmado de mortos chegou a 150. Até agora, 182 pessoas seguem desaparecidas.

A força-tarefa que investiga o caso afirma que a mineradora identificou o excesso de água bem antes do rompimento, em junho do ano passado, quando foi feita a última revisão periódica da barragem. Naquela época, segundo as investigações, teria havido uma tentativa de drenar o reservatório que, além de não surtir o efeito desejado, agravou o problema.

Fontes ligadas à investigação confirmaram que a mineradora tentou acelerar o processo de drenagem instalando um sistema conhecido como DHP – dreno horizontal profundo. Para fazer os furos na barragem teria sido adotado um método que usa um jato de água pressurizado. A tarefa foi abortada, ainda de acordo com as investigações, na instalação do 15º tubo porque os técnicos perceberam que a água estava ficando presa dentro do maciço, em vez de retornar pela abertura.

Um vídeo, incluído na investigação, gravado próximo da barragem depois da tragédia, mostra que havia uma tubulação de captação de água rompida, lançando água em direção ao reservatório que desmoronou.

As autoridades apuraram que havia nascentes acima da barragem. Segundo elas, isso pode ter contribuído para gerar a saturação. Ainda de acordo com os investigadores, antes do rompimento, alguns piezômetros acusaram volume de água acima do normal.

A Polícia Federal tenta comprovar se também houve falha no sistema de drenagem.

A Vale declarou que colabora com as autoridades desde os primeiros momentos após o rompimento. Segundo a mineradora, é importante ressaltar que não houve registro de aumento do nível de água no maciço da barragem. Ainda de acordo com a empresa, os dados indicam uma redução do nível da água na seção principal da estrutura.

A Vale declarou, ainda, que após a instalação dos drenos horizontais profundos, como medida adicional de segurança depois de uma auditoria regular, em 2018, foi feita uma inspeção em toda a barragem e não se detectou nenhuma anomalia.

A empresa também afirmou que duas auditorias foram realizadas, em junho e setembro do ano passado, por uma empresa de renome internacional, que atestaram a segurança física e hidráulica da estrutura. A vale declarou, ainda, que não havia nascente no corpo da barragem.

FONTE: G1

CSN diz que braço de mineração tratará 100% dos rejeitos a seco ainda neste ano

A CSN afirmou nesta terça-feira (5) que todo o tratamento de rejeitos de seu braço de mineração será feito a seco até o final deste ano.

“Atualmente, o tratamento de rejeitos a seco já cobre 40% do volume dos rejeitos e, até o fim de 2019, a CSN Mineração estará processando 100% dos rejeitos a seco, descartando a utilização de barragens para disposição de rejeitos”, afirmou a companhia em comunicado.

A CSN, que afirma ter investido R$ 250 milhões nos últimos dois anos em tecnologia de empilhamento a seco, disse que o descomissionamento e posterior revegetação da Barragem Casa de Pedra, em Congonhas (MG), são consequências do rejeito a seco, mas que o processo é de longo prazo.

Localização da Barragem Casa de Pedra, da CSN Mineração, em Congonhas (MG) — Foto: Reprodução/Google Maps
Localização da Barragem Casa de Pedra, da CSN Mineração, em Congonhas (MG) — Foto: Reprodução/Google Maps

FONTE: G1

Prefeitos de cidades mineradoras vão a Brasília para cobrar soluções para o setor

Integrantes da Associação de Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) e o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração se reuniram nesta terça-feira (5) em Brasília. O encontro foi para discutir soluções para o setor depois do rompimento da Barragem de Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, pertencente à Vale.

Eles pediram à entidade que lidere as atividades de desativação das dez barragens que fazem alteamento a montante, estrutura semelhante as de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais.

De acordo com a Amig, a paralisação das atividades da mineradora traz impactos na arrecadação dos municípios e o que se reflete nos investimentos em saúde, educação e infraestrutura.

“Nós vamos perder só da Vale, R$ 1 milhão”, disse o prefeito de Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, Zelinho (PSDB).

Na reunião foi solicitada uma reestruturação da Agência Nacional de Mineração para dar mais agilidade às demandas das cidades mineradoras e para que as ações de fiscalização e segurança de barragens sejam mais efetivas.

