terça-feira , outubro 15 2019
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Lama de barragem matou o Rio Paraopeba, conclui estudo da SOS Mata Atlântica

Especialista em recursos hídricos da fundação afirma que a Bacia do Paraopeba está ‘sem condições de vida aquática e do uso da água’, mas que pode voltar a viver

Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão afetou o manancial, segundo relatório da ONG (foto: Edésio ferreira/EM/DA Press)

Arrasado pela lama de rejeitos que vazou da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão da Vale, em Brumadinho, o Rio Paraopeba, um dos importantes afluentes do Rio São Francisco e que garante o abastecimento de 2,3 milhões de pessoas, incluindo habitantes da Região Metropolitana de Belo Horizonte, tornou-se um “rio morto”, “sem condição de vida aquática e do uso da água pela população”. A tragédia ocorreu em 25 de janeiro e deixou até ontem 180 mortos e 130 desaparecidos. O estado do manancial é semelhante ao Rio Doce, devastado pelos rejeitos de minérios da Barragem do Fundão, da Samarco, em Mariana, em 5 de novembro de 2015.

A dramática situação do Rio Paraopeba é apontada pela especialista em recursos hídricos Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica, que comandou uma expedição pelo Rio Paraopeba, no período de 31 de janeiro a 9 de fevereiro, a fim de averiguar os impactos da lama de minérios da barragem de Brumadinho na bacia. A especialista apresentou o relatório, mostrado na edição de ontem no Estado de Minas, com o resultado da expedição na Câmara dos Deputados, em Brasília, na manhã de ontem.

“É muito difícil constatar em um relatório técnico de qualidade da água que o Rio Paraopeba, assim como o Rio Doce, está sem condições de vida aquática e de uso pela população em virtude da contaminação que recebeu dos rejeitos de minérios da barragem da mineradora Vale”, afirmou Malu Ribeiro. “A contaminação por metais pesados, a perda de oxigênio e, sobretudo, a perda de 112 hectares de floresta nativa de Mata Atlântica na região de cabeceiras do rio na região do Alto e do Médio Paraopeba trouxeram um enorme prejuízo para a biodiversidade e para várias espécies no momento que era o período final da piracema, quando os peixes sobem o rio para a desova e para procriação. Várias espécies estavam em momento pujante da vida.”

A representante da Fundação SOS Mata Atlântica chama atenção de que a destruição ambiental provocada pela lama de rejeitos na Bacia do Paraopeba tem outro agravante: o risco da proliferação de vetores de doenças, incluindo o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e da febre amarela. “Perdemos toda uma cadeia produtiva. Por isso, há um risco de proliferação de vetores insetos como o pernilongo da dengue, zika, chikungunya e da febre amarela. Há um ambiente nocivo, que favorece a proliferação dessa fauna nociva em desequilíbrio”, alerta.

SALVAÇÃO Malu Ribeiro diz que a “morte do Paraopeba” é culpa direta da lama de rejeitos e contaminação por metais pesados que saíram da barragem da Vale. “O que provocou esse terrível dano ambiental foi rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale, que, além de ter carreado toneladas de rejeitos de minérios para o leito do rio,  nascentes e toda Bacia do Paraopeba nesse trecho, acabou carreando também outros contaminantes, como todo o material de organismos em putrefação e decomposição às áreas produtivas com solos com fertilizantes e defensivos agrícolas. Tudo isso forma um grande volume de contaminantes”, comenta.

A especialista, contudo, diz que, embora o Paraopeba esteja um “um rio morto nesse momento”, ainda há esperança de que ele volte a “viver”.  “Quando a gente diz a morte do rio, não é uma morte permanente porque ele pode se recuperar.” Ela explica que a “volta” do importante afluente do Rio São Francisco depende de uma série de ações. “Para recuperar o Paraopeba será preciso recuperar as matas ciliares, redesenhar os meandros da geografia que o rio perdeu. (Será necessário) monitorar de forma permanente os reservatórios das usinas de Retiro Baixo e de Três Marias,  sendo estabelecidas pelos comitês das bacias do Rio Paraopeba e do próprio Rio São Francisco regras operacionais que permitam minimizar o carreamento de rejeitos e, principalmente, de metais pesados ao longo da Bacia do Rio São Francisco.

