quarta-feira , dezembro 19 2018
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Brasil ganha prêmio ‘Fóssil do Dia’ na Polônia por declarações de Bolsonaro

COP 24 aconteceu na Polônia — Foto: Reuters

 

Caros leitores, este blog tem o desprazer de anunciar que o Brasil recebeu, na Conferência do Clima que está acontecendo na Polônia, o prêmio Fóssil do Dia. Trata-se de uma premiação irônica que acontece em todas as COPs, não oficial, organizada pela Climate Network, que reúne mais de mil ONGs ambientalistas por todo o mundo. E o motivo da premiação foi o fato de o presidente eleito Jair Bolsonaro ter declinado de sediar aqui a próxima reunião para debater mundialmente sobre o clima, que vai acontecer no ano que vem.

Mas, não só isto: os premiadores também levaram em conta as declarações do próximo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Em sua rede social, Araújo menospreza os estudos científicos que comprovam o aquecimento global, dando a ele uma esdrúxula significação: “marxismo cultural globalista” — que até hoje ficamos assim, sem entender muito o que é.

Não foi a primeira vez que o Brasil ganhou este prêmio, é verdade. No ano passado, durante a Conferência que foi realizada na Alemanha, em Bonn, uma medida provisória que propõe reduzir os impostos da exploração e produção de pretróleo e gás também pôs o país na berlinda desta forma nada lisonjeira. Mas, este ano, a curiosidade é que o prêmio foi concedido por causa de declarações de um presidente que ainda nem está ocupando o cargo. Isto é raro.

De Katowice, onde está acompanhando as negociações, o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Márcio Astrini, comentou sobre a premiação:

“É um prêmio diferente. Nunca antes na história das COPs um presidente recebeu o prêmio antes mesmo de assumir como chefe de Estado. A exceção tem uma justificativa. Em pleno século XXI, quando mais de 190 países rumam para salvar o mundo das mudanças climáticas, baseados em centenas de cientistas e milhares de estudos, o futuro presidente do Brasil resolveu dar as costas para os esforços globais, ameaça sair do Acordo de Paris e tomar medidas que farão explodir o desmatamento e a ilegalidade na Amazônia. Para completar, ainda anunciou que não vai hospedar mais a COP 25. O aquecimento global, que atinge, principalmente, a população pobre, já causou secas e chuvas extremas, prejuízos enormes à agricultura e à infraestrutura no Brasil e em todo planeta. Portanto, o prêmio é pelo conjunto da obra prometida por Bolsonaro, que ainda nem assumiu, mas já é considerado em todo o mundo como um inimigo do clima e do meio ambiente”, disse Astrini.

É difícil estarmos, nós brasileiros que nos preocupamos com os avanços dos impactos causados pela falta de atenção e cuidado com o ambiente que nos cerca, no centro das atenções deste jeito. Gera um sentimento de derrota que não desgruda. Mas, assim como depois do 7 a 1, é também um convite para reflexões, mais do que necessárias, sobre o momento atual.

Os ambientalistas que nos ofereceram o prêmio dizem, com razão, que os planos do presidente eleito para a floresta amazônica, até agora explicitados, não são motivo de riso ou de ironia. A coisa é séria.

“Ele prometeu acabar com o controle do desmatamento, abrir terras indígenas para grandes negócios, matar o licenciamento ambiental e até mesmo fechar o Ministério do Meio Ambiente. Os criminosos ambientais estão ouvindo atentamente: entre agosto e novembro, as taxas de desmatamento subiram 32%, e um estudo recente estima que pode chegar a 25 mil quilômetros quadrados por ano, com emissões resultantes de três bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Isso é tchau a 1,5 graus”, dizem eles na explicação do prêmio.

Se serve de consolo, o Brasil não foi o único a receber a premiação Fóssil do Dia na Polônia. Dividimos os holofotes dos corredores do Centro de Convenções onde está acontecendo a Conferência com a Arábia Saudita, país velho conhecido por causar bastante problemas durante os debates. Funciona assim: o texto final da Conferência vai recebendo, durante todo o período das negociações, que dura 14 dias, sugestões de acréscimos ou de retiradas de algumas expressões que possam agradar mais ou desagradar mais a uns e outros países. Como se vê, não é nada fácil costurar um texto desses. A Arábia Saudita, neste ano, decidiu implicar com a expressão “mecanismo de ambição” para chegar ao 1,5ºC no fim do século.

É preciso ambição, sim. Mas a ambição pode acabar justificando atitudes severas a favor do desenvolvimentismo. E, certamente, muita gente vai acabar defendendo o presidente eleito justamente porque ele leva a acreditar que o melhor caminho para o Brasil alcançar o progresso é acabando com a “farra” das pessoas que querem preservar o meio ambiente. Um imbróglio eterno que vai marcar nossa civilização.

FONTE: G1

Bolsonaro chega a Brasília e avalia nomes para o Meio Ambiente

Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Na expectativa do anúncio do comando do Meio Ambiente, o presidente eleito Jair Bolsonaro chegou a Brasília e seguiu direto para o gabinete de transição, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O primeiro compromisso do dia é uma conversa com Tereza Cristina, confirmada para o Ministério da Agricultura.

Bolsonaro têm reiterado que as duas áreas precisam trabalhar conjuntamente. Tereza Cristina que presidente a Frente Agropecuária da Câmara já sinalizou que poderia contribuir com a definição do nome para o Meio Ambiente.