“Os municípios são 100% a favor de qualquer barragem que ofereça risco seja interrompido imediatamente, mas também são 100% a favor que a mineração consiga um modelo imediato de se continuar a operação para que os municípios, estados ou país não tenham um caos social implantado”, disse o representante e consultor de relações institucionais da Amig, Waldir Salvador de Oliveira.

Promessa antiga

O anúncio do presidente da Vale, Fabio Schvartsman, em acabar com as barragens a montante em Minas Gerais, modelos adotados em Brumadinho e Mariana, é uma promessa antiga da mineradora.

Segundo nota da própria empresa divulgada nesta quinta-feira (31), o descomissionamento das 19 estruturas existentes no estado já havia sido determinado em 2016, ano da tragédia provocada pelo rompimento da barragem da Samarco, pertencente à Vale e à BHP Billiton.

“Ao longo dos últimos anos, todas elas tornaram-se inativas e mantiveram os seus laudos de estabilidade emitidos por empresas especializadas e independentes”, diz mineradora.

Nove delas teriam sido descomissionadas. O processo encerra o uso da barragem. A estrutura restante é reincorporada ao relevo.
FONTE: G1

NOTA DE ESCLARECIMENTO SEMAD – Monitoramento na Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba

Em decorrência do rompimento da Barragem B1, no complexo da Mina Córrego Feijão, da Mineradora Vale/AS, em Brumadinho, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semad) intensificaram o monitoramento na Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, na área atingida pelos rejeitos. O trabalho vem sendo feito por meio de um plano de monitoramento emergencial da qualidade das águas e dos sedimentos, elaborado menos de 24 horas após o acidente.

O plano é desenvolvido em conjunto com a Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais (Copasa), a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). O documento contempla a seleção dos pontos de coleta, dos parâmetros analisados e da frequência da coleta das amostras, com o objetivo de avaliar o grau de interferência nos recursos hídricos afetados. Permitirá ainda a avaliação dos níveis de poluição e degradação ambiental.

Os últimos resultados apontam que as alterações da qualidade da água que podem ser vinculadas ao desastre da Barragem B1 podem ser verificados em uma distância aproximada de até 42 quilômetros do local do rompimento. Um desses aspectos avaliados é o índice de turbidez que, para cursos d’água de classe 2, como é o Paraopebada, deve ser de até 100 UNT (unidade nefelométrica de turbidez). Entretanto as últimas análises do Igam constatam valores cerca de 5 vezes acima neste trecho.

As amostras de água são retiradas em 10 pontos de coleta distribuídos ao longo de 300 quilômetros, entre Brumadinho e Felixlândia. O primeiro ponto fica antes da confluência do córrego Ferro-Carvão, na localidade de Melo Franco, em Brumadinho, e o último, a 318 quilômetros dali.

As análises da água tiveram início em 26 de janeiro de 2019, primeiro dia após o desastre. Na ocasião, foram observadas as maiores concentrações dos parâmetros monitorados. De maneira geral, esses valores apresentaram redução ao longo dos dias.

 

METAIS PESADOS

Desde o dia 4 de fevereiro, os resultados das análises de metais pesados não registram valores acima dos estabelecidos em legislação para o Rio Paraopeba. Nas medições anteriores a essa data, as análises registraram presença de metais pesados mercúrio, cádmio, zinco, mercúrio chumbo, níquel, bário e cobre. No caso dos metais níquel, cádmio e zinco, não há mais ocorrência desde o dia 2 de fevereiro.

Por causa da ocorrência desses materiais nas primeiras análises, a Semad, em conjunto com as Secretarias Estaduais de Saúde, e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) comunicaram que a água do Rio Paraopeba apresenta riscos à saúde humana e animal.

Diante disso e por segurança à população, os órgãos citados passaram a não recomendar a utilização da água bruta do Rio Paraopeba para qualquer finalidade, até que a situação fosse normalizada. A orientação é válida desde a confluência do Rio Paraopeba com o Córrego Ferro-Carvão até Pará de Minas.

Para manter o abastecimento, o Governo do Estado de Minas Gerais determinou que a Vale fornecesse água potável para as comunidades afetadas. Os detentores dos direitos de captação afetados também puderam solicitar junto ao Igam autorização prévia para intervenção emergencial, em corpo hídrico, de nova captação, em alternativa à intervenção regularizada impactada. Deste modo, eles tiveram seus processos de outorga priorizados pelo Estado a fim de minimizar impactos sociais e econômicos decorrentes, em virtude do interesse público.