O RELATÓRIO
 A Expedição da Fundação SOS Mata Atlântica percorreu 2 mil quilômetros de estrada, ao longo de 21 municípios, para analisar a qualidade da água em 305 quilômetros do Rio Paraopeba afetados pelo rompimento da Vale. O relatório da expedição, apresentado ontem em Brasília, revela que a lama de rejeitos provocou um rastro de destruição ao longo do manancial, elevando o nível de metais pesados na água, que ficou imprópria para o consumo.

Os técnicos e especialistas da organização não-governamental (ONG) percorreram a extensão do Paraopeba que vai desde o Córrego do Feijão, em Brumadinho, até a Usina de Retiro Baixo, em Felixlândia, na Região Central de Minas. Os resultados do levantamento foram apresentados na manhã de ontem, na Câmara dos Deputados (Auditório Nereu Ramos), em Brasília.

Segundo relatório, em toda a extensão percorrida, a água não tem condições para o consumo humano e animal. Dos 22 pontos analisados, 10 apresentaram resultado ruim e 12 péssimo. Além disso, foram encontrados metais pesados na água, como ferro, manganês, cobre e cromo, em níveis muito acima dos limites máximos fixados na legislação. Ainda conforme o levantamento da Fundação SOS Mata, foram devastados pela lama rejeitos 112 hectares de florestas nativas, dos quais 55 hectares situados em áreas que, até então, eram “bem preservadas”.

Os participantes da expedição lembram que “a região do Alto Paraopeba, estratégica para a manutenção dos recursos hídricos da bacia e do Rio São Francisco, foi justamente a mais impactada com o despejo de 14 milhões (na verdade, 13 milhões) de toneladas de rejeitos de minério sobre as áreas”.

FONTE: Estado de Minas 

Projeto que reforça Política de Barragens está na pauta da Comissão de Meio Ambiente

Sistema Mineiro de Inovação – Simi

 

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) vai analisar, nesta quarta-feira (27), um projeto de lei que reforça a efetividade da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). A iniciativa está contida no PLS 224/2016, do ex-senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). A reunião do colegiado está marcada para às 11h30.

A proposição cria um comitê técnico para análise de acidentes com barragens, nos moldes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), e determina que projetos de barragens que envolvam alto risco potencial poderão ser validados, de forma complementar, por profissionais independentes, a critério do órgão fiscalizador.

O PLS 224/2016 também modifica os critérios para a inclusão de barragens na PNSB. Além disso, altera as definições dos termos barragem e empreendedor, inclui  definições de acidente e desastre e estabelece a responsabilidade civil objetiva do empreendedor por danos decorrentes de falhas da barragem independemente de culpa.

Crime hediondo

Para o relator, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a proposta supre lacunas existentes na lei referentes às obrigações dos empreendedores e à atuação dos órgãos fiscalizadores em segurança. O projeto foi elaborado após o relatório da Comissão Temporária da Política Nacional de Segurança de Barragens do Senado. A comissão foi criada após a tragédia em Mariana (MG), em 2015.

O relator apresentou emendas, entre elas, uma alteração na Lei 8.072/1990 para tornar hediondo o crime de poluição ambiental com resultado de morte. Além disso, deu prazo de 18 meses para a desativação de todas as barragens construídas pelo método de alteamento a montante. Em tal método — usado em Mariana e em Brumadinho — a barragem vai crescendo em degraus utilizando o próprio rejeito da mineração sobre o dique inicial.

Se for aprovado na CMA, o projeto segue direto para a Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso para votação no Plenário do Senado.

Requerimento

O outro item da pauta desta quarta-feira da CMA é um convite ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para uma audiência pública. O requerimento é do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que quer conhecer as diretrizes e os programas prioritários da pasta para os próximos anos.

Ricardo Salles vai ser um dos 14 ministros do governo Bolsonaro que devem ser ouvidos em audiências promovidas pelas comissões permanentes do Senado.

 

FONTE: AGÊNCIA SENADO

Tüv Süd não emitirá mais laudos para barragens até revisão de sistema

A empresa alemã de serviços de certificação de segurança Tüv Süd disse que informou à brasileira Vale que não tem condições de emitir novas Declarações de Estabilidade de Barragens (DCEs) até que todo o sistema de avaliação seja revisto, segundo comunicado da companhia nesta terça-feira (19), obtido pela Reuters.