Entre nomes cotados está o do advogado Ricardo Salles, fundador do Movimento Endireita Brasil, ex-diretor Jurídico da Sociedade Rural Brasileira e do Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional. Salles foi também secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Outro nome sob avaliação é o do engenheiro agrônomo e escritor Francisco Graziano. Graziano ocupou diversos cargos públicos, entre eles, os de secretário estadual do Meio Ambiente (2007-2010), de deputado federal pelo PSDB/SP (1998-2006), secretário estadual de Agricultura (1996-98), presidente do Incra (1995) e chefe de gabinete pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995).

Partidos

Além de completar seu ministério, Bolsonaro tem em Brasília a missão de se aproximar mais dos parlamentares. Acompanhado do ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni, que assumirá a Casa Civil, Bolsonaro se reunirá com representantes do MDB e PRB. As duas bancadas dos partidos deverão estar entre as maiores na próxima legislatura. Na quarta-feira (5), a reunião será com o PR e PSDB.

Entre as conversas com deputados, há ainda a previsão de receber visitas de cortesia do embaixador do Japão e do deputado federal Marco Feliciano, ainda nesta manhã. No início da tarde, Bolsonaro tem reunião com o ministro indicado para a Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno; em seguida, recebe o governador eleito do Paraná, Ratinho Junior (PSD).

Bolsonaro diz que pode manter Ministério do Meio Ambiente

O candidato do PSL à presidência da República, Jair Bolsonaro, admitiu que poderá manter o Ministério do Meio Ambiente independente, sem fundir a pasta com o Ministério da Agricultura, como vinha defendendo desde o início da campanha. A informação foi divulgada em uma transmissão ao vivo pelo Facebook na noite desta quarta-feira (24).

“Da minha parte, estou pronto para negociar. Falei para o pessoal do agronegócio que isso era importante. Alguns estão discordando. Vamos chegar ao meio termo. E, se for mantido dois ministérios, eu vou colocar, como ministro do Meio Ambiente, uma pessoa que não tem vínculo com o que há de pior nesse meio. O coitado do agricultor quer uma licença ambiental e isso leva dez anos. Vamos preservar o meio ambiente, mas não vamos atrapalhar a vida de quem quer produzir no Brasil”, disse Bolsonaro.

O candidato disse que também vai manter o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. “Recebemos a visita de homens da indústria do Brasil, falando dos problemas e de como eu poderia resolver essas questões deles. Falaram que gostariam que o Ministério da Indústria e Comércio continuasse existindo. Vamos atendê-los. Se esse é o interesse deles, para o bem do Brasil, vamos atender”, disse.

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, fala à imprensa.
O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, disse que pode manter Ministério do Meio Ambiente – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mais empenho

Bolsonaro também fez uma apelo aos deputados eleitos pelo PSL para se empenharem mais em sua campanha, deixando de lado disputas estaduais e se concentrarem na eleição presidencial. “Não acabou ainda. Vocês sabem que se elegeram, em grande parte, pelo meu trabalho a presidente da República. Então a gente apela para que não se preocupem com as campanhas de governador de seus estados”, disse.

O candidato citou o exemplo de São Paulo, onde há disputa pelo segundo turno para o governo do estado e parte dos deputados eleitos pelo partido apoia João Doria (PSDB) e parte, Márcio França (PSB).  “O objetivo de vocês é Jair Bolsonaro, depois é França ou Dória. O que está em jogo é a cadeira presidencial”, declarou.

Bolsonaro também usou o tempo de transmissão para desmentir notícias veiculadas nas redes atribuídas a ele. Uma delas é que ele legalizaria o jogo no país, o que foi rebatido, com o candidato se dizendo contra a prática, que, segundo ele, seria usada para lavar dinheiro e levar infelicidade às famílias. Está atualmente em tramitação no Senado um projeto de lei (PLS 186/2014), que prevê a legalização dos jogos de azar e a reabertura dos cassinos no país.

O candidato do PSL ainda comentou as últimas pesquisas do Ibope, que mostram ligeira vantagem do candidato Fernando Haddad (PT) sobre ele na cidade de São Paulo. “O Ibope, na capital de São Paulo, diz que o Haddad me passa. Está com 51% e eu com 49%. Só que no primeiro turno ele teve 20%. Ele passou de 20% para 51%, em 15 dias. Eu passei de 44% para 49%. Tão querendo acertar os números para a eleição de domingo. Temos que desconfiar ou não temos? Temos que acreditar, desconfiando”, disse Bolsonaro, que gravou nesta quarta-feira, durante a tarde, seu último programa eleitoral.

Votação

Em uma entrevista à noite, o candidato desmentiu que não vá votar no próximo domingo (28), na Vila Militar, por questões de segurança. Bolsonaro disse que, se estiver bem de saúde, vai votar sem problema algum, mas reafirmou que a possibilidade de um atentado contra ele não está descartada.

“Existe a possibilidade sim de um atentado. Isso as inteligências do Brasil me mantém informado de uma forma ou de outra. Temos de tomar o devido cuidado, mas eu pretendo votar sim”. O candidato disse também que a segurança dele está sendo mais importante do que sua própria saúde. “Qualquer deslocamento meu é precedido de uma série de medidas, o que não é normal num país como o nosso. Mas tendo em vista o que eu represento no momento para grupos mais variados possíveis pra o sistema, nós temos que ficar ligados e preocupados com essa possibilidade”.

 

FONTE: EBC