Os Informativos diários da avaliação da qualidade da água feitos pelo Igam são disponibilizados diariamente na internet, no endereço www.igam.mg.gov.br

Estruturas de barragens dão sinais antes de ruir, afirmam especialistas

Apontado como a causa da tragédia de Brumadinho, o fenômeno da liquefação do solo é conhecido, calculável e evitável, segundo engenheiros e geólogos ouvidos pela reportagem. Todo projeto de engenharia de barragens, dizem, deve levar em consideração essa possibilidade. Segundo eles, o monitoramento bem feito é imprescindível à segurança dessas estruturas.

Os rejeitos de uma barragem de minério são compostos, basicamente, de ferro em partículas muito finas, areia e água. Essa combinação é propensa ao fenômeno da liquefação. Quando o volume e a pressão da água aumentam por algum motivo, o solo tende a se liquefazer.

Na edificação de uma barragem, é um dos principais fatores a serem considerados nos cálculos para a construção e a segurança da estrutura. Sobretudo quando ela é ampliada – caso da elevação à montante, técnica de construção usada em Brumadinho e também em Mariana, em Minas, onde a barragem também ruiu em 2015.

Ainda assim, destacam especialistas, o rompimento de barragem por causa desse fenômeno nunca acontece de modo instantâneo. As únicas exceções aceitáveis seriam fenômenos extremos, como terremotos.

Além disso, o colapso é um processo que dura algumas semanas, dá sinais claros e pode ser monitorado. “A hipótese da liquefação é uma das levantadas quando se projeta uma barragem”, diz o professor Mario Riccio Filho, da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora. “É preciso calcular se a fundação aguenta a carga a ser imposta, se há estabilidade na inclinação, se o piso é adequado, o potencial de liquefação, os pontos em que pode ocorrer, tudo isso.”

A drenagem da água da barragem é outro aspecto crucial, que precisa estar bem azeitado. Em termos de monitoramento, diz, os piezômetros são aparelhos usados para medir a pressão da água em pontos-chave.

 

FONTE: Hoje em Dia

Briga por ‘paternidade’: três deputados apresentaram pedidos de criação de CPI da Mineração

19º Legislatura – Trabalhos na Assembleia foram intensos no primeiro dia após o recesso dos parlamentares mineiros

 

A abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o rompimento da barragem do Feijão, em Brumadinho, gerou uma corrida entre deputados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Três assinam diferentes pedidos para a criação do grupo. O interesse pela “paternidade” da proposta gerou até fila e revezamento de assessores no fim de semana, tudo para garantir que o protocolo não fosse efetivado em nome do “colega”.

Quem acabou ficando com o primeiro lugar foi o deputado Sargento Rodrigues (PTB), que entregou, às 8h, um documento com 65 assinaturas de outros parlamentares. O mínimo exigido para formar uma comissão desse tipo é de 26, ou seja, um terço dos membros da Assembleia.

“Como deputados estaduais, precisamos assumir nossa responsabilidade. A CPI é o instrumento legal mais vigoroso de que o parlamento dispõe”, disse Sargento Rodrigues. Como está à frente do pedido para a abertura da CPI das Mineradoras, ele terá lugar garantido na comissão, formada por sete membros.

Autores dos dois outros requerimentos, Beatriz Cerqueira (PT) e Doutor Wilson Batista (PSD) registraram posteriormente pedidos semelhantes na Casa.
Eleito na sexta-feira passada presidente da Assembleia, Agostinho Patrus (PV) poderá acolher ou não o pedido de Sargento Rodrigues. Se a solicitação for aceita, caberá aos líderes das bancadas da Casa legislativa indicar </CW>os demais participantes.

Reforma
O início da 19ª legislatura na Assembleia de Minas também será marcado pelo envio da reforma administrativa proposta pelo governador Romeu Zema (Novo). O chefe do Executivo estadual deve enviar à Casa o projeto que permitirá o enxugamento da máquina pública, bem como a redução e fusão de secretarias.

O governo promete austeridade, principalmente para equacionar as dívidas herdadas da gestão anterior e colocar em dia o pagamento do servidores estaduais, que tiveram inclusive o 13º salário parcelado em 11 vezes.

A assessoria do governo informou apenas que o plano está sendo finalizado.