A Tüv Süd, que assinou laudo sobre a estabilidade de uma barragem da Vale que rompeu em Brumadinho (MG) no mês passado, deixando centenas de mortos, afirmou ainda que está realizando investigações com ajuda de especialistas externos sobre seus processos internos e as potenciais causas do incidente.

Dois funcionários da auditora chegaram a ser presos após o desastre, mas ambos foram posteriormente liberados por decisão Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“Há uma maior incerteza sobre se o atual sistema de DCEs fornece uma declaração confiável sobre as condições de estabilidade das barragens e se pode ser considerado apropriado para proteção contra sérios riscos causados por barragens de rejeitos, em particular para vidas humanas e o ambiente”, disse a empresa.

“Considerando essas preocupações, a Tüv Süd informou à Vale que não está em posição de emitir nenhum futuro DCE e relatórios até que uma revisão completa do sistema (de avaliação) seja concluída”, acrescentou a Tüv Süd.

O subsecretário de Regularização Ambiental da secretaria do meio ambiente de Minas Gerais, Hidelbrando Neto, defendeu em entrevista à Reuters no início do mês que sejam realizadas mudanças em parâmetros técnicos utilizados para assegurar a estabilidade de barragens.

Na ocasião, o representante do governo mineiro lembrou que uma estrutura da Samarco que entrou em colapso em 2015 também aparecia como estável em laudo técnico.

“Quando a gente pega os dois desastres, e que nos dois casos tinha laudos garantindo a estabilidade, então tem algum parâmetro técnico que tem que ser revisto”, afirmou ele.

A Tüv Süd disse ainda que seria “absolutamente inaceitável” se declarações de estabilidade da empresa fossem assinadas “contra seu melhor julgamento”.

“Isso iria contra todas as regras da empresa e sua filosofia”, afirmou a empresa, sem detalhar.

A declaração vem após um dos funcionários da Tüv Süd que foram presos, o engenheiro Makoto Namba, ter afirmado a autoridades policiais que teria sido pressionado por funcionários da Vale a assinar o laudo de estabilidade da barragem de Brumadinho.

A Tüv Süd também elogiou medida anunciada nesta semana pela Agência Nacional de Mineração (ANM), que proíbe barragens de mineração a montante em todo o território nacional e estabelece cronograma para que as unidades existentes sejam descomissionadas.

“Nós apoiamos a decisão de que os padrões de segurança devem ser elevados e implementados nesse período de transição. Nós acreditamos que isso é de primordial importância”, afirmou a empresa.

FONTE: G1

Brumadinho: Funcionários da Vale presos prestam novos depoimentos

Agência promete fim de barragens como a de Brumadinho e aponta lobby

Diretor diz que há lacunas na lei, pressão do setor e falta de recursos para fiscalização

O diretor da ANM (Agência Nacional de Mineração) Eduardo Leão diz que falta de recursos, lacunas na legislação e lobby das mineradoras são entraves à fiscalização no setor e promete, como resposta à tragédia em Brumadinho (MG), medidas para acabar com barragens semelhantes no Brasil.

Estabelecida oficialmente no fim de 2018, a agência é responsável pela aprovação e fiscalização de projetos de mineração no país. O órgão herdou a estrutura do extinto DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

À Folha Leão defendeu a atuação do DNPM após o rompimento da mina da Samarco em Mariana(MG), em 2015, que deixou 19 mortos, mas reconheceu que as medidas tomadas não foram suficientes para evitar a tragédia da Vale —até esta quarta-feira (6), eram 150 mortos e 182 desaparecidos.

Após Mariana, a ANM proibiu a construção de novas barragens com alteamento a montante, como as duas que romperam, e criou um sistema online de acompanhamento de dados de monitoramento das barragens, que devem ser enviados a cada 15 dias pelas mineradoras.

Leão diz que as últimas informações enviadas pela Vale a respeito da barragem 1 da mina de Córrego do Feijão não indicavam problema.

Por isso, uma medida de reforço é a exigência de monitoramentos diários.

