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Bolsonaro diz que Brasil não sediará conferência climática da ONU em razão do custo

O presidente eleito Jair Bolsonaro — Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL-RJ) disse neste sábado (15) em sua conta no Twitter que o Brasil não sediará a conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2019, porque o evento geraria um custo de mais de R$ 500 milhões ao país.

O Brasil havia inicialmente se apresentado para organizar a COP 25, na qual líderes mundiais irão debater sobre a questão climática, no entanto, Bolsonaro pressionou o governo Michel Temer a desistir de sediar o evento internacional.

A Conferência do Clima da ONU discute mudanças climáticas no mundo e trata de alternativas para melhorar as condições do clima, em especial no trabalho para a redução dos gases de efeito estufa.

Segundo o presidente eleito, o gasto para sediar no ano que vem a conferência “poderia constranger o futuro governo a adotar posições que requerem um tempo maior de análise e estudo”. Com a desistência brasileira, a COP 25 será realizada no Chile em novembro.

Jair M. Bolsonaro

@jairbolsonaro

Abrimos mão de sediar a Conferência Climática Mundial da ONU pois custaria mais de R$500 milhões ao Brasil e seria realizada em breve, o que poderia constranger o futuro governo a adotar posições que requerem um tempo maior de análise e estudo. O Estadão esnoba o bom jornalismo!

No final de novembro, o Ministério das Relações Exteriores argumentou que a decisão de abrir mão da organização do evento internacional tinha se baseado em restrições fiscais e orçamentárias e também no processo de transição para o futuro governo.

“Tendo em vista as atuais restrições fiscais e orçamentárias, que deverão permanecer no futuro próximo, e o processo de transição para a recém-eleita administração, a ser iniciada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro viu-se obrigado a retirar sua oferta de sediar a COP 25”, comunicou o Itamaraty em nota.

Afinado com ruralistas, Jair Bolsonaro já declarou que, na avaliação dele, o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente. Ele também alega que os agricultores brasileiros estão sufocados por questões ambientais.

Em meio à campanha eleitoral, ele ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris – tratado assinado por 195 países com o objetivo de reduzir o aquecimento global – porque, na visão dele, o Brasil teria de abrir mão de 136 milhões de hectares na Amazônia e, de acordo com Bolsonaro, isso afetaria a “soberania nacional”.

FONTE: G1

Eventos causados por mudanças climáticas causaram a morte de 11,5 mil pessoas em 2017

Um recado forte, inquestionável, baseado em números reais colhidos em instituições sérias, será dado hoje (4) em Katowice, na Polônia, aos representantes dos 194 países que estão debatendo sobre um novo paradigma civilizatório para enfrentar os riscos trazidos pelas mudanças climáticas na COP24. O recado há de alcançar também os céticos do clima, que parece terem se multiplicado depois que Donald Trump e outros líderes decidiram se contrapor à ciência e se negarem a aceitar as evidências. É o seguinte: ao todo, em 2017, 11.500 pessoas morreram por causa de eventos climáticos extremos. E os prejuízos ficaram em US$ 375 bilhões (calculado em paridade de poder e compra).

Os dados acima fazem parte de um relatório volumoso chamado Índice Global de Risco Climático, divulgado pela organização alemã Germanwatch com base no banco de dados NatCatSERVICE da empresa de resseguros Munich Re, bem como nos dados socioeconômicos do Fundo Monetário Internacional (FMI). É a 14ª edição do relatório e, na comparação com o estudo publicado ano passado, muita coisa piorou. O Brasil subiu dez posições no ranking dos mais impactados, passando para o 79º lugar. Portugal também subiu dez casas, agora está quase entre os dez que mais sofrem com tempestades, furacões, tufões, secas. E os Estados Unidos tiveram a maior mudança: passaram da 28ª para a 12ª posição.

Principal autor do estudo, David Eckstein falou durante a apresentação, lembrando que as tempestades foram muito mais fortes do que nunca e causaram impactos desastrosos:

“Em 2017, Porto Rico e Dominica foram atingidos por Maria, um dos furacões que mais causaram mortes e prejuízos já registrados. Porto Rico ocupa o primeiro do ranking dos países mais afetados por eventos climáticos em 2017, com a Dominica em terceiro lugar. Nepal, Peru e Vietnam também estão entre os primeiros, seguidos por Madagascar, Serra Leoa, Bangladesh e Tailândia”.