O vice-líder do governo na Assembleia, Guilherme da Cunha (Novo), avalia que Zema terá bom trânsito para aprovação dos projetos prioritários na Casa. “Estamos em uma situação de calamidade financeira, o que significa que a gestão não vai ser fácil. Contudo, a relação com os deputados será harmoniosa”, garante.

O parlamentar disse que, neste momento, o foco se concentra no desastre de Brumadinho, mas que o equilíbrio das contas por meio da reforma e de um ajuste fiscal é prioridade da gestão. “O ajuste fiscal passa por uma negociação com o governo federal que já está em curso. Já a reforma administrativa está sendo finalizada para ser enviada à Assembleia em breve”, pontuou.

Caixa dos municípios
Ontem também, outro parlamentar que correu para protocolar projeto foi o deputado Coronel Sandro (PSL). Estreante na Casa, ele quer regularizar os repasses de impostos aos municípios mineiros, como IPVA e ICMS.

Coronel Sandro é o autor do pedido para suspender os efeitos do Decreto 47.296, de 27 de novembro de 2017, que retém verbas das prefeituras.

De acordo com o parlamentar, a derrubada do decreto vai permitir o crédito dos 25% do ICMS pelo Banco do Brasil nas contas dos municípios. O mesmo valerá para o IPVA. “Com isso, a instituição financeira não poderá mais reter os valores que pertencem aos municípios por força da Constituição Federal”, defendeu.

Julvan Lacerda, presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Moema, vê com bons olhos a proposta. “É uma boa ação para automatizar os repasses. A nossa esperança é que a situação seja normalizada daqui para frente”, avaliou.

Municípios temem perder receita após tragédia em Brumadinho

 

Prefeitos de cidades mineradoras de Minas Gerais vão hoje a Brasília discutir questões como a finalização da apuração das dívidas de mineradoras e os impactos da decisão da Vale de interromper as atividades do setor em barragens mineiras. A diretoria da Associação de Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) deve se encontrar com representantes do Ministério das Minas e Energia, da Secretaria Nacional de Geologia e Mineração e da Agência Nacional de Mineração.

A entidade, que convocou prefeitos de todo o Brasil para a ida a Brasília hoje, vai cobrar, por exemplo, o repasse da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) dos municípios impactados e gravemente afetados pela mineração, e a implementação do Programa Permanente de Relações Institucionais para tratar os assuntos relevantes da mineração brasileira, como barragens, compensações socioambientais, fiscalizações, licenciamento e troca de informações sobre atividades. Além disso, será discutida a decisão da mineradora Vale de paralisar a produção em cidades mineradoras que possuem barragens construídas com o método de alteamento a montante.

A Amig recebeu com perplexidade a decisão da mineradora. A medida, de acordo com a entidade, irá impactar toda a cadeia econômica dos municípios onde as barragens estão localizadas, inclusive com a redução do pagamento da Cfem, os royalties da mineração.

O presidente reeleito da Amig, Vitor Penido, reforça que a decisão repentina da Vale traz prejuízos enormes para as cidades e para Minas Gerais e, acima de tudo, afeta diretamente os serviços de educação, saúde e de infraestrutura da população, oriundos da Cfem.

A legislação determina que os royalties devem ser pagos obrigatoriamente pelas mineradoras pela exploração às cidades minerárias e também às cidades impactadas, mas os critérios que beneficiam os municípios impactados ainda não foram definidos pela ANM.

 

FONTE: Hoje em Dia 

Desmonte de barragens dará às empresas lucro com material extraído de rejeitos

 Desmonte de barragens dará às empresas lucro com material extraído de rejeitos
Sobrevoo em área afetada pelo rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, da Vale: troca de estruturas por processamento de minérios sem água também dá ganho às mineradoras (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

 

Além da despesa que a mineradora Vale anunciou, na forma de investimentos de R$ 5 bilhões, para desativar e recompor as áreas de 10 barragens de rejeitos de minério de ferro em Minas Gerais dentro de três anos, a empresa terá lucro, e lucro que promete ser farto com o reaproveitamento de toneladas de ferro acumulado  nos reservatórios que têm sido usados em minas antigas do estado. A tecnologia de processamento de rejeitos ainda ricos em ferro não é nova e já vem sendo usada pelas mineradoras no Brasil. Se por um lado o processo demanda gastos, de outro, uma vez recuperado o ferro contido em material que havia sido descartado no passado vira dinheiro futuro num mercado internacional de concorrência acirrada pelo minério que alimenta siderúrgicas na Ásia, Europa e nos Estados Unidos.