Outra, “mais enérgica”, segundo ele, é a publicação de portaria determinando o fim das barragens com alteamento a montante, como as de Mariana e Brumadinho, técnica considerada menos segura. São 88 estruturas no país.

Segundo o diretor da ANM, o texto deve ser finalizado ainda nesta semana, obrigando os empreendedores a retirar os rejeitos e devolver a área à natureza ou realizar obras mudando as características das barragens para outro método.

“Estamos tentando dar um basta nisso”, afirmou. “Esse tipo de barragem é imprevisível. Isso não é uma coisa só no Brasil, é internacional. No Canadá, por exemplo, é conhecida como monstro silencioso.”

Mais barato, por usar menos terra em sua construção, o alteamento a montante é proibido no Brasil desde 2016. A eliminação das existentes, porém, implicará custo extra para as mineradoras, o que pode criar resistências.

“A gente sabe que a mineração é muito importante, não só para desenvolvimento do Brasil mas para o desenvolvimento local. Nosso interesse não é quebrar nenhum município, não é deixar pessoas desempregadas”, diz.

Segundo Leão, a agência finaliza os estudos sobre prazos e condições para as obras nas barragens. Há grande preocupação no setor com as estruturas instaladas em minas de ouro, que contêm produtos químicos prejudiciais à saúde e ao ambiente.

Leão reclama que a agência não tem capacidade de fiscalizar com maior frequência as 740 barragens de mineração. O quadro de servidores caiu de 1.140 em 2010 para 820 em 2018. Neste ano, 300 entram em condições de se aposentar.

Por lei, o órgão tem direito a 7% da arrecadação de royalties, que em 2018 somaram R$ 3 bilhões, mas a cota nunca é entregue.

Ele se queixa ainda de lacunas na legislação, como indefinições sobre a atribuição para aprovar planos de emergência e as baixas multas.

Na mina Córrego do Feijão, o refeitório estava localizado abaixo da barragem. O plano previa que seria atingido em um minuto, em caso de acidente. “Aquele refeitório não deveria estar ali”, diz Leão, que já foi funcionário da Vale.

As multas foram objeto de projeto de lei no Senado, que subiria a punição máxima dos atuais R$ 3.600 para R$ 30 milhões foi engavetado.

“Tanto a questão de barragens quanto a questão das multas já foram pauta no Senado e realmente não andaram”, reclamou Leão, dizendo crer que “tenha tido algum lobby para arquivar esses projetos”.

Quando lhe foi perguntado se esse lobby prejudica o trabalho da agência, respondeu que sim.

“Infelizmente, tem empresas sérias, que a gente conhece, que em alguns momentos acabam formando um cartel que não permite esses avanços”, disse, sem citar nomes.

FONTE: Folha de São Paulo

Comitê do Rio das Velhas fará inspeções em barragens na região do Alto Rio das Velhas

Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas verifica situação de barragens entre Ouro Preto e Jequitibá. Receio é que material tóxico atinja manancial e prejudique abastecimento

 

Represa Mundo Mineração, em Rio Acima, está abandonada há cerca de sete anos e tem dupla classificação de alto risco: possibilidade de acidente e dano potencial (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

 

Equipes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) vão percorrer barragens localizadas ao longo do manancial entre Ouro Preto e Jequitibá, na Região Central de Minas Gerais. O objetivo é verificar as condições dos reservatórios nesse trecho, chamado de “Alto Velhas”. O receio é que diante de rompimentos, como ocorreu em Brumadinho e Mariana, o material armazenado nessas represas atinja o rio e o abastecimento de cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte seja prejudicado.

Levantamentos sobre as barragens das cidades ao longo do Alto Velhas estão sendo realizados pela área técnica do comitê, que é responsável pelas outorgas e barramentos. “Temos uma preocupação muito grande, como já anunciamos, com algumas barragens. Diferentemente do Paraopeba, que tem captação de água em represas e reservatórios, no Velhas se dá por meio de fio d’água. Então, caso aconteça algo semelhante como em Brumadinho, seria preciso interromper o abastecimento na região metropolitana. Lembrando que na Grande BH é feito meio a meio entre o Sistema Paraopeba e o Rio das Velhas”, pontuou Marcus Vinícius Polignano, presidente do CBH Rio das Velhas.