O estudo também foi feito considerando os últimos vinte anos. Neste caso, o número de mortos sobe para mais de 526 mil pessoas em 11.500 eventos extremos que causaram um impacto econômico de US$ 3,47 trilhões. Os maiores danos foram provocados por tempestades e suas implicações diretas – enchentes, deslizamentos de terra. E é clara, segundo os estudos científicos, a ligação entre mudanças do clima e furacões, tempestades e toda a tragédia que cerca tais fenômenos.

Estudos científicos recentes encontraram uma clara ligação entre mudanças do clima e furacões. E também sugerem que o número de tempestades tropicais severas vai aumentar com cada décimo a mais na temperatura do planeta. Se o aquecimento ficar entre 1,5 ou 2 graus (como prevê o Acordo de Paris), espera-se, verdadeiramente, que o número total de ciclones tropicais diminua.

Sendo assim, o melhor que se tem a fazer é preparar as cidades, o meio rural, para as tempestades de maneira a que elas causem menos danos às pessoas. O relatório sugere algumas práticas, como a construção de plantios flutuantes em Bangladesh e a plantação de árvores de mangue, que tem dado certo em Porto Rico. Em outubro deste ano foi criada a Comissão Global de Adaptação, com 17 países, sob a coordenação da líder da COP24 e CEO do Banco Mundial, Kristalina Georgieva, e de Ban Ki-moon, ex-secretário-geral da ONU. A ideia é lançar, em outubro de 2019, uma linha de ação.

Dos dez países mais afetados entre 1998 e 2017, oito são países emergentes, no grupo dos mais pobres. São eles: Honduras, Myanmar, Haiti, Filipinas, Nicarágua, Bangladesh, Paquistão, Vietnam e Dominica. Interessante observar que quando o ranking é feito entre 1997 e 2016, há uma mudança no primeiro lugar. É que a devastação feita pelo furacão Maria elevou Porto Rico ao primeiro colocado no ranking dos mais atingidos, enquanto Dominica fica em décimo lugar.

O relatório chama a atenção para o fato de que as perdas financeiras quando eventos extremos atingem os países ricos são maiores e há muito mais mortes quando atingem os países pobres. E, como se vê na reportagem do jornal britânico “The Guardian” escrita pela jornalista e ativista ambiental Naomi Klein, até hoje Porto Rico ainda tenta se reerguer da tragédia provocada pelo furacão em suas terras.

A jornalista mostra com clareza uma outra face, a política, dos desastres provocados pelas mudanças climáticas.

Será crucial – diz o Índice que aponta a vulnerabilidade de cada um dos 194 países das Nações Unidas – que o Livro de Regras da COP24 faça forte menção às perdas e danos provocados pelos eventos extremos. São riscos muito severos para, simplesmente, serem usados na hora da negociação. É preciso estar escrito e é preciso que os métodos de adaptação, como previsto no ODS 13 (Tomar Medidas Urgentes para Combater a Mudança Climática e seus impactos) sejam postos em prática.

FONTE: G1

Secretário-geral da ONU pede aposta por economia verde em abertura da COP 24

Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, discursa no segundo dia da COP24, nesta segunda (3). — Foto: AP Photo/Czarek Sokolowski

O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, pediu nesta segunda-feira (3), na sessão inaugural da Conferência do Clima do Clima da ONU, a COP24, que acontece em Katowice, na Polônia, que governos e investidores apostem “na economia verde, não no cinza da economia carbonizada”.

Guterres também lembrou a necessidade de “mobilizar recursos o mais rápido possível para diminuir o avanço da mudança climática” durante o seu discurso aos delegados presentes na cúpula. Destacou, ainda, a oportunidade econômica que a transição para um modelo econômico que respeite o meio ambiente representa.

“Mas para conseguir isso, é preciso eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, que tanto prejuízo causam ao meio ambiente”, acrescentou o secretário-geral da ONU, uma mensagem que poderia ter sido dirigida expressamente à Polônia, país anfitrião da COP e no qual 80% da energia é baseada no carvão, um mineral que recebe fortes subsídios na economia polonesa.

Guterres defendeu a mobilização “sem demora dos US$ 100 bilhões anuais” que os países desenvolvidos se comprometeram a investir no Acordo de Paris de 2015.

Nenhum dos líderes dos principais países desenvolvidos compareceu à conferência.

