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Em painel que discute tragédia de Mariana, atingidos dizem que anseiam em recuperar o controle das próprias vidas

‘Crime Ambiental em Mariana: E agora?’ reuniu representantes do poder público e moradores de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo em um evento em Belo Horizonte

“Eu largo essa casa (perto de Mariana) onde eu construí piscina, cozinha, construí tudo, e vou dormir na caçamba de uma caminhonete lá no Bento no final de semana”, disse Mauro Marcos da Silva, uma das pessoas que tiveram a vida transformada no dia 5 de dezembro de 2015 quando a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, se rompeu.

maior tragédia ambiental do país matou 19 pessoas, poluiu o Rio Doce, destruiu distritos e afetou cidades de Minas Gerais e Espírito Santo.

Mauro foi um dos participantes do painel “Crime Ambiental em Mariana: e agora?”, realizado nesta terça-feira (27) no auditório da PUCMinas, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O documentário “Vozes de Paracatu e Bento”, uma parceria da Vídeo Filmes com a GloboNews e com direção do cineasta Walter Salles. O evento foi mediado pela jornalista Cristina Aragão.

“Eu nasci e cresci em Paracatu de Baixo. A gente nunca dependeu da empresa. A gente nem sabia que a barragem ficava lá perto. Nossa vida parou ali”, disse Romeu Geraldo de Oliveira, morador de um dos distritos engolidos pela lama, também presente no evento.

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que 83% das crianças que viviam em destruídas pela tragédia sofrem de estresse pós-traumático.

“Nós temos que pensar no futuro dessas comunidades. Os problemas psicológicos são similares aos encontrados em desastres nucleares como o de Fukushima”, disse a pesquisadora Maila Castro. O estudo mostra que 30% dos atingidos estão com depressão. Este número aumenta para 50% entre as mulheres.

O procurador do Ministério Público Federal em Minas Gerais, José Adércio, lamentou a morosidade do processo contra as mineradoras responsáveis pelo tragédia.

“Não vamos resgatar a narrativa e a trajetória dessas pessoas. Alguém foi punido? Não. A expectativa é que a primeira parte desta ação esteja concluída no meio do ano que vem”, disse ele.

Para o promotor Guilherme Meneghin, a Fundação Renova, criada pela Samarco, Vale e BHP Billiton, não colabora para que o processo de reparação seja ágil.

“A Renova tem que mudar essa mentalidade de enrolação, essa dilação “, falou ele.

A Fundação Renova foi convidada para participar do painel mas informou que não pode comparecer por conflito de agendas. Em nota, disse que as ações de reparação estão sendo executadas desde as primeiras horas após o rompimento e foram assumidas pela fundação em agosto de 2016. Informou que, até o momento, foram desembolsados R$ 4,5 bilhões nas ações integradas de recuperação e compensação e mais de R$ 1,2 bilhão em indenizações e auxílio financeiro emergencial.

“Entre os avanços estão o início da construção do reassentamento de Bento Rodrigues e a aprovação do projeto urbanístico de Paracatu de Baixo. Estudos para avaliar o impacto sobre as águas e a biodiversidade do rio Doce estão em pleno andamento”, disse.

Ainda conforme a fundação, um plano piloto de manejo de rejeitos no rio Gualaxo do Norte foi bem-sucedido. Sobre retomada da economia, disse que fundos de fomento e programas de incentivo à contratação local estão ajudando as cidades atingidas.

A entidade informou que as críticas sobre os processos judiciais devem ser respondidas pelas mineradoras. O G1 tentou entrar em contato com as empresas, mas ainda não teve retorno.

Paracatu de Baixo — Foto: Raquel Freitas / G1
Paracatu de Baixo — Foto: Raquel Freitas / G1

Sobre o meio ambiente, a professora Roberta Fróes, do Departamento de Química da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), acredita que os problemas causados pela lama não serão resolvidos a médio prazo. “Não é algo homogêneo. O ambiente ainda está se transformando. É algo imprevisível”, falou.

“Parece que a gente estava vendo um filme, foi para a cozinha beber água e quando voltou ele deu ‘pause’. Nossa vida está parada há três anos. Estamos ansiosos para que a gente volte a dar o ‘play’, disse Rosário Ferreira, moradora de Paracatu de Baixo.

FONTE: G1

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