Entre as barragens que estão ao longo do trecho que será analisado pelo Comitê está a  da Mundo Mineração em Rio Acima, na Grande BH. O reservatório está abandonado há aproximadamente sete anos e armazena materiais tóxicos. O empreendimento está na lista dos que têm dupla classificação de alto risco – na possibilidade de acidentes e na extensão do dano potencial em caso de rompimento – como a barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho. Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a barragem será descomissionada, ou seja, será esvaziada e passará por posterior reabilitação.

“A barragem da Mundo Mineração, em Rio Acima, é uma mina antiga de ouro que foi abandonada. Está literalmente abandonada. Lá tem uma represa onde há uma concentração altíssima de metais pesados, inclusive o cianeto. Então, temos uma preocupação grande quanto ao destino final desta barragem, pois é potencialmente muito delicada”, afirmou Polignano.

A operação ainda se encontra na fase preliminar. Ainda está sendo feito, pela equipe técnica do Comitê, um estudo das barragens que se encontram em Ouro Preto e Jequitibá. “O grupo já tem reunião agendada a partir de semana que vem para discutir e traçar todo o processo de trabalho. Queremos agilizar o processo ao máximo para que possamos, de alguma forma, estar atentos a situação que se encontra no Velhas. Quero dizer que não é obrigação efetiva fazer isso, que é um papel efetivo do estado e do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), mas como a gente tem essa preocupação de responsabilidade de gestão da bacia hidrográfica, não podemos nos fazer omisso. É hora de exatamente ir atrás de respostas, e é isso que estamos fazendo”, concluiu o presidente do Comitê Rio das Velhas.

RIO PARAOPEBA Os 12 milhões de rejeitos de minério que desceram da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, atingiram o Rio Paraopeba. Desde do dia seguinte a tragédia, a análise estão sendo feitas em 10 pontos de coleta distribuídos ao longo de 300 quilômetros, entre município e Felixlândia. Foram encontrados valores até 21 vezes acima do aceitável de chumbo total e mercúrio total. Também foi constatada a presença de níquel, cádmio e zinco. Diante dessa situação, o Governo de Minas desaconselha o uso da água para qualquer finalidade até que a situação esteja normalizada. A recomendação vai desde a confluência do manancial com o Córrego Ferro-Carvão até Pará de Minas.

A Vale instalou barreiras para tentar impedir o avanço da lama pelo Rio Paraopeba. A terceira membrana de contenção entrou em operação na terça-feira em Pará de Minas. Outras duas barreiras foram colocadas no último fim de semana. A iniciativa é uma medida preventiva e faz parte do plano apresentado pela empresa mineradora ao Ministério Público e aos órgãos ambientais.

Equipes da Fundação SOS Mata Atlântica percorrem o Rio Paraopeba para fazer análises da água. A entidade afirma que já fez o monitoramento em 11 diferentes pontos. A instituição informou que “a maioria deles possui água com condição péssima”. Uma das verificações foi feita depois das barreiras instaladas pela Vale. O resultado não foi positivo. “Para analisar a efetividade das membranas instaladas pela Vale, que têm como objetivo conter os rejeitos, a equipe da ONG realizou medições antes e depois das barreiras. No primeiro ponto, onde o rio possui intensa corrente – trecho mais largo até agora –,o índice de oxigênio chegou a 3mg/l e a turbidez a 683,8 NTU (sigla em inglês para a unidade matemática Nefelométrica de Turbidez, que verifica quantidade de partículas sólidas em suspensão, o que impede a passagem da luz e a fotossíntese, causando a morte da vida aquática). Essa turbidez equivale a seis vezes mais que o indicado pela legislação ambiental”, afirmou.

Barragem de Bocaiuva começa a ser esvaziada

Uma barragem localizada no distrito de Engenheiro Dolabela, em Bocaiuva, no Norte de Minas Gerais, começa a ser esvaziada para reduzir o risco de colapso. Uma reunião realizada na terça-feira na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) debateu a situação da Barragem da Caatinga. A estrutura tem capacidade para armazenar 23 milhões de metros cúbicos de água. A represa cruza o assentamento Betinho, o maior do estado, onde 760 famílias vivem apreensivas desde 2017, quando foram registrados problemas no local.

