quarta-feira , novembro 13 2019
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Em entrevista ao EM, Zema fala em punição severa por desastre em Brumadinho

Chefe do Executivo promete apuração de responsabilidades e atenção às famílias. E sustenta que o plano de agilizar licenciamentos, anunciado na campanha, não implica reduzir rigor

 

“Os recursos financeiros são muito limitados neste momento, mas os recursos humanos do povo mineiro são infindáveis” – Romeu Zema (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

 

Pela segunda vez, o estado de Minas Gerais, detentor do maior número de represas do Brasil, se vê socorrendo feridos e recuperando corpos após o rompimento de uma barragem de rejeitos da nossa maior riqueza mineral, o minério de ferro. A tragédia do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, na Região Central, ainda tem centenas de desabrigados e a do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, centenas de mortos. Pouco mais de um mês depois de assumir o governo de Minas, Romeu Zema (Novo) enfrenta a maior crise socioambiental por que uma unidade da Federação já passou. Em meio a essa situação, que demanda esforços de todo o país, o governador concedeu entrevista exclusiva ao Estado de Minas, para falar sobre essa tragédia e a resposta que o estado tem dado. “O próximo passo será apurar as responsabilidades sobre o rompimento e trabalhar para que haja punição severa e exemplar”, disse o governador, que destacou o trabalho dos bombeiros. E garantiu: “Na campanha eleitoral falamos muito sobre dar agilidade aos licenciamentos, mas isso não significa, de forma alguma, ser menos rigorosos ou exigentes nessas análises”.

Como o senhor foi informado da ocorrência dessa tragédia?

Estava em uma agenda fora de BH, quando o coronel Borges (chefe do Gabinete Militar do governador e da Defesa Civil) me ligou e informou sobre o rompimento da barragem B1 da Mina do Feijão. Imediatamente, retornei para a capital para as primeiras providências. Enquanto isso, meu vice, Paulo Brant, que estava na capital, se deslocou para Brumadinho até que eu chegasse.

Quais foram as primeiras atitudes e como o senhor avalia a resposta do governo de MG?
Nossa primeira atitude foi criar o gabinete de crise. Enquanto retornava para BH, fui monitorando as ações por celular. Alinhamos junto à Defesa Civil, ao Corpo de Bombeiros, à Polícia Militar e à Polícia Civil e às secretarias de governo as primeiras ações. Preparamos as equipes para seguir imediatamente para Brumadinho. Acredito que nossa equipe trabalha muito afinada. E bons trabalhos são feitos em fluxo contínuo, com cada um fazendo a sua parte sincronizadamente com as demais.

Os recursos do estado têm sido suficientes para suprir uma operação desse porte?
Não. Como é de conhecimento de toda a população, Minas Gerais vive o pior cenário econômico da sua história e é o estado mais endividado da Federação. Nosso compromisso é com o povo e, por isso, empregamos todos os esforços possíveis para auxiliar as pessoas afetadas pelo rompimento da barragem. O estado, infeliz e irresponsavelmente, está falido. Assumi o governo e, em menos de 30 dias, tenho que lidar com o maior crime ambiental de Minas e já com mais de uma centena de mortos. Mas, mesmo nesse cenário caótico, me enche de esperança ver a disponibilidade e solidariedade tanto das nossas equipes, quanto do povo mineiro. Acredito que a solidariedade é uma das características mais bonitas do povo mineiro. Nas idas a Brumadinho, via a gana dos nossos militares para prestar um bom trabalho para a população. Via o empenho deles na busca por sobreviventes e no auxílio às vítimas. Acompanhava nas redes sociais as pessoas se mobilizando para doar alimentos e água para as pessoas que estavam lá. Os recursos financeiros são muito limitados neste momento, mas os recursos humanos do povo mineiro são infindáveis. Pessoas simples, solidárias, de bom coração, prontas para estender as mãos a qualquer momento. Acredito que se mantivermos o Estado coeso, como agimos agora, mudaremos essa realidade que tanto nos incomoda. O nosso propósito é mudar Minas para melhor. Com mais empregos, segurança e recursos.

Quais serão os próximos passos?
O próximo passo será apurar as responsabilidades sobre o rompimento e trabalhar para que haja punição severa e exemplar. O estado, por meio da Advocacia-Geral, já desde o primeiro dia da tragédia conseguiu um bloqueio bilionário de recursos da Vale para assegurar que as famílias atingidas sejam amparadas. Estamos falando de perdas de centenas de vidas. Isso, infelizmente, nunca poderá ser reparado. No entanto, daremos total atenção aos familiares das vítimas, justamente em respeito às vidas que foram perdidas ali.

E quanto à devastação ambiental?
Na esferal ambiental, determinamos a desativação de todas as barragens construídas a montante. Outro fato a salientar é que mantivemos o secretário de Meio Ambiente, Germano (Luiz Gomes Vieira, que atuou também no governo de Fernando Pimentel), após ouvirmos diversas lideranças desse setor e que se mostravam favoráveis à continuidade dele, justamente pelo trabalho que foi feito na pasta após o desastre de Mariana, frisando que ele não era o secretário à época desse primeiro rompimento, embora seja um servidor efetivo da Semad.

Há uma controvérsia sobre a aceleração das licenças para atividades como a mineração. Isso pode tornar essa atividade menos segura?
Na campanha eleitoral falamos muito sobre dar agilidade aos licenciamentos, mas isso não significa, de forma alguma, ser menos rigorosos ou exigentes nessas análises. Minas leva a mineração até no nome. Não poderemos crucificar o setor, que é um dos esteios da nossa economia. Mas, a partir de agora, a parte que nos cabe será reforçada para que não ocorram mais mortes nessa atividade. Vamos fazer uma triagem intensa nas barragens atuais para checar se há outras em situação de risco.

Há alguma previsão de auxílio externo?
Sobre auxílio, temos tido muita solidariedade de todos, citando o exemplo da parceria afinada com a União por meio do presidente (Jair) Bolsonaro e até com países amigos, como é o caso de Israel, nesse pronto atendimento às vítimas de Brumadinho. Em um aspecto mais amplo, o que vamos precisar mesmo é que os projetos para a recuperação fiscal passem na Assembleia para que possamos aderir ao plano do Tesouro Nacional o mais rápido possível e ter um fôlego nas contas públicas do Estado.

Alguma mensagem para as famílias atingidas e mineiros?
Quero deixar uma mensagem de esperança para todas mineiras e mineiros. Que não está faltando empenho e trabalho para superarmos esse momento de profunda tristeza e luto. Vejo no exemplo de garra e eficiência dos nossos militares no salvamento uma saída para resolvermos nossos problemas assim. Com todos imbuídos numa mesma causa: restaurar Minas Gerais. Das tragédias ambientais e da falência financeira.

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