Polônia “nunca vai desistir do carvão”, diz presidente

O presidente polonês, Andrzej Duda, afirmou também nesta segunda (3) em coletiva de imprensa que o país, que sedia a COP pela terceira vez, não tem planos para remover completamente o carvão das suas fontes de energia.

Segundo a agência de notícias americana AP, Duda disse que “não há planos hoje para abandonar totalmente o carvão”, já que os suprimentos da Polônia podem durar mais de 200 anos. Ele disse que o carvão era o “combustível fóssil estratégico” da Polônia, garantindo sua segurança e soberania energética, e “seria difícil não usá-lo”.

Veja onde fica Katowice, na Polônia, que irá sediar a COP 24 — Foto: Claudia Peixoto/Arte G1
Veja onde fica Katowice, na Polônia, que irá sediar a COP 24 — Foto: Claudia Peixoto/Arte G1

FONTE: G1

ONG brasileira participa de eventos nos EUA com 20 povos indígenas em combate às mudanças do clima

Dois eventos preparatórios para a 24ª Conferência do Clima da ONU (COP24) ocorrem entre os dias 10 e 14 de setembro na Califórnia.
(Foto: Janelle Lapointe/via Reuters)

A organização não-governamental brasileira Uma Gota no Oceano estará presente em dois grandes eventos que são uma preparação para a 24ª Conferência do Clima da ONU (COP24). São eles: Governors’ Climate and Forests Task Force e Global Climate Action Summit, que ocorrem entre os dias 10 e 14 de setembro em São Francisco, na Califórnia.

Estarão reunidos 45 indígenas, de 20 povos diferentes dos seguintes países: Brasil, Estados Unidos, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala, México, Indonésia, Bolívia e Guiana.

De acordo com Maria Paula Fernandes, da Uma Gota no Oceano, a associação independente Guardiões da Floresta também estará no local. Ela representa povos indígenas da América Latina e da Indonésia, incluindo a Articulação Brasileira dos Povos Indígenas (Apib).

Maria Paula contou ao G1 que pela primeira vez um povo indígena dos Estados Unidos estará presente: os Yurok. Eles devem falar sobre o combate aos incêndios florestais e a retirada de barragens dos rios. A ONG brasileira deverá ajudar na elaboração de estratégias de divulgação sobre as ideias e projetos elaborados junto aos povos indígenas.

“Do Brasil, Maria Judite Guajajara discorre sobre a experiência do povo Guajajara do Maranhão no trabalho de prevenção a incêndios, que frequentemente atingem a Terra Indígena Arariboia, na Amazônia maranhense”, disse.

Nesses eventos em São Francisco, as pautas irão girar em torno dos novos compromissos para negociar com os líderes mundiais na prevenção do aquecimento global. São cinco áreas principais a serem debatidas: Sistemas de Energia Saudáveis, Crescimento Econômico Inclusivo, Comunidades Sustentáveis, Manejo Terrestre e Oceânico e Investimentos Climáticos Transformadores.

“A importância da participação do Brasil nesses encontros é fundamental, pois o país abriga 60% da maior floresta tropical do mundo, que é fundamental para a regulação do clima e dos regimes de chuva em boa parte do planeta, e as terras Indígenas são suas áreas mais preservadas”, disse Maria Paula.

A COP24

Neste ano, a COP24 está marcada para o início de dezembro e deverá encerrar a negociação sobre os critérios de implementação do Acordo de Paris, firmado em 2015.

Em estudo publicado em outubro de 2017, a ONU avalia que as metas estabelecidas representam apenas um terço do que é necessário para combater as mudanças climáticas. Por isso, há uma expectativa de que elas sejam revistas, com uma maior ambição dos países do Acordo em preservar o meio ambiente.

Segundo Maria Paula, a principal preocupação do Brasil deverá ser com a redução do desmatamento.

“O Brasil hoje está na contramão da agenda de clima, com desmatamento em alta, meio ambiente virando moeda de troca entre o governo e a bancada ruralista e subsídios bilionários ao petróleo. Caberá ao novo governo demonstrar que vai recolocar o Brasil de volta no caminho da responsabilidade climática”, disse.

Segundo ela, também é importante um maior investimento em fontes de energia limpas e renováveis. “Hoje, por exemplo, se sabe que hidrelétricas construídas em florestas são altamente poluentes, pois seus reservatórios emitem metano, gás causador do efeito estufa ainda mais potente do que o CO2”.

FONTE: G1