Na época, uma estrutura de concreto chegou a ser arrastada durante um temporal e o Comitê da Bacia Hidrográfica da região aprovou documento alertando sobre “o risco de morte iminente das famílias assentadas” e o “desabastecimento do distrito de Engenheiro Dolabela”.

Procurado pela reportagem, o Incra informou que a decisão “pelo descomissionamento total da barragem” foi deliberada pelo Comitê de Decisão Regional do órgão em Minas. Informou ainda que, “por ora, a primeira medida tomada foi a abertura total da comporta para a diminuição gradual do nível de água, com consequente diminuição do risco apontado, inicialmente, pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Jequitaí e do Pacuí”.

O Incra diz que vem realizando uma “série de reuniões com entidades relacionadas à estrutura para definir as próximas ações a respeito”. O encontro de terça-feira contou com representantes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Bocaiuva, com vereadores e outras autoridades do município.

Esporte prejudicado

Caiaques e aventura 200 metros abaixo de onde o Córrego do Feijão deságua no Rio Paraopeba(foto: Rodrigo Rezende de Angelis/Arquivo Pessoal )

Tomado pela lama de minério de ferro, restos de construção e de natureza morta, o trecho o Rio Paraopeba que recebe as águas do Córrego do Feijão era reduto de praticantes da canoagem. A combinação das pedras com curvas sinuosas oferecia condições favoráveis para iniciantes, que se aventuravam com caiaques nas corredeiras sepultadas pelos rejeitos da barragem (foto) da Vale em Brumadinho, na Grande BH. O monitoramento Qualidade das Águas Superficiais de Minas Gerais, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), do terceiro trimestre de 2018, apontou que foi encontrado no Rio Paraopeba  Índice de Qualidade da Água (IQA) “muito ruim”. “Essa condição é favorecida principalmente pelo lançamento de grandes quantidades de esgotos domésticos e efluentes industriais nos corpos de água”, explica o relatório.

Vale cancela entregas de minério e reafirma que Brucutu está regular

A Vale reafirmou, nessa terça-feira (5), que refuta a suspensão das atividades da mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central do Estado, determinada judicialmente na segunda (4).

Em nota, a mineradora sustentou que não há fundamento técnico ou avaliação de risco que justifique a decisão de suspender a operação em Brucutu. Atualmente, a mina é a maior do Estado. Por discordar da determinação, a empresa afirmou que “está adotando as medidas judiciais cabíveis para retomar suas operações o mais rápido possível”.

Força maior

Além disso, a Vale declarou “força maior” – em consequência da suspensão de produção na mina de Brucutu – em uma série de contratos de venda de minério de ferro e de pelotas correlatos. De acordo com o advogado Bruno Nunes Silva Saliba, isso significa, na prática, que a empresa cancelou a entrega de produtos prometidos.

“Em um contrato de prestação de serviços, se o fornecedor não conseguir prestá-los de forma parcial ou integral por motivo de força maior, ele ficará civilmente responsável por reparar apenas o valor da quota do serviço não realizado, ficando desobrigado a a reparar, também, perdas e danos ao consumidor”, explicou o advogado

 

FONTE: Hoje em Dia 

Equipamentos indicavam sinais de alteração no volume de água da barragem em Brumadinho, aponta investigação

A força-tarefa que investiga o desastre da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirmou nesta terça-feira (5) que os equipamentos de segurança indicavam sinais de alteração no volume de água no corpo da barragem.

Uma foto de satélite, feita antes do rompimento, mostra um dos detalhes que chamaram a atenção dos investigadores. A pequena lagoa que aparece dentro da barragem. Isso indicaria, segundo especialistas, um problema de saturação, ou seja, de excesso de água no reservatório de rejeitos.

número confirmado de mortos chegou a 150. Até agora, 182 pessoas seguem desaparecidas.

A força-tarefa que investiga o caso afirma que a mineradora identificou o excesso de água bem antes do rompimento, em junho do ano passado, quando foi feita a última revisão periódica da barragem. Naquela época, segundo as investigações, teria havido uma tentativa de drenar o reservatório que, além de não surtir o efeito desejado, agravou o problema.

