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Coordenadora do Ibama diz que Vale ‘perdeu o controle da situação’ após tragédia em MG

A coordenadora-geral de Emergências Ambientais do Ibama, Fernanda Pirillo, durante audiência na Câmara dos Deputados — Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados

A coordenadora-geral de Emergências Ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernanda Pirillo, afirmou nesta quarta-feira (14) que nos primeiros dias após o rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), a Vale deixou seus funcionários desamparados, sem comando e perdeu o controle da situação.

Fernanda Pirillo participou nesta quarta de reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha os desdobramentos do rompimento da barragem da Vale. De acordo com o último balanço da Defesa Civil, 166 mortes foram confirmadas e 155 pessoas continuavam desaparecidas.

“A Vale nos primeiros dias perdeu o controle da situação. As equipes da Vale estavam desamparadas em campo. Eles não tinham comando. Seus colegas de trabalho foram presos ou morreram. Eu relato aqui que a Vale deixou os seus servidores desamparados em um primeiro momento e não instalou uma ferramenta de gestão de acidentes como deveria ter sido feito e como foi determinado pelo Ibama no dia 26 [de janeiro, um dia após o rompimento da barragem]”, disse a coordenadora durante a reunião.

Ele afirmou ainda que o Ibama está em fase de conclusão do relatório de impacto da tragédia mas, segundo ela, o órgão já sabe que a área de mata atlântica devastada após a tragédia é de 133 hectares, sendo que 70 deles estão em área de preservação permanente.

Ela destacou que houve impacto na fauna, flora, turismo, em cavernas e na qualidade da água da região.

Multas

A representante do Ibama cobrou ainda que a Vale pague as multas aplicadas pelo Ibama e lembrou que a Samarco, responsável pela barragem que se rompeu em Mariana (MG), não pagou nenhuma das 26 multas aplicadas pelo órgão desde 2015.

“Aproveito a presença do presidente da Vale para sugerir que a Vale cumpra com suas obrigações e pague as multas com os órgãos ambientais. Relembro a todos que a Samarco não pagou nenhum das 26 multas aplicadas pelo Ibama desde 2015”, disse.

Fernanda lembrou que o Ibama já aplicou uma multa de R$ 250 milhões contra a Vale devido ao rompimento da barragem, além de multa diária de R$ 100 mil até que a empresa execute de forma integral e satisfatória o plano de salvamento de fauna silvestre e doméstica.

Na mesma audiência, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse que a empresa “é uma joia brasileira” e não pode ser condenada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, “por maior que tenha sido a tragédia”.

Remédios vencidos

Ao relatar os monitoramentos que tem sido feito com o Ibama, Fernanda Pirillo afirmou que o instituto está coordenando o resgate de fauna de animais impactados e animais que foram abandonados em locais atingidos.

Ela disse ainda que a Vale chegou a enviar remédios vencidos para atender os animais.

“Temos feito vistorias diversas nas áreas que a Vale está implementando para recebimento de animais. Temos verificado a validade de medicamentos e, por incrível que pareça, nos primeiros dias a Vale tinha providenciado medicamentos vencidos”, afirmou.

FONTE: G1

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