Diferentemente da crença de que minério não dá duas safras, a exploração das reservas minerais do estado passou por várias ondas. Minas forneceu a chamada hematita por décadas, material mais rico em ferro e que hoje praticamente não é mais encontrado. Depois vieram os chamados itabiritos, com teores menores ao ser retirados na forma natural, mas que numa fase intensificada pelo setor ganham valor mediante a elevação desses teores durante o processo de tratamento nas indústrias.

É com esses minérios que ganham qualidade nos processos industriais nas minas e o ferro de altos teores de Carajás, no Pará, que as exportações mineiras e brasileiras, respectivamente, enfrentam a competição com os produtores australianos. O professor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Hernani Mota de Lima, destaca que embora o custo de recuperação desse material nas barragens seja pesado, tende a cair quanto maior for a quantidade de ferro ainda contida nos rejeitos e que pode ser negociada pelas empresas.

“Temos barragens de rejeitos com teor de ferro superior ao do minério de algumas minas hoje em operação no estado”, afirma Hernani Mota. O engenheiro de minas e professor da Ufop lembra que em projetos de desativação de barragens (chamados de descomissionamento pelas empresas), o mais comum é que depois de retirados os rejeitos, esse material passe por etapa de tratamento em máquinas e equipamentos para que seja extraído o ferro ainda contido nele. Ao fim do processo, o rejeito virou produto.

Para Minas, o benefício será ficar livre dos barramentos e de devastadores rompimentos, como os que ocorreram na mina da Samarco em Mariana e na reserva da Vale em Brumadinho, na medida em que as empresas passarem, também, a usar o sistema de tratamento a seco de minérios, ou seja, sem o uso de  água para lavá-los de impurezas. Nesses casos, os rejeitos saem secos do processo industrial, que usa britadores e grandes peneiras, e são empilhados sob controle, evitando rompimentos e vazamentos.

“Temos barragens de rejeitos com teor de ferro superior ao minério de algumas minas hoje em operação no estado”


Necessidade
 O custo de recuperação do ferro nos resíduos das barragens que serão desativadas é alto, como destaca Hernani Mota, devido ao fato de se tratar de material muito fino. “Se antes a Vale faria o processo de desativação das barragens de forma mais lenta e integrada ao sistema produtivo nas minas, agora se trata de uma necessidade (para evitar o risco de rompimento) e será também uma forma de capitalização para a companhia”, afirma o professor da Ufop.

Consultor da indústria da mineração e ex-executivo de grandes empresas do setor ouvido pelo Estado de Minas, que prefere o anonimato, afirmou à reportagem que o retorno do plano de desativação das barragens anunciado pelo Vale dependerá do resultado econômico-financeiro do processo. “É retirar os resíduos e reprocessá-los. Nada pode ser feito de maneira abrupta.”

A fonte observa que os preços do minério de ferro caíram do céu ao inferno. Em bons tempos de crescimento mundial, já chegaram a US$ 150 por tonelada e em períodos de crise despencaram, movimentando-se na casa de US$ 70 a US$ 80 a tonelada. Neste ano, a expectativa, inclusive nas projeções da Vale, é de cotações na casa dos US$ 90. Para adequar custos e ganhos, as siderúrgicas começaram a buscar os chamados blends (misturas) de minério de alta qualidade com material de teores mais baixos de ferro.

Reduzir o volume de rejeitos que passam por processos que demandam água é a outra questão imperativa para a indústria. “Cada vez mais o setor terá de falar da mineração a seco”, afirma o especialista. Reportagem do EM mostrou na semana passada que grandes mineradoras que exploram ricas reservas de ferro há décadas na Região Central de Minas Gerais com barragens convencionais classificadas pelos órgãos fiscalizadores na mesma categoria dos reservatórios da Vale que romperam em Mariana e Brumadinho estão investindo para desativá-las.

Têm projetos em desenvolvimento ou já desenvolveram empresas como a Mineração Usiminas, o grupo Gerdau e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Para se livrar do risco das barragens, elas implantaram,na exploração das minas, o sistema de tratamento do material a seco, que consiste no empilhamento dos rejeitos, quase na forma de pó. A própria Vale informou, em meados de 2016, que já tinha a intenção de reduzir o uso das barragens e adotar o processamento a seco.

FONTE: Estado de Minas