Fontes ligadas à investigação confirmaram que a mineradora tentou acelerar o processo de drenagem instalando um sistema conhecido como DHP – dreno horizontal profundo. Para fazer os furos na barragem teria sido adotado um método que usa um jato de água pressurizado. A tarefa foi abortada, ainda de acordo com as investigações, na instalação do 15º tubo porque os técnicos perceberam que a água estava ficando presa dentro do maciço, em vez de retornar pela abertura.

Um vídeo, incluído na investigação, gravado próximo da barragem depois da tragédia, mostra que havia uma tubulação de captação de água rompida, lançando água em direção ao reservatório que desmoronou.

As autoridades apuraram que havia nascentes acima da barragem. Segundo elas, isso pode ter contribuído para gerar a saturação. Ainda de acordo com os investigadores, antes do rompimento, alguns piezômetros acusaram volume de água acima do normal.

A Polícia Federal tenta comprovar se também houve falha no sistema de drenagem.

A Vale declarou que colabora com as autoridades desde os primeiros momentos após o rompimento. Segundo a mineradora, é importante ressaltar que não houve registro de aumento do nível de água no maciço da barragem. Ainda de acordo com a empresa, os dados indicam uma redução do nível da água na seção principal da estrutura.

A Vale declarou, ainda, que após a instalação dos drenos horizontais profundos, como medida adicional de segurança depois de uma auditoria regular, em 2018, foi feita uma inspeção em toda a barragem e não se detectou nenhuma anomalia.

A empresa também afirmou que duas auditorias foram realizadas, em junho e setembro do ano passado, por uma empresa de renome internacional, que atestaram a segurança física e hidráulica da estrutura. A vale declarou, ainda, que não havia nascente no corpo da barragem.

FONTE: G1

CSN diz que braço de mineração tratará 100% dos rejeitos a seco ainda neste ano

A CSN afirmou nesta terça-feira (5) que todo o tratamento de rejeitos de seu braço de mineração será feito a seco até o final deste ano.

“Atualmente, o tratamento de rejeitos a seco já cobre 40% do volume dos rejeitos e, até o fim de 2019, a CSN Mineração estará processando 100% dos rejeitos a seco, descartando a utilização de barragens para disposição de rejeitos”, afirmou a companhia em comunicado.

A CSN, que afirma ter investido R$ 250 milhões nos últimos dois anos em tecnologia de empilhamento a seco, disse que o descomissionamento e posterior revegetação da Barragem Casa de Pedra, em Congonhas (MG), são consequências do rejeito a seco, mas que o processo é de longo prazo.

Localização da Barragem Casa de Pedra, da CSN Mineração, em Congonhas (MG) — Foto: Reprodução/Google Maps
Localização da Barragem Casa de Pedra, da CSN Mineração, em Congonhas (MG) — Foto: Reprodução/Google Maps

FONTE: G1

Dissertação de 2010 na Ufop apontava possibilidade de liquefação em barragem de Brumadinho

 

Estudo feito por um engenheiro geotécnico que trabalha há mais de 20 anos na Vale aponta a possibilidade de liquefação na barragem de Brumadinho, que se rompeu em 25 de janeiro. A tese de mestrado foi defendida por Washington Pirete da Silva em 2010 na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Em sua conclusão, o estudo afirma que os rejeitos presentes na estrutura constituem materiais que tendem a exibir “susceptibilidade potencial a mecanismos de liquefação”.

A dissertação também conclui que “em função de alguns procedimentos operacionais inadequados realizados nesta barragem”, diretrizes eram “recomendadas para aumentar a segurança”.

Na liquefação, um material que é rígido passa a se comportar como fluido. Ela ocorre quando o fluxo de água presente nesse material (o rejeito ou o próprio dique da barragem, no caso) exerce uma força que anula o peso e a aderência de suas partículas, fazendo com que elas fiquem soltas.

É um processo que existe naturalmente no meio ambiente nas areias movediças, por exemplo. Em barragens de rejeitos, pode ser provocado por excesso de chuvas, excesso de carga, abalos sísmicos ou comprometimento no sistema de drenagem.

