quarta-feira , dezembro 11 2019
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Compostagem caseira: uma prática simples que ajuda a transformar o meio ambiente

Muito vem se falando sobre a importância da separação do lixo reciclável, tanto em ambientes domésticos quanto sobre sua destinação no que diz respeito ao planejamento urbano e gestão pública. De acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a geração de resíduos sólidos no Brasil gira, atualmente, em torno de 160 mil toneladas diárias. Deste montante, de 30 a 40% são considerados passíveis de reaproveitamento e reciclagem, mas apenas 13% passam por este processo.

Estes números são ainda menores quando se fala sobre a compostagem domiciliar, uma prática que está ao alcance de qualquer um e contribui –  e muito – com a redução do volume de resíduos destinados aos lixões, além de diminuir emissões que causam o efeito estufa. O processo vem sendo estimulado por prefeituras em todo o país – São Paulo e Florianópolis são exemplos disso -, mas em Minas Gerais, como um todo, o modelo ainda é tímido.

Nesse sentido, ganha ainda mais importância a iniciativa que vem sendo empreendida pela Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente), que, em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais, realizará, ainda este ano, o I Simpósio Internacional sobre a Gestão dos Resíduos Orgânicos Urbanos.

O objetivo do encontro será reunir gestores municipais, servidores estaduais, profissionais e acadêmicos dedicados à temática de resíduos orgânicos e propiciar o compartilhamento de suas experiências. Essa iniciativa, alinhada e convergente às políticas Estadual e Nacional de Resíduos Sólidos, visa auxiliar na definição da adequada gestão desses resíduos em Minas Gerais.

Exemplo de quem vem fazendo a sua parte é Fabiana Santos, engenheira sanitarista, analista ambiental da FEAM e doutoranda o Departamento de Engenharia Sanitária da UFMG. Nesta entrevista ao Sindsema ela compartilha um pouco da sua experiência em compostagem e mostra como a prática está ao alcance de todos.

 

Fabiana Santos, servidora da Feam e filiada ao Sindsema, garante que a compostagem está ao alcance de todos

Quando e como você deu início à realização da compostagem caseira?

Comecei a fazer a compostagem caseira recentemente, em novembro de 2017. Já segrego meus resíduos recicláveis desde 2004, quando defendi minha dissertação de mestrado na pós-graduação da engenharia sanitária da UFMG, versando sobre a mobilização social para a coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos. Meu bairro, Nova Suíça, não é atendido ainda pela coleta seletiva porta a porta, realizada em alguns bairros pela Prefeitura de BH. Então, há 13 anos eu já vinha separando os recicláveis e levando nos locais de entrega voluntária da PBH, próximos das minhas residências, para ser destinado para organizações de catadores da capital. Mas, infelizmente, para a parcela relacionada aos resíduos orgânicos, eu não dava nenhuma destinação sustentável. Meus orgânicos (restos de comida) iam juntamente com os rejeitos (aqueles resíduos que não servem pra nada, tais como fraldas, papéis higiênicos e absorventes íntimos, por exemplo) para a coleta da SLU destinada ao aterro sanitário, onde são aterrados definitivamente, de forma não sustentável. Como sou engenheira sanitarista, isso foi cada vez me doendo mais… Até que em 2017, depois de participar de uma oficina sobre compostagem doméstica, eu tomei coragem, esqueci da preguiça e resolvi transformar meus orgânicos em fertilizantes sólidos e líquidos. Até agora, já foi possível retirar um litro de fertilizante líquido (500 ml de duas vezes), que doei para as plantas da casa da minha mãe. Ela ficou rindo à toa, porque pagava cerca de oito a doze reais para cada meio litro da versão comercial de fertilizante para as plantas. Quando eu retirar o adubo sólido, poderei doar também para a chácara da minha tia, já que não tenho plantas no meu apartamento.

Acha que esta prática é bem difundida, de maneira geral?

Não. As pessoas que se animam a fazer a compostagem caseira são românticas e idealistas, geralmente, intelectuais e pessoas ligadas ao trabalho com meio ambiente, à agroecologia, à permacultura etc. Nos países mais desenvolvidos já existem mais adeptos. No Brasil, esse público vem crescendo mais nos últimos anos; mas bem devagar. É uma solução muito bem vinda em escolas, condomínios, etc.

O que pode ser feito para fazer com que mais pessoas sejam adeptas da compostagem?

Políticas públicas de educação ambiental e de incentivos creditícios e tarifários para o cidadão. As pessoas precisam se mobilizar para realizar a segregação de resíduos na fonte (ou seja, nos próprios domicílios), promovendo a coleta seletiva. Se as pessoas evoluírem seu comportamento da disponibilização do lixo misturado nas ruas, para a segregação em casa, poderão passar à atitude de compostar orgânicos em casa. A mobilização precisa de dois ingredientes: 1) conscientização (levar conhecimento, o porquê das coisas…) e 2) sensibilização (levar emoção ou outra forma de tocar as pessoas, tais como incentivos econômicos ou punição por meio de multas, por exemplo).

É possível criar formas de interação entre os servidores, a fim de difundir a ideia?

Sim. Poderia ser feito institucionalmente, por meio do Núcleo Ambientação, por exemplo, que busca educar os servidores para lidarem sustentavelmente com os recursos e os resíduos do seu local de trabalho. Servidor conscientizado e sensibilizado multiplica a mobilização em casa, por até três vezes, em média, a depender do número de moradores em sua casa. Ou por meio de divulgação do SINDSEMA também. Andei divulgando a minha composteira por whatsapp e encontrei muitos colegas interessados em aderir a essa prática.

Quais benefícios da prática você destacaria?

Os resíduos orgânicos compõem cerca de 50% do peso do lixo domiciliar. Quando damos um destino para ele, dentro de casa, evitamos a necessidade de coleta e transporte, bem como a necessidade de construção e operação de grandes instalações de tratamento de resíduos orgânicos. No Brasil, onde o principal destino tem sido os lixões, evita-se a poluição do solo, do subsolo, das águas superficiais e subterrâneas com o chorume, que é aquele líquido preto e mal-cheiroso resultante da decomposição do lixo. As cidades que já têm aterro sanitário poderiam com essa prática caseira de reaproveitamento de resíduos orgânicos ou com as outras formas de tratamento urbanas, poupar áreas de aterramento; pois essas áreas estão cada vez mais difíceis de serem encontradas, cada vez mais distantes. Sem falar que os subprodutos desse reaproveitamento são adubos para plantas, fazendo que esse resíduo participe de uma economia circular.

E você, filiado? Também tem uma sugestão de matéria ou boa prática a ser divulgada? Compartilhe sua experiência conosco! Escreva para o email sindsema@meioambiente.mg.gov.br. 

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One comment

  1. Ótima matéria e muito boa e consciente a atuação da servidora Fabiana. Ela é um ótimo exemplo e incentivo para adotarmos práticas que contribuam para melhorar a destinação adequada de resíduos e a qualidade ambiental. São necessárias políticas públicas, mas também o movimento de cada um é cada uma. Parabéns!!!

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