Liquefação: processo foi apontado como uma das possíveis causas para rompimento de barragens de Mariana e Brumadinho — Foto: Alexandre Mauro e Karina Almeida/Arte G1
Liquefação: processo foi apontado como uma das possíveis causas para rompimento de barragens de Mariana e Brumadinho — Foto: Alexandre Mauro e Karina Almeida/Arte G1

O fenômeno foi apontado como uma das possíveis causas para o colapso da estrutura da barragem de Fundão, em Mariana, que matou 19 pessoas.

Não há confirmação de que o mesmo tenha acontecido em Brumadinho, as polícias Federal e Civil apuram o que motivou o rompimento. Porém, a liquefação também foi relacionada a essa tragédia por um funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais.

A força-tarefa que investiga o desastre da Vale afirmou nesta terça-feira (5) que os equipamentos de segurança indicavam sinais de alteração no volume de água no corpo da barragem.

Quem é o autor do estudo?

O mestrado de Washington Pirete da Silva, funcionário da Vale por 22 anos, foi orientado pelo professor Romero César Gomes.

Já no início do estudo, o autor alerta que a liquefação tem sido pesquisada “devido aos vários eventos catastróficos que ocorreram no mundo, resultando na perda de vidas humanas, enormes prejuízos econômicos e impactos ambientais irrecuperáveis”.

Segundo a pesquisa, a barragem, que iniciou a operação em 1976, foi construída em várias etapas e por diversos projetistas e empreiteiros. Houve sucessivos alteamentos para montante, ou seja, várias construções de degraus com os próprios rejeitos.

Até 2005, disposição não tinha norma

Silva afirma que de 1976 a 2005, a operação de rejeito nas barragens ocorria sem uma diretriz. A partir de 2006, segundo o estudo, houve “uma mudança no método de disposição dos rejeitos e um entendimento melhor quanto à importância desta operação”.

Nesta época, passaram a ser usadas barras de spray para estabelecer uma formação de camada de rejeito mais uniforme e homogênea possível ao longo da barragem.

Entre os pontos indicados no estudo, estavam usar a barragem alteada para montante prioritariamente para contenção de rejeito e não de rejeito e água e implantar estrutura hidráulica que permitisse controlar nível de água do reservatório.

Segundo o autor, no estudo, não houve necessidade de proceder à avaliação de potenciais riscos da barragem a eventos do tipo de fluxos por ruptura por liquefação.

Por meio de nota, a Vale disse que a dissertação concluiu que a Barragem I atendia aos níveis de segurança propostos pela metodologia aplicada. “Como registra o próprio estudo, ‘a Barragem I apresenta boas condições de segurança em relação ao potencial ou à suscetibilidade a eventos de fluxo por liquefação'”, afirmou a mineradora.

Laudo aponta canos de drenagem entupidos pela vegetação — Foto: Reprodução/Tüv Süd
Laudo aponta canos de drenagem entupidos pela vegetação — Foto: Reprodução/Tüv Süd

Laudo aponta problemas no sistema de drenagem

Um laudo de vistoria feito em 2018 sobre a barragem I da Mina do Córrego do Feijão detectou problemas no sistema de drenagem da estrutura.

O laudo foi feito pela empresa alemã Tüv Süd, a pedido da Vale, e conclui pela estabilidade da estrutura. Mas registra que, em determinada área da barragem que estava parcialmente saturada de água, havia um dreno seco. Outros continham trincas de onde vertia água.

Além disso, o documento recomendou a instalação de novos piezômetros, equipamentos que medem a pressão e o nível da água no solo, e de um mecanismo de registro sismológico no entorno da barragem.

Por fim, o estudo recomenda que, para aumentar a segurança da barragem e evitar a liquefação – uma das possíveis causas da tragédia –, a Vale deveria tomar atitudes que diminuíssem a probabilidade de gatilhos, como proibir detonações nas redondezas, evitar o tráfego de equipamentos pesados e impedir a elevação do nível da água na estrutura.

A Vale afirmou que todas as recomendações foram atendidas ainda no ano de 2018. “Cabe reforçar que se tratavam de recomendações rotineiras em laudos deste gênero”. A mineradora não diz na nota se comprovou à Justiça que as recomendações foram cumpridas.
FONTE: G1